Amor, Traição e Casamento

Com o título provocatório Como Pensar Mais Sobre Sexo, o filósofo Alain de Botton oferece nesta sua última obra uma abordagem controversa de questões tão essenciais como conciliar o desejo sexual com a vida marital ou encarar o adultério não como uma traição imperdoável mas com alguma condescendência e brandura.

Botton considera que apesar da inundação de informação sobre sexo, do acesso facilitado à pornografia através da internet ou mesmo da aparente liberalização dos costumes, as pessoas continuam a ter uma relação difícil com a sexualidade, por vezes dolorosa, perseguida por sentimentos de culpa, neuroses e fobias. A ideia duma sexualidade encarada de forma alegre e descontraída, sem obsessões e medos, em que não nos sentimos aquém da experiência do outro, ainda parece pouco compatível com uma série de regras e ideias socialmente sancionadas que regem a forma como as pessoas pensam e vivem a sexualidade.

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Raiva e Controlo na Relação

As crises nas relações, no trabalho, na família, no amor, dão muitas vezes origem a sentimentos de raiva difíceis de controlar. Nas manifestações desencadeadas pela crise económico-política, os manifestantes tentam derrubar grades e atirar pedras aos polícias, percepcionados enquanto símbolos do Estado, elemento tornado ameaçador (e potencialmente destruidor) da segurança do indivíduo e do bem-estar social. Tal como na natureza, a resposta dos seres humanos perante a ameaça externa imprevisível é fugir ou lutar. A raiva suporta o instinto de lutar pelo território, pelo amor e pela vida. A raiva serve essencialmente como mecanismo de defesa do eu perante uma ameaça destruidora do mesmo.

Contudo, nas relações, a raiva é percepcionada pelo outro como uma intenção expressa de magoar ou ferir. Insultos, ameaças, julgamento depreciativo da outra pessoa e da sua conduta são expressões comuns deste sentimento. Outros padrões mais sofisticados podem incluir comportamentos passivo-agressivos como a recusa ao diálogo ou à cooperação com o outro, a chantagem emocional, a imposição coerciva de condições, a ausência propositada com o fim de demonstrar poder sobre a outra pessoa, deixando-a em espera e numa posição de maior vulnerabilidade, decorrente da incerteza da situação. Continuar a ler

Depois da Infidelidade

O impacto psicológico causado pelas situações de infidelidade leva muitas pessoas a procurar a terapia de casal e a terapia individual para tentar ultrapassar as feridas abertas pela quebra das expectativas sobre o outro e sobre a relação.

A definição de infidelidade inclui duas componentes comportamentais: 1. Um dos parceiros envolve-se com um terceiro em comportamentos de cariz sexual que violam de forma explícita ou implícita as expectativas da relação; 2. Um dos parceiros envolve-se com um terceiro em comportamentos de natureza não-sexual tais como partilhar tempo, sentimentos e pensamentos que violam de forma explícita ou implícita as expectativas da relação.

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Restless, Redenção

A palavra Restless que dá título ao último filme de Gus Van Sant é difícil de traduzir em português, embora a tradução oficial do filme optasse por Inquietos numa derivação correcta de Inquietude ou Inquietação. Inabilidade para estar parado, agitação e movimento  permanente, sem nunca conseguir realmente repousar. De facto, Restless retrata na perfeição o estado interno quase constante dos adolescentes, mesmo quando estes aparentam estar mergulhados no mais profundo e subaquático dos mundos, alheados de toda a realidade excepto aquela que tem significado na construção das suas ilusões.

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O Pecado da Bissexualidade

Tenho 25 anos e tive até hoje duas namoradas, sendo que a última, o namoro durou por 6 meses. Durante toda a minha vida tive relações sexuais com homens sendo que a partir dos 16 anos comecei a ser ativo e passivo ao mesmo tempo. Nessa fase de adolescente foi muito complicado para mim pois pensava em sexo quase que constantemente, sendo isso normal nessa fase da vida.

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A Defesa do Perfeccionismo

Caro Rui,
Sou uma jovem de 28 anos o meu companheiro tem 29, conhecemo-nos desde os 11 anos de idade, temos uma amizade muito bonita, só namoramos à 8 anos e vivemos juntos à 4…parece uma escala cronológica:-)
A questão é: eu tenho receio de ter parametros demasiados altos e do meu companheiro não conseguir estar à altura dos mesmos… ou sou eu que inconscientemente estou arranjar desculpas para que o meu companheiro não tenha que dar o litro na nossa relação… sou demasiado exigente por desejar o melhor para mim ou demasiado irrelalista por não conseguir simplesmente desfrutar do que ele tem de bom???

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Construir a Intimidade

A intimidade parece ser algo evidente e intrínseco à relação de maior proximidade. Contudo é frequente observar a dificuldade das pessoas com a proximidade emocional. Alguns casais podem estar juntos durante anos com pouca ou nenhuma intimidade ou mesmo proximidade. Embora a intimidade implique proximidade, estes dois conceitos são diferentes. Continuar a ler