Relação, Arte, Resistência e Adesão

Uma das questões mais presentes no contexto da terapia quer individual quer de casal é a pergunta: Afinal quem é esta pessoa com quem eu tento relacionar-me e muitas vezes não compreendo, que me leva por vezes a sentir atraído, por vezes frustrado e a questionar sobre quem sou e porque estou nesta relação?

Recentemente participei num seminário de artes performativas, o Seminário Nómada orientado por Rui Mourão e Telma João Santos na Galeria Hangar. Em dado momento pedia-se para olhar uma pessoa desconhecida nos olhos durante um minuto sem nada dizer. Aquele exercício bastante simples acabou por me suscitar diferentes questões sobre a dinâmica interna despoletada pelo olhar do outro que variavam entre a consciência de mim próprio e a tentativa de leitura ou mesmo de fantasia sobre quem seria afinal aquele outro desconhecido. O que estava a acontecer, ali mesmo, quando dois olhares se cruzam no meio do mundo? Para além destes fenómenos aparentemente conscientes, uma outra panóplia de sensações, ideias ou emoções surgiam sem controlo ou explicação. Aquele olhar íntimo do outro desconhecido desencadeava uma resposta emocional e momentos vários necessariamente reveladores de mim próprio mas também possivelmente universais.12419142_225192611174790_8681540504518902053_o

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Narcisismo e a Impossibilidade do Amor

Muitas pessoas recorrem à terapia por se sentirem sozinhas ou incapazes de encontrar alguém para estabelecer uma relação amorosa. Outras assumem que não desejam estar em relação, não acreditam no amor, ou investiram em relações que as deixaram ainda mais frustradas e desacreditadas na possibilidade de amar alguém. Um jovem paciente chegou-me mesmo a dizer que não sabia o que era o amor já que nunca tinha estado apaixonado e agora numa tentativa de relação não sabia como identificar o sentimento amoroso.

Num mundo pautado pelo individualismo, competitividade e pelo sucesso profissional, o Outro surge muitas vezes como acessório ou para cumprir uma função do Eu. As pessoas procuram outras para não sentir a solidão, para confirmar a sua verdade, para ter sexo, para ser admiradas, para ter poder e ser objecto de inveja dos demais, para dormir acompanhadas, para não sentir angústia, para imaginar que têm uma relação.

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São os casais gay mais felizes que os heterossexuais?

Um estudo publicado pela Open University (Grã-Bretanha) em Janeiro deste ano revelava que os casais gay tendem a ser mais felizes e mais positivos sobre os seus relacionamentos que os casais heterossexuais. No entanto, de acordo com o mesmo estudo, os casais gay estão menos predispostos a mostrar sinais de afecto em público, como por exemplo, andar de mãos dadas, por temer a desaprovação social.

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Crise no casal: o espaço do Eu e do Outro

As crises na relação são invariavelmente pontuadas pelo ataque ao Outro. De alguma maneira o Eu sente-se ameaçado, angustiado; as expectativas que coloca no Outro estão comprometidas. O investimento na pessoa amada é o investimento num espaço outrora preenchido – o Eu imagina o que o Outro pode ser ou já foi e que por agora deixou de ser, ou seja a relação procura sempre satisfazer as necessidades do Eu.

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O Passado e A Separação

O Passado, filme mais recente do realizador iraniano Asghar Farhadid, surge na continuidade do seu filme anterior, A Separação, voltando a tratar com enorme acuidade e densidade psicológica as temáticas inerentes à separação e neste caso ao período pós-separação. A acção do filme decorre nos subúrbios de Paris com a visita do iraniano Ahmad à sua mulher francesa Marie, após 4 anos de separação, com o intuito de assinarem o divórcio. Ahmad encontra Marie vulnerável, temerosa, envolvida numa nova relação que arrasta consigo um drama familiar repleto de segredos, dúvidas e rivalidades entre pais, filhos e os seus “substitutos”.

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Amor, Traição e Casamento

Com o título provocatório Como Pensar Mais Sobre Sexo, o filósofo Alain de Botton oferece nesta sua última obra uma abordagem controversa de questões tão essenciais como conciliar o desejo sexual com a vida marital ou encarar o adultério não como uma traição imperdoável mas com alguma condescendência e brandura.

Botton considera que apesar da inundação de informação sobre sexo, do acesso facilitado à pornografia através da internet ou mesmo da aparente liberalização dos costumes, as pessoas continuam a ter uma relação difícil com a sexualidade, por vezes dolorosa, perseguida por sentimentos de culpa, neuroses e fobias. A ideia duma sexualidade encarada de forma alegre e descontraída, sem obsessões e medos, em que não nos sentimos aquém da experiência do outro, ainda parece pouco compatível com uma série de regras e ideias socialmente sancionadas que regem a forma como as pessoas pensam e vivem a sexualidade.

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