Abuso Disfarçado de Amor

“…Ele faz-me constantemente sentir que me ama mais do que eu a ele. Faz uma cena de ciúmes se eu olho para outro homem, quer ver as mensagens no meu telemóvel, telefona-me várias vezes durante o dia para saber onde estou e o que estou a fazer. Ele amua se eu não estou de acordo com os seus planos ou se expresso uma opinião diferente. Ele mostra-me as fotografias das suas antigas namoradas e relata pormenores das relações. Zanga-se comigo ou fica irritado por motivos alheios às minhas intenções. Parece não querer escutar os meus argumentos nem valida os meus sentimentos. Faz-me frequentemente sentir culpada!…” (relato ficcionado baseado em relatos reais) Continuar a ler

Ejaculação Precoce

Em Portugal a aprendizagem da sexualidade está ainda caracterizada pela clandestinidade, por sentimentos de vergonha e pudor associados às práticas sexuais e em alguns contextos o sexo é sinónimo de pecado, sujidade e impureza. A privacidade dos adolescentes não é muitas vezes respeitada pelas famílias cada vez mais obsessivas com o controle sobre os filhos. Os rapazes têm frequentemente dificuldade em se masturbar de forma descontraída com receio que as mães apareçam de surpresa no quarto. Mesmo quando começam a namorar os jovens portugueses estão normalmente sujeitos a terem as primeiras relações sexuais nas casas dos pais, no carro ou em situações que despoletam um nível elevado de adrenalina ao qual se acrescenta a natural ansiedade de desempenho resultante das primeiras experiências sexuais. Continuar a ler

Ansiedade Social — Porque não queremos estar sós?

Vivemos numa época em que as formas de comunicação e de interacção social estão a atravessar mudanças significativas. As redes virtuais e os canais de chat substituíram em parte as salas de convívio e os salões de baile. Os códigos de sedução estão manifestamente alterados. Já ninguém pisca o olho ou pede lume para seduzir o outro, as pessoas estão pouco à vontade com o seu corpo e não têm consciência da  linguagem corporal. Continuar a ler

Deixa-me Entrar

Parece-me que ninguém poderá ficar indiferente ao magnífico filme sueco Deixa-me Entrar. Realizado por Thomas Alfredson e escrito por John Ajvide Lindquist, Deixa-me Entrar conta a história de Oskar, um rapaz de 12 anos, ostracizado por um grupo de colegas de escola que se apaixona por Eli, uma menina vampira com 200 anos. Eli vai ajudar Oskar a ultrapassar os seus medos, a crescer, a ficar mais forte e confiante, ao ponto de conseguir enfrentar a crueldade dos colegas. Oskar oferece a Eli a aceitação e o afecto por alguém que não se pode mostrar à luz do dia, que se alimenta do sangue dos outros e cuja natureza parece impossibilitar a relação amorosa. Continuar a ler

Amor, Destruição e Transcendência

Na cultura ocidental a ideia do amor é muitas vezes conotada com uma dimensão trágica e uma dimensão transcendental. Estas dimensões estão relacionados com o lado destrutivo do amor ou com a ideia da morte oposta ao amor enquanto expressão maior da vida. A mitologia grega talvez represente da melhor forma estes princípios que ainda hoje se encontram enraizados na nossa forma de ver as relações amorosas. Afinal foi a beleza encantatória de Helena que levou Páris a apaixonar-se, a raptar Helena e a ser perseguido por mil navios que deram origem a uma longa guerra que o levou à  morte bem como à destruição de Tróia. Continuar a ler

A Co-Dependência, Amor ou Maldição?

A entrega incondicional na relação amorosa desde há muito que se tornou um arquétipo universal, cantado pelos poetas, empolado nos romances e ilustrado no cinema ou no teatro em cenas dramáticas que nos comovem a todos, tal é o nosso desejo de sermos assolados por um  sentimento amoroso tão avassalador.

Na realidade, a entrega sem limites ao outro tem consequências nefastas para o próprio e revela diversas fragilidades justificadas pela intensidade do sentimento amoroso. Gradualmente a pessoa anula-se na relação para poder servir os interesses da pessoa amada, funde-se com ela chegando mesmo a perder a sua própria identidade, enquanto reclama não sentir da outra parte o mesmo empenho e devoção. Continuar a ler

Carta dos Direitos Pessoais

  1. Eu tenho o direito de pedir o que eu quero.
  2. Eu tenho o direito de dizer “não” a pedidos e exigências que eu não posso atender.
  3. Eu tenho o direito a expressar todos os meus sentimentos – positivos e negativos.
  4. Eu tenho o direito a mudar de opinião.
  5. Eu tenho o direito de cometer erros e de não ser perfeito.
  6. Eu tenho o direito de seguir os meus valores e crenças.
  7. Eu tenho o direito de dizer “não” a tudo aquilo que eu não me sinta em condições de realizar, que seja pouco seguro ou que entre em conflito com os meus valores.
  8. Eu tenho o direito de determinar as minhas prioridades.
  9. Eu tenho o direito de não me sentir responsável pelas acções, sentimentos ou comportamentos dos outros.
  10. Eu tenho o direito de esperar honestidade dos outros.
  11. Eu tenho o direito de estar zangado com alguém que eu amo.
  12. Eu tenho o direito a ser eu próprio e a ser único.
  13. Eu tenho o direito de expressar medo.
  14. Eu tenho o direito de dizer: “Eu não sei”.
  15. Eu tenho o direito de não dar desculpas e justificações para o meu comportamento.
  16. Eu tenho direito ao meu espaço e tempo.
  17. Eu tenho o direito a ser brincalhão.
  18. Eu tenho o direito de ser mais saudável do que aqueles ao meu redor.
  19. Eu tenho o direito de sentir-me seguro e de viver num ambiente protegido.
  20. Eu tenho direito a fazer amigos e a sentir-me confortável quando estou com os outros.
  21. Eu tenho direito de mudar e de crescer.
  22. Eu tenho o direito que os outros respeitem as minhas necessidades
  23. Eu tenho o direito de ser tratado com dignidade e respeito.
  24. Eu tenho o direito a ser feliz.

(tradução de “Bill of Personal Rights”, autor desconhecido)