A Co-Dependência, Amor ou Maldição?

A entrega incondicional na relação amorosa desde há muito que se tornou um arquétipo universal, cantado pelos poetas, empolado nos romances e ilustrado no cinema ou no teatro em cenas dramáticas que nos comovem a todos, tal é o nosso desejo de sermos assolados por um  sentimento amoroso tão avassalador.

Na realidade, a entrega sem limites ao outro tem consequências nefastas para o próprio e revela diversas fragilidades justificadas pela intensidade do sentimento amoroso. Gradualmente a pessoa anula-se na relação para poder servir os interesses da pessoa amada, funde-se com ela chegando mesmo a perder a sua própria identidade, enquanto reclama não sentir da outra parte o mesmo empenho e devoção.

A organização da vida de alguém em torno da pessoa amada ao ponto de tornar inconcebível a sua existência sem o outro é uma forma de dependência semelhante à dependência de drogas ou álcool, cujo carácter destrutivo requer tratamento e prevenção.

Desde o final dos anos 70 que surgiu no meio da psicoterapia o conceito de co-dependência inicialmente usado para descrever as pessoas cuja vida era afectada por alguém dependente de drogas ou álcool. Este conceito teve origem nos Alcoólicos Anónimos que organizaram grupos de auto-ajuda para apoiar os cônjuges de pessoas dependentes do álcool, os Al-Anon.

Estas pessoas eram caracterizadas por procurarem relações com pessoas dependentes de substâncias na medida que estas suscitariam comportamentos co-dependentes. Estes comportamentos incluíam uma enorme reactividade, necessidade permanente de controlo do outro, baixa auto-estima e esvaziamento emocional da pessoa co-dependente.

Este conceito rapidamente se alargou a  pessoas que estabelecem relações em que ficam obsessivas em controlar o comportamento do outro, esquecendo-se de si próprias e do que as terá levado a agir desta forma.

As pessoas co-dependentes sentem-se incompletas sem o parceiro(a). Têm pouco amor-próprio, são muito auto-críticas e sentem-se magoadas facilmente. Por estas razões os co-dependentes são muito reactivos às atitudes e comportamentos do outro, têm dificuldades em expressar certo tipo de sentimentos em que julgam ficar demasiado expostos ou vulneráveis. Por consequência, estas pessoas têm dificuldade em pedir ajuda, em reconhecer os seus erros e olhar para as suas feridas. Tudo porque têm medo de perder o controle. O controle sobre si próprias que é assim assegurado através do controle do outro.

Os co-dependentes tentam reforçar a sua auto-estima ajudando os outros a resolver os seus problemas, nem que para isso tenham de comprometer a sua integridade e os seus valores. Os co-dependentes têm dificuldade em dizer que não, têm relações sexuais sem vontade, despendem demasiado tempo a dizer que tudo vai bem.

Numa fase inicial, os co-dependentes dedicam-se a tentar “salvar o outro”, zelando quase religiosamente pelos seus interesses, tomando para si a responsabilidade das suas acções, pensando por eles, sofrendo as consequências do seu comportamento. Posteriormente, os co-dependentes zangam-se com os outros pela falta de gratidão e reconhecimento, chegando ao ponto de sentir uma raiva incontrolável sobre os outros e sobre si próprios.

Este ciclo deixa a pessoa co-dependente ainda mais frágil porque deu tudo e afinal não mudou nada. Na verdade, a pessoa co-dependente ajuda o outro a perpetuar os seus problemas e a desresponsabilizar-se dos seus actos. Quando estas relações atingem um ponto de  ruptura, a pessoa co-dependente tende a procurar outra pessoa problemática para dar início a um novo ciclo.

A recuperação da co-dependência inicia-se pela tomada de consciência de que a pessoa precisa de centrar-se em si mesma, desprendendo-se da adição ao outro, procurando ajuda para identificar as suas vulnerabilidades e os vazios que tenta preencher através da dedicação aos outros. Quando as pessoas começam a gostar de si mesmas, a cuidar das suas feridas e a sará-las, quando aprendem a expressar os seus sentimentos e necessidades de forma adequada, as pessoas ganham noção dos seus limites e ganham perspectiva sobre si próprias.

Quando as pessoas gostam de si mesmas vão tender a procurar pessoas que as valorizem e respeitem pelo o que elas são. O ciclo da co-dependência pode ser interrompido e desfeito quando a pessoa co-dependente compreende que a resolução do seu problema reside em si próprio. Reside em tomar responsabilidade por si, tomar conta da sua vida e assim ficar disponível para poder verdadeiramente amar.

Sugestão de leituras sobre este tema:
“Vencer a Co-Dependência – Como Deixar de Controlar os Outros e Cuidar de Si”, Melody Beattie, Sinais de Fogo
“Mulheres que Amam Demais”, Robin Norwood, Sinais de Fogo

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143 thoughts on “A Co-Dependência, Amor ou Maldição?

  1. Concordo totalmente com o artigo, e querem saber porque? porque é exatamente o que estou vivendo ( e odiando estar nessa situação). Não estou responsabilizando o outro pois sei que o problema está comigo. É horrível amar alguem mas ao mesmo tempo, sentir que a vida e nada tem sentido sem o outro do lado. Chega ao ponto de simplesmente ouvir a voz da pessoa seria como uma dose de uma droga para amortizar a ausencia que sinto. Odeio isso. Eu quero e tenho o direito de ser livre e por isso assumo que preciso aprender a gostar de mim para ter condições de amar alguem. Eu sou um ser único e mereço passar por essa vida e ser feliz.
    Um abraço.

    • Muito bom isso que voce falou…

      Estou passando por uma situação semelhante…

      Aqui em casa tenho que lidar com minha mãe, que é co-dependente da minha adicção e meu alcoolismo, mas não aceita e não faz tratamento nem entra em alguma recuperação para melhorar…

      Os dias estão bem difíceis, mas sempre me lembrando que só posso modificar a mim mesmo e aos outros só posso amar, aí fica tranquilo…

      Obrigado Maurício por me lembrar que eu sou um ser único e mereço passar por essa vida feliz…

      Sei que Deus está comigo e é amoroso e cuidadoso e se já cuidou de mim até hoje, vai continuar cuidando, Só por Hoje…Funciona…

  2. Me senti vivendo o artigo, e o melhor de tudo é que senti um caminho a seguir. Sempre tive minha vida direcionada a outros e o pior, esperando a aprovação de tudo. Infeliz ideia, infeliz atitude, infeliz a vida. Sou amiga de muitos, mas amigos, creio que nenhum…rs. Triste, não eu plantei, eu estou colhendo, recebendo o que fiz a vida inteira. A forte, a poderosa, a independente, a que cuida de tudo, de todos.. sem direito a fraqueza e ao mesmo tempo tendo uma co-dependencia doentia. A vida não é isso… não é esse o objetivo maior. Amar-se, gostar-se, e sentir-se feliz. Fiz uma cirurgia há pouco, e estou esperando a liberação do médico para a guinada. Exercícios, dieta correta, saúde.. enfim fazer por mim o que até hoje não fiz.
    quero me amar.. de verdade.. sem mascará.. sem faz de conta. A vida não é feita de migalhas e sim de um todo, de um inteiro.
    Como disse muito bem o mauricio ..””” Eu sou um ser unico e mereço passar por essa vida e ser feliz”””. Um beijo e obrigada!!

    • Olá Fátima, como adicto, posso te dizer que é muito bom ler o que voce escreveu também…

      É legal saber que voce tem consciencia do que precisa fazer para passar pela vida e ser feliz…

      Eu também estou tentando fazer isso…

      Como disse no comentário acima, estou tendo problemas aqui em casa com isso.

      vejo que a co-dependencia com que estou tendo que lidar é muito parecida com o seu relato…

      Se puder, por favor, Envie um email para elaine_a_rocha@hotmail.com que é da pessoa de quem está falando também…

      O mais difícil da co-dependencia ou qualquer outra doença é que a própria pessoa não admite que precisa de tratamento…

  3. Lendo o artigo, que por sinal é maravilhoso, descobri que sou um co-dependente sexual. Afinal é o que estou vivendo sempre vive.
    todas as vz deixo de viver a minha vida para ajudar o outro e nunca sou correspondida, por ñ ter amor proprio, sempre vou atras, mesmo sabendo q vou sofrer as consequências depois…Preciso de ajuda, como me libertar??
    bjus e obrigada

  4. Tentar manter uma relação com um co dependente que nao reconhece que o é, é o que tenho feito ultimamente mas sem dúvida que é esgotante. Depois de ler o artigo reconheço que tenho mesmo é de me afastar e de deixar que a pessoa sozinha encontre o seu eu.
    Fez-me bem o artigo e por isso agradeço, álias vou enviá-lo ao dependente, talvez o ajude.
    Obrigada

  5. Fui casada 10 anos com um alcolátra. Busquei ajuda no AA em um momento de desespero. Vcs imaginam minha surpresa qudo me disseram que eu era doente ( codependente) tanto quanto meu esposo??? ” Doente é ele..” continuava dizendo p mim…
    Aos poucos fui entendendo o que é codependencia… E eu realmente achava que ele não sobreveria sem mim. Ficava preocupada . Quem vai cuidar dele??? Finalmente me separei.
    Cinco anos apos minha separação. Feridas curadas encontrei um homem maravilhoso. Me pediu em casamento em 3 meses de nomoro. Achei que deveria esperar mais e recusei. Apos um ano e meio de nomoro ele me confessa que é um viciado em sexo.Chegou a tranzar com 50 mulheres em um ano , 3 mulheres em um dia!!! Meu chão caiu!Ele era perfeito! Ele me fazia muito feliz!!! Não imaginava tal descontrole ou doença nele!!! Novamente fui posta a prova!!! Mas sinto como estou forte, sou outra mulher!!! Não quero salva-lo!!! Mas agradeço o quanto ele me fez feliz enquato pode e apenas quero deixa- lo ir embora.
    Fiquem todos com Deus

  6. após ler a matéria me surgiu uma dúvida, será que numa relação as duas pessoas podem ser co -dependentes? porque se encaixa perfeitamenteos sintomas em mim e meu marido, só que agora eu estou caindo na realidade, e penso igual a amiga Márcia que deu seu depoimento, sou casada a 30 anos,me casei virgen com 16 anos, conheci ele ao 13, ele nunca me satisfez, em todos os sentidos, e agora eu penso como aguentei viver insatisfeita, hoje me encontro com uma urticária de fundo emocional e depressão,por ter guardado todos os meus sentimentos e desejos.

    • Rosana, para responder à questão que coloca necessitaria de mais elementos sobre a dinâmica do casal. Embora duas pessoas possam ter uma relação de dependência mútua, normalmente a pessoa co-dependente caracteriza-se por gerir toda a sua vida em função da outra, esquecendo-se de si ou anulando-se na relação. Convém relembrar que estas situações não são definitivas e que se está sempre a tempo de alterar as regras do jogo e começar a olhar para a forma como as nossas necessidades estão a ser atendidas na relação e no meio exterior. Esta situação implicará uma maior confrontação com o outro e especialmente com o próprio, na medida em que terá de assumir uma postura mais proactiva da defesa dos seus interesses e valorização do seus sentimentos.

  7. O grande mal dos co dependentes é que conseguem fazer-nos sentir culpadas por nao deixarmos tudo por eles, por nao pensarmos primeiro neles, por nao amarmos como eles…. É cansativo para um dos parceiros que o outro nao tenha vida própria e que viva sempre com pena de ninguém o compreender

  8. Oi Rui, sou uma nar-anon em recuperação, li seu artigo e achei ótimo, estou montando um blog pra dividir minhas idéias , tomei a liberdade de colocar esse seu texto lá, claro que com a devida informação.
    Agradeço a ajuda, são poucas as informação para ajudar as familias de adictos na net.
    beijos Paz e serenidade

  9. Vivo também uma relação assim, acho que somos os dois co-dependentes um do outro, ouve já recente separação, e de novo a união, com traição pelo meio. Ando perdida, nos sentimentos, dividida pela familia, que não concorda, cheia de dúvidas, sobre se vai resultar… Se estou a fazer a coisa certa, ou não? Se continuando na relação vou continuar a ser co-dependente, porque isso eu sei que não quero mais…mas há tão pouca ajuda, a nível médico para quem não tem possibilidades… enfim.. sejam todos muito Felizes, que eu vou tentar também.

    • Cara Otília existem algumas organizações em lisboa que providenciam serviços de psicoterapia para pessoas com recursos limitados: a Associação Lavoisier que calcula o preço a pagar por sessão com base no irs (www.associacaolavoisier.com) e a Associação Olhar (olhar.sapo.home.pt).

  10. Olá Rui, o seu artigo é muito importante, quanto mais pessoas tomarem consciência de que a codependência é uma realidade e que afecta a qualidade de vida ( e muitas vezes a própria vida) dos envolvidos, maiores são as possiblidades de desenvolverem a capacidade de se relacionarem de forma saudável consigo mesmas e com os outros. Sentindo também a necessidade de existir em Portugal um grupo de apoio com o qual estas pessoas se pudessem identificar e recuperar foi criado o MADA, Mulheres que Amam Demais Anónimas com reuniões semanais, todas as sextas-feiras na Igreja dos Anjos em Lisboa.
    Serenidade para todos

  11. Olá, Rui! Sou amigada há 4 anos com um alcoólatra, que a princípio me pedia ajuda para parar de beber mas hoje admite que não quer e não vai parar…tivemos vários rompimentos e retornos que resultaram em desgastes para mim, ele e nossas famílias…estou passando com psicóloga e ela em fez ver que sou co-dependente…há momentos em que penso em terminar mas tenho medo de ter recaídas novamente e só nos desgastarmos mais…será possível com tratamento psicológico e participações no CODA eu adquirir forças para sair desta relação e não ter mais recaídas, visto que sei que se me separar, ele irá me procurar insistentemente e tenho medo de não resistir…ele diz que não vai parar de beber mas quando nos separamos e ele quer reatar, jura que vai parar, que quer parar e precisa da minha ajuda…estou perdida e com sintomas de depressão…

    • A única hipótese do seu companheiro poder vir a parar de beber e decidir tratar-se é só mesmo no caso de o deixar de forma peremptória e sem qualquer tipo de recuos e hesitações. Obviamente este processo de separação não irá ser nada fácil pelo que necessita de apoio psicoterapêutico e duma enorme força de vontade. Tem de pensar que só assim poderá prosseguir a sua vida de forma saudável, caso contrário corre riscos graves de depressão, perda de auto-estima, esvaziamento emocional ou outras pertubações decorrentes do stress elevado que a relação lhe produz. Recomendo-lhe a leitura do livro referido no artigo, Vencer a Codependência, de que o seu caso é paradigmático.

  12. É exatamente como tenho me sentido,em relaçao ao fim do meu casamento,sinto uma enorme culpa o tempo todo me dizendo:tudo acabou por sua culpa, não conseguia entender porq brigavamos tanto se tinha tanto medo de perde-lo,já faz sete meses e cada dia que passa o sofrimento parece não ter fim. Quando estou no trabalho me sinto muito bem, quanto mais trabalho mais quero trabalhar. quando vai chegando a noite tudo fica mais dificil,e começo a pensar que eu poderia ter feito tudo diferente,teria de ter tido mais sabedoria e ter controlado mais minhas emoções, me sentia fragilizada e ele sabia como provoca esses sentimentos que sem perceber o quanto estava descontrolada o agredia com palavras. Preciso de ajuda. Quero entender que amor é esse?

    • Cara Silvania, as separações são sempre muito dolorosas devido a quebra do vinculo afectivo e consequentes sentimentos de perda e ou rejeição. Contudo, é muito difícil sustentar uma relação em que existe uma grande conflitualidade que é sempre da responsabilidade das duas pessoas, mesmo que a sua situação seja a de co-dependência. Não tenho informações suficientes para poder avaliar a dinâmica da relação mas parece-me que a Silvania tem dúvidas sobre como deveria ter agido ou porque foi levada a agir com o seu companheiro de uma forma que era incoerente com o que sentia por ele. A agressão à pessoa amada pode ocorrer por várias razões. Pode estar relacionada com a dinâmica do casal e ser uma forma de resposta a uma provocação ou agressão do outro ou uma forma disfuncional de expressar insatisfação, falta de poder, zanga ou ciúme quando não se conhecem outros meios mais saudáveis de expressar estes sentimentos ou resolver a discórdia no casal. A agressão pode estar também relacionada com factores decorrentes da experiência e estrutura do indivíduo tais como a insegurança e falta de auto-estima, ou com experiências do passado que criaram receios de perda, mal-trato ou angústia de abandono pelo outro. Em todo o caso, é fundamental que as pessoas sejam capazes de poder dialogar sobre as suas vulnerabilidades e as do outro sem se sentirem julgadas ou constrangidas, para que a relação se possa tornar um espaço de initmidade e segurança para ambos.

  13. Olá, os co-dependente, sempre atrai pessoas problematicas, para sua vida?
    estou perguntando isso, pq meu esposo, tem esses sintomas da matéria, e não gosto dele me controlando o tempo todo, e faço tudo para não deixa-lo irritado, sempre chego nos horarios, dou satisfação de tudo na miha vida, apenas para não magoa-lo, mas estou me sentindo sufocada, e tenho medo de larga-lo, e ele não aceitar bem essa situãção, estou muito preocupada, nao sei o que fazer, nesse caso, tbm sou co-dependente?

    • Cara Rubia está de facto a pactuar com as necessidades de controle do seu marido o que a leva sentir-se sufocada e sem espaço para poder expressar o que sente. Uma relação implica a possibilidade de dialogo aberto sobre os sentimentos e necessidades de cada um bem como o direito à nossa privacidade individual. Sem podermos confiar na outra pessoa torna-se difícil criar intimidade e proximidade na relação porque existe uma tensão constante que na medida em que nos sentimos desconsiderados e por vezes até violados ao nível da nossa privacidade e integridade psicológica. Deverá falar com o seu marido sobre o que sente e avaliar até que ponto o seu marido estará disposto a atender às suas necessidades. Se não reivindicar para si o direito a falar sobre os seus sentimentos e obter a atenção do seu parceiro, estará de facto a anular-se na relação e a estabelecer uma situação de co-dependência.

  14. Olá à todos (as)! Infelizmente me vejo nesse patamar de pessoas, as co-dependentes. Já perdi 3 relacionamentos com isso, sempre era possessivo, cobrava atenção, pois dava atenção, respirava por eles. Não me conformava quando ele queria sair para algum lugar sem mim, me matava todos os dias. Muito ciumento queria controlá-lo e tentava impedir que ele olhasse até para sua própria sombra. Afora as crises de loucuras. Ligar para seu trabalho para saber se ele estava lá mesmo, para casa de seus pais, para ele e insistir em conversas torpes. Procurar ver suas ligações recebidas e mensagens no celular. Tinha (tenho) todas as senhas dele. O que estou me referindo é o último relacionamento, que cansou de mim. De minhas neuras e paranóias, de minha co-dependência. Só estava bem, se ele estivesse bem. Se ele estivesse triste, eu estava. Se ele estivesse preocupado, eu estava. Eu era o reflexo de tudo. Não consegui me sobrepôr à isso, pois continua maior que eu. Hoje procurei ajuda psicológica, espero que consiga algum êxito. E, quanto ao meu ex relacionamento: Sabe que a culpa não é dele, está aí, vivendo a vida dele, conhecendo pessoas, festas, reuniões, trabalho, família, igreja, feliz da vida. Enquanto eu? Cada vez mais na fossa. Agora pergunto a vocês? Isso com certeza não é amor que sentimos.

  15. Caro, Rui, segui seu conselho, falei com meu esposo, hj ele esta fazendo terapia, e já estou vendo resultados… muito obrigada…

  16. Rui,
    Muito interessante seu artigo, me identifquei e muito e creio, aliás tenho certeza que sou uma co-dependente.
    Namoro (nem sei se o termo é este), um homem há mais de 5 anos. Como nos conhecemos em uma situação inusitada, e sempre levamos uma vida de acusações, mágoas, e nos ferindo constantemente. Acontece que não conseguimos nos separar, quando ele tenta eu não deixo e vou atrás, quando eu tento e me afasto e vêm com ameaças, mas nunca me assume.
    Minha maior mágoa é saber que mesmo sobre pressão ele jamais assumirá nosso relacionamento. Somos livres desempedidos mas ele não assume a relação, e mesmo sabendo disto não consigo terminar, fico totalmente perdida quando não estou com ele. Por favor me ajude.

    • Carla é muito difícil eu poder ajudá-la desta forma se você mesma reconhece a dificuldade de terminar uma relação que sente não lhe fazer bem. Como refiro no artigo a pessoa co-dependente necessita de fazer um trabalho de valorização de si mesma e reforço da auto-estima para conseguir ganhar a força e consciência necessárias para poder alterar este padrão de relacionamento e procurar alguém que a valorize e respeite. O recurso à psicoterapia e ou a grupos de auto-ajuda é normalmente necessário para modificar o padrão de co-dependência.

  17. Olá, notei que somos os dois co-dependentes.E desgastante,perdi a auto estma e amor proprio, por fazer tudo que o parceiro queria.Sua manipulação psicologica destroi-me cada dia. Estou a tentar separar-me pela 3ª vez, já que me procura sempre e não resisto.Prometendo que vai mudar quanto ao consumo.Ele é toxicodependente, alem de beber e ser agressivo comigo. Quer fisica, quer verbalmente.Depois que tentamos, começa tudo de novo. Sinto-me cansada, de lutar por esta relação, e não entendendo, como posso gostar de alguem com tais vicios e que me maltrata. causando-me instabilidade tanto a nivel emocional como finaceiro.Acusa-me de a culpa ser minha, de todas as discussoes, quando é ele que implica com tudo, quando começas a sentir falta da droga ou está com bebida a mais.Estou a dividir a casa até poder sair daqui, pois quero sair disto. Só não entendo, meu sentimento de pena por ele, apesar de tudo que já me fez.Chegando a pensar que sou doente, que nunca mais vou voltar a ser eu, que não mais vou ter paz ou ser feliz.Gosto muito dele, penso que amo demais,no entanto, seus maus tratos e dependencias,fazem-me pensar, que ao seu lado, nunca o conseguirei.Entretanto, já procurei ajuda psicológica, já que me sinto esgotada, tendo até pensamentos negativos com respeito à vida.Pretendo, por favor, uma resposta sua, com relação a tudo isto.
    obgrigada

    • Parece-me que apesar de ter tomado a decisão de separar-se do seu companheiro ainda se sente insegura quanto a fazê-lo, o que é natural devido a vinculação afectiva proporcionada pelo tempo em que estiveram juntos e especialmente pelo seu lado co-dependente. Investiu na relação na expectativa que o seu companheiro mudasse e acabou sentido-se agredida e traída pelo comportamento deste. Estes sentimentos de frustação e culpabilidade são também resultado da diminuição da auto-estima que podem levar a situações de grande desespero e vazio emocional como aliás refere. A únca solução para a situação descrita é a separação, sendo importante recorrer a ajuda psicológica para apoiá-la no processo de separação e posterior recuperação.

  18. Agradeço desde já o seu parecer. Já estou a ter ajuda psicologica, terapia vou começar brevemente. Toda a ajuda até agora, me tem fortalecido a escolha da melhor decisão, que é a separação. Sinto a recuperar algo aos poucos, tanto a liberdade, como a paz interior, como amor proprio.Torna-se dificil. e tambem desconfortável, visto que ainda divido a casa com meu companheiro. Mas muito obrigado pela resposta ao meu comentario. Tudo que seja conselho medico,me serve de momento de ajuda.obrigada

  19. Quem bom que encontrei. Estava precisando muito de falar: sou CO-DEPENDENTE. Namoro há 11 anos um mesmo rapaz, ele é dependente químico (crack), não tenho intensão de largá-lo pois o amo muito. Vivo na esperança que ele melhore mas sofro muito além do mais me sinto impotente para arrumar outro namorado, pois apesar da doença dele, o amo muito ainda não sei viver sem ele. Preciso de ajuda. Que Deus me conforte…..

    • Carla a sua dependência está a dar suporte emocional à dependência química do seu namorado numa dinâmica destrutiva para ambos. Se o seu namorado não quiser procurar ajuda a única solução para si é ser você a procurar ajuda para se libertar da dependência dele. O amor de que fala não é saudável, é como uma droga da qual está dependente, é um amor que a consome e a destrói. A sua dependência é tão destrutiva para si como a dependência química do seu namorado para ele. Merecerá a pena reflectir sobre o que deseja para si e para o seu futuro.

  20. Após ter passado por dois relacionamentos completamente destrutivos, terapias, etc, me descobri co-dependente. Além do mais, grande parte da minha família é co-dependente. Desde os 17 saí de casa porque não aguentava o ambiente tenso e estressante da minha família. Porém isso não evitou que depois eu me envolvesse com pessoas que apresentassem as mesmas características de meus familiares. Atualmente encontro-me isolada das pessoas, pois não sei em quem confiar, e me irrito de maneira extrema quando percebo que alguém está me controlando emocionalmente. Ainda culpo principalmente minha mãe por ter me feito de terapeuta quando criança, tendo que suportá-la falar das traições do meu pai (não se divorciaram) e da falta de juízo da minha irmã. É difícil perdoar uma infância e adolescência perdidas. Mas eu entendo que assim como eu, talvez eles tenham tido menos de suporte emocional que eu. Hoje com 25 presto muita atenção em relação às pessoas com as quais me relaciono, faço psicodrama, e não vejo o dia de perceber que finalmente tenho uma vida, a minha vida, e que sou feliz da maneira que sou e não da forma que querem que eu seja. Em relação à minha família, já desisti, infelizmente, não preciso mais deles emocionalmente. Quando mostro a eles meu ponto de vista ou deixo claro do que gosto ou não, eles utilizam aquilo que não gosto para me irritar, se fazerem de vítimas e espelharem para toda a família o quão ingrata e grossa eu sou. Eu não mereço isso. Agora busco relacionamentos saudáveis, pessoas saudáveis e o meu crescimento inteno.

  21. ola´Estou procurando ajuda e ao ler o artigo parece que tratava-se de mim.Vivo um relacionamento conturbado com um homem viciado em traiçao mais nao consigo me afastar dele .Ja faz quatro anos que ele tem outra pessoa e deixei de ser esposa para ser amante ele e totalmente falido financeiramente mais consegue me realizzar sexualmente por isso tornei-me uma viciada .tenho consciencia da minha fraqueza como mulher mais nao tenho forças para reagir .Hoje ele mora so mais o maior tempo fica na casa da outra mas tambem nao me deixa em hipotese alguma .Nao aceito em ter o ajudado tanto e ele ficar com a outra.preciso de ajuda urgen

    • Realmente encontra-se numa situação de co-dependência com consequências muito negativas para si e para a sua auto-estima. Deverá recorrer a psicoterapia para a auxiliar a resolver o seu problema pois não me parece ser capaz de libertar-se do seu companheiro sem ajuda embora já tenha consciência que esta será mesmo a única solução. Por outro lado, se deixar o seu companheiro irá sentir-se melhor consigo mesma e ele também a irá valorizar e provavelmente tentar recuperar a relação consigo, cenário que a ocorrer deverá evitar.

  22. Lamentávelmente, não estou a conseguir. A depressão está presente, apesar de estar a ter terapia, ando muito sensivel, pois qualquer coisa chroro. Todos os dias, penso em alguma altura na forma mais fácil de me livrar disto. Existe algo estranho em mim que não entendo bem, que é o facto de querer estar junto dele, mas quando o faço, começo a tremer. É inesplicável, uma sensação de angustia, raiva, tristeza, desejando que me dissesse algo bonito, mostrasse algum afecto, que tem saudades de dormir comigo, já que estamos separados embora na mesma casa, mas isso não acontece. Ali fico eu sentada, à espera de algo que sei não existir nele…amor…pois o seu amor são as drogas, a bebida e a noite.Ele ficou de sair, mas não sai, sei que não tem dinheiro para alugar uma casa, então perguntei se não o fazia por isso, ou se tivesse dinheiro se já o teria feito.A resposta foi…porque?Para ti sou apenas uma sombra, foi o que eu lhe disse.Respondeu-me que a sombra é ele. pois só cá vem dormir.Penso largar tudo aqui e partir para longe, onde tenho uma parente bem chegada que me xama, que me diz que largue tudo.e vá…É longe, falta-me a força, a coragem e tenho medo da saudade. Vou perder muitas coisas, isso entristéce-me profundamente, como bens, o meu país, o trabalho e o contacto directo com duas filhas que não são dele, mas que terão que ficar, mas que tambem me dizem que parta, pois preferem ver-me longe e feliz, que perto e infeliz. A confusão é grande, sem que me apeteça trabalhar, viver….sinto muito sono, durmo horas a fio, sem que se justifique e quando durmo, só tenho pesadelos, acordo sempre a transpirar, pois neles sinto humilhação, tristeza e raiva. porque até lá ele me aparece com mulheres, cenas de ciumes e agressoes. Sinceramente não sei como me vou livrar disto. Sinto que estou a ficar doente, se já não estarei. Afinal não posso esperar nada desta relação, mas é algo que sempre alimento e está presente….A esperança de que volte tudo ao inicio….sei que é impossivel, mas desejo isso, algo que entendo que não mais voltará…E quando penso nisso, sinto que não consigo dar-lhe afecto, pois sinto sempre tristeza ao seu lado.É um quero e não quero…por vezes penso que seria bom que ele tomasse uma overdose…que só assim ficaria livre….Como posso sentir o desejo de amar e odiar ao mesmo tempo?..não entendo, mas é verdade.Estou a um passo da decisão de partir, pois entre todas, só vejo essa como a melhor.Ficar longe, embora tema que me procure e não venh a conseguir, depois de tanto esforço, aceitá-lo de novo.Sinto uma enorme pena ao faze-lo, sei que vai ficar só, que ninguem vai cuidar dele, que talvez irá passar fome.Isso destroi-me por dentro e perco as forças de partir. Existe sempre uma pergunta que faço….será que gosta de mim? E se gosta, embora não demonstre, nem diga nada que me faça acreditar nisso, e se eu parto e perco o homem que afinal amo?e que um dia talvez ainda podessemos ser felizes, mas que por minha causa não fomos, porque acabei tudo e parti….parece de loucos, mas é tudo que vai na minha cabeça, por mais que tente não pensar, esgoto-me e fico cansada de tanto pensar…Afinal já é a 3ª vez que me estou a separar dele, e sempre que voltei, acabei com mais e mais dividas e as agressões piores que antes, voltou sempre tudo ao mesmo. Já nem sei se existe solução para isto, sei que é doentio, mas que não me consigo libertar….

    • O seu comentário é muito tocante e revela o lado destrutivo da co-dependência provocada pelos sentimentos contraditórios, sentimentos de culpa e uma dificuldade terrível de deixarmos uma pessoa que amamos mas que sabemos que nos faz mal. A leitora já tem implícito no seu comentário a solução para o seu problema e a necessidade de manter o apoio psicoterapeutico e dos familiares e amigos para se poder libertar duma relação tão destrutiva para si.

  23. A minha questão tem a ver com a duvida de se a paixão, digamos os primeiros 6 meses em que nos conhecemos e disfrutamos de uma típica co-dependência, é ou não natural e normal?
    Existe uma fronteira entre paixão e co-dependência? É “legítimo” pensarmos que estamos co-depedentes por estarmos apaixonados e esperar que o “lume” fique mais brando?
    Obrigado

    • A paixão e a co-dependência são estados diferentes embora possam ser compatíveis. Muitas vezes as pessoas co-dependentes justificam a manutenção de relações desta natureza porque se sentem apaixonadas pela outra pessoa. A paixão e o enamoramento surgem numa fase inicial da relação e caracterizam-se por um lado obsessivo em relação à outra pessoa mas em que existe um certa reciprocidade no desejo de agradar, estar com a pessoa, pensar nela. Regra geral, durante o período de paixão, as pessoas sentem-se valorizadas pela atenção e afecto do outro e preenchidas pela reciprocidade dos sentimentos. Naturalmente ao fim de algum tempo as relações tendem a evoluir para uma visão mais realista do outro, menos obsessiva e dependente. Numa situação de co-dependência persiste sempre o sentimento de que a pessoa não consegue viver sem a outra ou seja que de alguma maneira a própria existência da pessoa estará em risco se o outro se for embora ou se nós o deixarmos. É este sentimento implícito da necessidade do outro para podermos subsistir que deixa a pessoa vulnerável na relação.

  24. Dr Rui estou preste a me separar, de uma relaçao de 10 anos, meu casamento é meio conturbado por conta de que eu ganho mais que o meu Marido, não discutimo sobre isso, mas tento suprir agradando sempre ele.
    Depois que li sobre este tema vi que sou uma có dependente.Sofro muito por isso.

  25. Boa tarde.
    Conheci este site depois de pesquisar a frase dependência afectiva.
    Tenho um irmão cujo perfil psicológico associo a este “transtorno” – (personalidade dependente?)
    As relações que ele estabeleceu com as namoradas caracterizaram-se por esta total dependência do outro, auto-estima, motivação para a vida e para o trabalho, etc.
    O que me deixa desolada, é que sempre que ele recebe acompanhamento profissional o diagnóstico principal é sempre depressão maior ou transtorno bipolar.. e de seguida vem a panóplia de medicação que o deixa sedado no dia a dia. Há muito tempo que estou absolutamente convencida que o que ele precisa realmente é de ajuda psicoterapêutica. Porém, também é verdade que nem todos os profissionais têm a preparação necessária para ajudar casos complicados como são as dependências, sejam elas de que natureza for. O meu pedido surge da necessidade de conhecermos no Porto alguém que esteja muito bem preparado para responder a estes casos. Há 11 dias o meu irmão cometeu um tentativa de suicídio (segunda e em diferentes relações) que resultou no internamento nos cuidados intensivos em estado de coma por 4 dias. Felizmente a evolução tem sido favorável e ontem já passou para os cuidados intermédios. julgo que o passo seguinte é o internamento em psiquiatria. No caso de não ser diagnosticado o transtorno da co-dependência teremos que o levar para outro lado, pois não podemos arriscar passar novamente por este duplo pesadelo de anos – pedir ajuda profissional em vão e temer perdê-lo nestas tentativas graves.
    se nos puder ajudar neste sentido, fico eternamente grata.
    Com respeito e admiração deixo os meus cumprimentos.
    Maria Gonçalves

    • Cara Maria, não tenho elementos suficientes para poder avaliar o seu irmão como pode calcular. Os diagnósticos de depressão maior e transtorno bipolares não são incompatíveis com a perturbação dependente da personalidade e a co-dependencia, que por sua vez são dois diagnósticos diferentes. O acompanhamento psiquiátrico parece-me fundamental para uma pessoa com as caracterísiticas do seu irmão, o que não exclui a psicoterapia. Pelo contrário, o tratamento psicoterapeutico poderá ajudar o seu irmão de forma complementar ao tratamento psiquiátrico e é aconselhável para qualquer dos diagnósticos referidos. Tenho muito pouco conhecimento de psicoterapeutas no Porto mas deverá pedir referencias no hospital onde o seu irmão está a receber tratamento. Se fôr no hospital de S. João, o professor Júlio Machado Vaz será uma excelente referência e fonte de referencias.

  26. Sou filho único, 31 anos, homossexual, apesar de ser discreto e bem masculino, sempre senti sozinho e faço de tudo para estar com alguém. Há um ano tive um relacionamento com um rapaz parecido, e eu comecei a cuidar dele. Ele vinha chorava, derramava seus problemas e eu sempre solícito. Durou dois meses, depois ele começou a me esnobar e sair com outros. Meu mundo caiu, eu o humilhei demais. Ai depois pedi desculpas e tentei ser amigo. Daí surgiu outro problema, ele me acusa de contamina-lo com hiv. Isso virou uma novela, ele começou a se fazer de vítima e eu correndo atrás, sendo humilhado demais, até o ponto de começar a usar muita cocaina em boates. Ai ficava pior ainda. Agora, eu me afastei porque ele me xingou muito, e eu estou tentando restabelecer minha vida. Ele também é codependente, mas depois que conquista, cai fora. Confesso que sinto saudade e choro todos os dias. Mas diminui as drogas, foquei no trabalho e estou tentando esquecê-lo. Mas a sensação que tenho que por sermos parecidos, seria o único amor da minha vida. Mas era tão destrutivo, acabou com minha dignidade, auto estima. Só quero ser feliz comigo.

    • Caro Fábio, a situação que descreve é uma situação típica de co-dependência. A única solução para o seu problema é afastar-se desse rapaz de forma definitiva, evitando todas as possibilidades de contacto porque a tentação de o contactar será grande. É muito positivo que esteja a diminuir o consumo de cocaína que se tornou o substituto do seu namorado ou pelo menos uma forma de preencher o vazio que sente deixado por ele. Focar no trabalho e em pessoas que gostem verdadeiramente de si são boas alternativas. Recorrer à psicoterapia, grupos de auto-ajuda, fazer exercício, cuidar de si são outras estratégias para se sentir melhor consigo mesmo e recuperar a sua auto-estima. Aconselho-lhe o livro referido no final do texto “Vencer a Co-dependência…”

  27. Estou separada à oito anos. Apaixonei-me entretanto mas não há compromisso entre nós. Nesta relação voltei a ter prazer sexual. não acredito nesta relação porque não é o tipo de homem para viver comigo e com os meus filhos. Zangamos muitas vezes mas por causa do desejo sexual voltamos a encontrarmo-nos. Como posso renunciar ao prazer sexual se tenho essa vontade?

    • Parece-me que há um conflito dentro de si entre os sentimentos que nutre por esta pessoa, refere mesmo que se apaixonou por ele e que tem desejo por ele e a não correspondência desta pessoa à sua idealização de companheiro e pai dos seus filhos. É frequente apaixonarmo-nos por pessoas que não correspondem às nossas idealizações o que não é necessáriamente impeditivo de termos relações gratificantes e saudáveis com elas. Caber-lhe-á pesar os aspectos positivos e menos favoráveis desta relação para poder tomar uma decisão. Sem tomar essa decisão para si não poderá renunciar ao desejo pelo outro. Por outro lado, pode sempre decidir manter um envolvimento com alguém em determinadas condições embora corra o risco de com o decorrer do tempo sentir-se cada vez mais vinculada afectivamente aquela pessoa.

  28. cheguei a conclusao depois de ler td que sou uma co-dependente, casei ha tres anos e desde o começo ele era ciumento, o ciume foi aumentando e eu aceitando, mudando e as vezes deixando de falar com pessoas por causa dele. ele chegou a bater no meu filho na época com 7 anos e eu perdoei por “amá-lo” . De uns dois meses pra ca ele tem bebido bastante nos finais de semana, chega sempre bebado, esqueceu que eu so estou em casa no sabado e domingo, sai volta a noite e eu cuido da bebedeira, limpo a sujeira, e depois cuido da ressaca , esse final de semana ele saiu demorou a voltar e eu falei uma bobagem na hora da raiva e depois me desculpei, mas ele nao desculpou, no domingo me xingou muito na frente do meu filho, fiquei em desespero e resolvi me separar, mas ele vai ter que sair de casa somente daqui uns 15 dias, eu estou dormindo com meu filho, falo so o necessario com ele, para não ter uma recaida, as pessoas não entendem pq acontecem essas recaidas, só quem tem o problema sabe pq perdoo, as vezes eu acho que amo, as vezes acho que não, não quero mais ficar com ele, mas ai penso se ele vai ficar bem, se não vai ficar sem comer, sem se cuidar, eu faço td por ele, até comida no prato, por favor me ajude.

    • O seu receio de recair é real e é frequente nas relações de co-dependência precisamente porque se sente que não se consegue sobreviver sem a outra pessoa. A preocupação com a outra pessoa, neste caso o seu marido tem na verdade a ver consigo mesma, com a possibilidade de não conseguir afastar-se e tolerar a separação. No entanto já foi corajosa o suficiente para tomar a decisão de pôr fim a uma relação que se tornou destrutiva para si. Esta decisão é resultado do seu amor próprio, da necessidade de se proteger e cuidar de si. Mantenha-se firme e afaste-se recorrendo à ajuda de amigos e ou familiares bem como considerar a possibilidade de ter apoio psicoterapeutico para a ajudar a recuperar duma situação tão destrutiva bem como prevenir futuras relações em que normalmente se repetem os mesmos padrões de comportamento.

  29. Eu sofro tanto cokm isso,agora que li este artigo tenho a certeza de que sou um co-dependente,pelo simples fato de não ter o meu amor próprio em virtude de uma depressão do passado…

    • Cara Maria, como refiro no artigo a co-dependência tem tratamento que obviamente integrará a melhoria da sua auto-estima. É uma questão de procurar ajuda.

  30. Bela reportagem, entendi melhor tudo o que me aconteceu nesses ultimos anos, agora fragilizado com a saude meu parceiro resolveu procurar outras aventuras e quase morri porque não tenho cabeça pra relacionamento aberto, estou trabalhando a auto estima e procurei ajuda, muito esclarecedor seu trabalho e sua materia me ajudou muito aos poucos estou recuperando a vontade de viver e me amando mais e principalmente liberando o perdão, pois a magoa e o ressentimento é um veneno pra quem sente so isso! depois de ler sua materia procurei ajuda de profissionais e estou voltando a viver um grande abraço!!!

  31. Descobri recentemente que sou codependente. Vivo uma relação homoafetiva de 11 anos e no momento tenho buscado forças para me afastar da minha parceira. Compramos uma casa juntas, por mais de 8 anos ela dependeu de mim financeiramente e enfim quando consegui se estabelecer e a ganhar muito mais me chamou para morar em seu apartamento e eu vendi as minhas coisas e fui. Nesses seis meses em que moro aqui toda discursão ela me manda embora, eu a agrido verbalmente e ela responde com humilhações e agressão fisica. Bem, não suportando viver assim e tenho buscado coragem para tomar a decisão de ir embora,eu sei que é o certo e vou procurar ajuda.

    • Simone trata-se sem dúvida de uma situação de co-dependência de ambas as pessoas que despoletou uma situação de violência doméstica, o que como sabe é profundamente destrutivo. Aconselho-a a procurar ajuda o mais rápido possível.

  32. Eu e meu marido, durante 9 anos de casados, nunca nos separamos, mas agora não estou aguentando mais. Ele é dependente quimico, se tratou, ficou quase 5 anos sobrio, so q agora recaiu. Ele sempre se refere a mim como o esteio dele, a base na vida dele. MAs ta ficando insuportavel ficar ao seu lado. Começou as mentiras, chega em casa de madrugada.. Mas eu não consigo fazer nada! Não consigo agir! Tenho a consciencia q preciso me separar, mas não tenho forças…

    • Cara Ana, como já referi anteriormente nas situações de co-dependência a única solução é ser muito firme nas condições para permanecer na relação, caso contrário a pessoa com dependência química não terá motivação suficiente para se tratar. Se pactuar com a recaída do seu marido mesmo não sendo esse o seu desejo, a recaída será tão destrutiva para ele como para si. A confrontação com a possibilidade de separação ou mesmo a separação efectiva são normalmente as únicas hipóteses da pessoa e da relação poderem vir a ser recuperadas. Aconselho-lhe ajuda psicoterapêutica para esta situação que provoca grande sofrimento e dificuldade para gerir o conflito entre os afectos e a razão.

  33. Penso que vivi um relacionamento, entre namoro e casamento, de co dependencia mutua. Durante anos de namoro, de idas e vindas devidas aos seus ciumes, e onde ele ameaçava q se matava se o deixasse, chorava e n parava de me procurar enquanto eu não cedesse e voltasse, acabei por me tornar co dependente da pessoa com quem viria a casar anos mais tarde. Formei-me, sou independente e boa profissional, mas acabei por me casar com ele por achar q era o homem da minha vida e me amava acima de tudo assim como eu a ele. Não sei como aconteceu, mas de repente deixei de sair, ter amigos/as, jantares etc para viver para ele e para a vida q ambos tinhamos construido. Estava feliz e o seria para sempre não fossem as constantes depressões q ele sofria e q aos poucos se foram tornando insuportaveis para mim, pois percebia q n o conseguia ajudar e começava a sentir-me tão mal como ele. Estas depressões eram justificadas por ele como sendo devidas ao trabalho q tinha e do qual n gostava. Cheguei ao ponto de lhe dizer q o largasse q eu ganharia para os dois. Eu só o queria ver bem e feliz, pois só assim eu seria tb. O tempo foi passando ele cada vez mais se afastava, dizia q n compreendia a sua doença e ameaçava q só n acabava com a vida por causa da mãe. Deixou de haver dialogo, sexo, carinho. Para piorar a minha reacção para com ele era de agressividade, n compreendia como ele n via o q eu lhe tinha dado durante toda a vida. As palavras q ouvia da boca dele com gde frequencia eram « tenho tudo e n sou feliz». Deixei de ter forças para entender como podia ser isso, se me tinha a mim ao seu lado e eu vivia para ele. Todo o dinheiro q ganhava era para viagens os dois, melhorar a casa, podermos ter o q mta gente com a nossa idade n tinha. Após alguns anos neste sofrimento decidi q devia sair de casa, para bem dele e meu, pelo menos dar um tempo. Ele concordou. Facto é q qdo saí, nunca mais me procurou, n quiz sequer conversar. Não se matou, continuou no seu emprego, rápidamente colocou outra pessoa no meu lugar e avançou para o divórcio. Eu fiquei de rastos, eu n tinha saido porque não o amava, mas porq achava q ele precisaria de espaço para pensar, saber se realmente queria aquele casamento e se era eu a mulher da sua vida. Pelos vistos não…
    Facto é que actualmente estou divorciada e vivendo com alguem q me dá valor, me ama, me deseja. Só não sei se eu o amo, porque continuo a pensar dia noite no meu ex marido. Culpo-me por ter saido, n o ter ajudado na sua doença, sofrido com ele…penso aliás q jamais o esquecerei e será para sempre o amor da minha vida. Ele pelo contrario soma relacionamentos q não resultam, faz terapia e está muito melhor do q eu (pelo menos assim parece). Eu evito vê-lo pois sempre q isso acontece volto á estaca zero e parece q nos separamos ontem e já lá vão 5 anos.
    Gostaria de superar e ultrapassar esta obsessão por ele, mas parece que ela faz parte da minha carne e nunca sairá. Eu juro q tento ser e fazer feliz a pessoa q está comigo, mas sofro muito porq n consigo esquece-lo…

    gostaria da sua opinião

    • Cara Marta, a sua história exemplifica como um relação co-dependente pode ser destrutiva para a auto-estima ao ponto de chegar a desejar para si uma relação em que foi maltratada, uma relação para a qual deu tudo e recebeu muito pouco. Por outras palavras a Marta não está a valorizar-se na medida em que não valoriza uma pessoa/relação em que é amada e bem tratada, ao contrário da relação com o seu ex-marido em que gradualmente acabou por se anular para tentar atender às necessidades/problemas crescentes dele, sem que houvesse uma resposta reciproca da parte do seu ex-marido. Este é um dos padrões típicos da co-dependência, uma das pessoas torna-se cada vez mais problemática à medida que a outra se torna obsessiva na tentativa de controlar o comportamento do outro. O resultado é o vazio emocional e a sensação que nada faz sentido sem o objecto através do qual organizamos toda a nossa vida afectiva e logística. A separação abrupta sem explicações plausíveis torna o luto da relação mais difícil porque é fundamental processarmos as razões da perda para a podermos aceitar. A decisão acertada de deixar o seu ex-marido acabou por tornar-se num forte sentimento de culpa tal era a responsabilidade que tomou para si do comportamento deste e da própria relação. Aconselho-a a procurar ajuda clínica para processar todos estes acontecimentos que foram tão destrutivos e dolorosos para si e que precisam de tempo e apoio para poder recuperar-se.

  34. Ola Rui, o artigo descrebe-me mt bem. Eu sofri abuso por anos em adolescente e me refugiei demais na fantasia com um parceiro imaginario. Melhorei meu amor proprio por varios anos/2 decadas em terapia e na vida, mas ja tive 3 crises nos ultimos 5 anos por separacoes com duas pessoas diferentes. Tenho 38 anos, tenho educacao, mas fico dependente e escondendo mt bem. Nao sou ciumento, controlador (nem eles se queixam disso e me acham saudavel nesse ponto), mas o inicio de problemas serios tira toda a forca de mim e entro em panico, escondendo tudo.
    As crises parecem ter algo fisico, sao violentas, acaba meu mundo. Desta vez fiquei de cama. Ja faz 5 meses assim, nem consigo sair de casa. Nunca pensei ficar tao mal. Eu ate tinha uma vida boa com amigos antes de o conhecer, estava forte e amor proprio parecia bom, mas deixei tudo por ele. Agora, so penso nele, obsessao total, sofro pois ele tem outro agora, e isso me deixa desesperado que penso em morrer seriamente. Digo-me que perdi o homem da minha vida, mesmo com os defeitos todos dele e abuso. Anos de terapia nao fez muito ou nada, pois a carencia e dependencia continuam comigo. Nunca pensei ficar de cama por 5 meses doente por falta dele. Parece que nao tenho amor proprio nem para me levantar da cama.
    Sim, eu pensar que nao conseguia viver sem ele fez-me ir atras dele quando nao devia, ele abusar mais pois via-se com poder, e eu pior ainda depois. Nao sei o que me deixa na cama, se a rejeicao, a humilhacao, abandono. Fico sempre magoado demais quando namorado me decepciona (com amigos parece que e normal; e so com namorado); a mesma magoa do abuso em adolescente, acho. Mas nao sei o que fazer mais para melhorar isto. Nao consigo funcionar e passo mais tempo a sofrer do que nao. Ja pensei varias vezes seriamente em suicidio so nao tive coragem ainda. Desta vez foi pior. Nem consigo ve-lo que parece que ele tem poder total sobre mim. Eu fiquei ‘traumatizado” varias vezes a tentar salvar o relacionamento das 2 vezes.

    E suposto eu voltar para a cidade onde ele mora; segundo a sua experiencia com outros, acha que ele vai me afectar sempre ou vai passando? Tambem dizem que arranjar outro substitui a carencia do ex, mas eu nao consigo me apaixonar enquanto estou mal. Em termos afectivos, e de sexo, so penso nele e ja faz 1.5 anos desde a primeira separacao em que tive crise. Nao consigo estar com outro homem e so fico mal com esta maneira de ser. Nao sei como ve-lo como outro homem qualquer. A obsessao e a dor virou dependencia mais forte. Vou ao computador ver o que ele faz, a saber que so me magoa demais, mas faco a mesma, e fico desesperado. E como droga. Perdi a esperanca; nao sei mais como ficar e permanecer mais estavel. Ja pensei que nao posso ter namorado, pois fico sempre tao mal, mesmo com terapia por anos, mas nao sei ver a minha vida sem ter ou estar a espera de alguem especial, mesmo que nao pense mt nisso abertamente e tenha outros interesses. Talvez ai esteja o meu problema, mas nao sei como mudar isso.
    Desculpe, Rui, se escrevi detalhes demais. Eu vou ver outro psiquiatra em 2 dias mas nao tenho muita fe pois medicos antes nao fizeram muito. Tenho mt medo que vou ser assim a sofrer a vida toda por causa duma carencia cronica devido a abuso. Isso tira-me a esperanca e desespero comeca. Obrigado por ler.

    • Olá Alberto, a sua história é muito tocante e demonstrativa do impacto tão negativo dos abusos ocorridos no seu caso na adolescência. Contudo sinto que existe em si uma força grande para resistir e sobreviver às situações que recapitulam o cenário de abandono que no seu caso se transforma numa angústia muito difícil de tolerar. A separação do parceiro que consiste na perda do objecto de afecto parece recapitular uma situação de enorme vazio como se não houvesse possibilidade de sobreviver. Obviamente que este cenário estará relacionado com os traumas resultantes do abuso como possivelmente por outros factores que desconheço e que poderão ter concorrido para se sentir tão fragilizado nestas situações. Convinha de facto voltar a procurar apoio psicoterapêutico, fundamental para reforçar a sua auto-estima, processar os sentimentos de perda, diferenciar os cenários do passado e as situações actuais e desenvolver estratégias que lhe permitam estabelecer relações intimas de forma mais segura. Se puder evitar voltar para a cidade onde o seu ex-namorado vive será uma boa ajuda para evitar vê-lo como relembrar os locais e as memórias associadas à relação. Neste momento convêm centrar-se na sua recuperação, procurar a companhia de amigos e das pessoas mais próximas e envolver-se em actividades que lhe proporcionem bem-estar e algum tipo de prazer como o exercício físico ou outras actividades lúdicas. Parece-me fundamental que o Alberto recorra à medicação para poder recuperar o estado de ânimo necessário para poder cuidar de si próprio e tratar-se. Apesar do sofrimento que está a sentir, é possível o tratamento de situações de grande co-dependência como a sua. Estes processos terapêuticos são normalmente longos e exigem muita persistência da parte dos pacientes e dos terapeutas 🙂 mas eu acho que valem a pena, não perca a esperança! Um grande abraço

  35. Obrigado, Rui, pelos conselhos. Eu fui ao medico mas sem ele saber ele me deu um antidepressivo que ja tomei antes e nao resultou muito. Ele disse para eu fazer psicodrama pois isso ajuda no trauma do passado. Poderia me dizer se essa terapia e boa? Nunca ouvi falar. Ele diz que terapia cognitiva- comportamental, EMDR, etc, nao faz nada ao trauma, e e isso que me da toda a carencia. Eu ja fui disgnosticado com pos traumatico.
    O Rui entende bem o que se passa comigo e outros nesta pagina. Sim, a sensacao e que nao consigo sobreviver, e amor proprio desaparece. Mas e bem pior do que eu vejo em outras pessoas quando tem separacao. Ha outra maneira de lidar com traumas antigos? Se nao houver, esta carencia vai me matar e vou ficar dependente de parceiro e a morrer no fim. O medico nao entendeu bem a seriedade disto e me disse para voltar em 2 semanas. Eu tinha recuperado meu amor proprio da ultima crise ano passado e estava forte. Mas cai noutra crise ainda pior por causa da mesma pessoa. A sensacao e de morte, e fica comigo sempre. 5 meses e a minha mente so pensa nele e esta em crise severa.

    Desculpe por outro desabafo. Eu vivo no Porto em Portugal. Sera que ha algum medico especialista em dependencia afectiva? E ha algo como “love addiction”? Obrigado mais uma vez pelas suas observacoes. Eu so queria nao ficar tao mal em separacoes. Tenho medo que vou ser sempre assim. Enem consigo sair desta crise agora. Algo aconteceu ainda pior. Eu senti-me mesmo traumatizado de novo.

    • Olá Alberto, eu realmente discordo do seu médico, mas como sabe há muitas discordâncias entre os profissionais nesta área. Eu trabalho com um modelo de base psicodinâmica e tenho conseguido alguns resultantes interessantes na combinação do modelo psicodinâmico com modelos mais recentes focados na solução e em soluções cognitivas para a resolução de traumas. O recurso ao emdr está comprovado ser uma ferramenta útil embora eu só a utilize no contexto dum processo terapêutico mais alargado. O psicodrama é também um excelente modelo terapêutico e certas escolas de psicodrama seguem uma orientação psicodinâmica. Por vezes o paciente tem de tentar diferentes abordagens e terapeutas até encontrar o indicado para si, o que também pode variar ao longo do tempo. Não conheço muitos colegas no Porto mas costumo recomendar o Júlio Machado Vaz e a Gabriela Moita por me parecerem excelentes profissionais com uma linha de trabalho com a qual me identifico.

  36. Adorei ,amei seu artigo.
    A dez anos tenho um relacionamento com um dependente quimico. Já foram mais de sete internações. Onde ele sempre diz que vai melhorar. E sempre acabo achando que tenho que dar uma nova chance. Nesse tempo ele já namorou outras pessoas , me traiu e eu sempre o esperando e aceitando. Minha vida estacionou. Temos uma filha de nove anos e sempre quis ter uma família. Essa sempre foi a “desculpa”.Quando na verdade não conseguia achar que ele viveria bem sem mim. E mesmo me fazendo mal aceitava e aceitava e aceitava. Agora ele esta internado novamente.Mas antes de ir para o tratamento já havia me deixando a três meses. Tentei por várias vezes perguntar se estavamos juntos e a última resposta foi “Não estamos juntos a muito tempo , só vc não percebeu”. Então resolvi seguir minha vida. Fui visita-lo e ele veio DE NOVO dizendo que me ama e isso e aquilo. E dessa vez~NÃO QUERO MAIS. Estou tentando refazer minha auto-estima , meu amor -próprio, pensar no futuo e sei que com ele não terei nada disso. Pq sempre qdo sei sou a primeira pessoa q ele esquece. E quando esta lá sou a primeira que ele lembra. A vida dele aqui fora é muito fácil, com facilidade para reconstruir tudo. A mãe embora frequente o N.A , normalmente não segue o que aprende e é a grande facilitadora da história. Pois o aceita quando chega das ruas depois de três , quatro dias na rua , deixando-o o dormir até quando quer , lavando as roupas essas coisas. Já esta até pensando do carro que dará para ele o cargo na empresa. Então não acho que EU posso mudar nada e que outra pessoa entrará na vida dele quem sabe para ajuda-lo , mas minhas forças já se esgotaram. Sei que ninguém muda por causa de ninguém, mas também sei que ficaria CHATEADA caso isso acontecesse , mas que seja feito o melhor para ele. Afinal eu o escolhi para pai da minha filha e ele fez o que fez comigo pq EU permiti. Mas não quero isso mais para mim , me sentir culpada, um lixo de mulher , feia. Minha pergunta é O QUE DEVO FAZER PARA ELE ENTENDER QUE NÃO O QUERO MAIS , APESAR QUERO SER SUA AMIGA POR CAUSA DE NOSSA FILHA E FALO ISSO PARA ELE DENTRO DA CLINICA ???? Me ajude por favor

    • Cara Paula, você já fez o diagnóstico correcto da situação: essa relação é extremamente destrutiva para si e deverá recomeçar a sua vida sem este homem que é muito dependente de si e que a manipula consoante as necessidades dele. O problema é que a Paula também se tornou naturalmente dependente do seu companheiro e tem dificuldade em imaginar-se a si própria sem ele. Terá de ser muito firme com ele e consigo própria, dentro e fora da clínica, pois facilmente fica vulnerável se ele disser que a ama e que a quer de volta. Como já compreendeu este amor não tem nada de positivo para si e terá vantagem em evitar o melhor que conseguir o contacto com esta pessoa. O desejo de manter a amizade é uma maneira de colocar-se numa posição que é demasiado perigosa para si. Precisa de se afastar, procurar ajuda terapêutica ou dos grupos de auto-ajuda ou 12 passos, o apoio dos amigos e das pessoas que gostam verdadeiramente de si. Quanto à sua filha, estipule um acordo viável para esta ver o pai, em dias e horários certos, certificando-se que este está em condições de estar com filha, evitando sempre o contacto e possíveis manipulações, sob pena de inviabilizar o contacto com o pai. Terá de usar tudo o que estiver ao seu alcance para se preservar e recuperar a sua vida

  37. Olá Rui.
    Confesso que antes de encontrar este seu artigo, me deparei com inúmeros blogues e sites sobre o assunto, mas só as suas palavras me incentivaram verdadeiramente a tentar perceber a minha relação, relacionando-a de imediato com a co-dependência.
    Eu tenho 21 anos e o meu namorado 18 acabados de fazer. Estamos juntos há um ano e meio, tempo este em que tenho sido feliz, mas simultaneamente também venho sofrendo, por vezes de forma absurda.
    Tanto eu como o meu namorado somos provenientes de famílias problemáticas. Eu fui criada apenas pela minha mãe, já que o meu pai me abandonou ainda criança e o meu namorado tem uma família numerosa e um pai alcoólico. Chegou inclusive a assistir a algumas cenas de violência entre o pai e a mãe. Do passado trazemos também um histórico de relações falhadas.
    Tendo-nos ambos como sofredores, assim que nos conhecemos foi como se duas almas erróneas se tivessem finalmente cruzado. Ele pareceu-me ser a solução para todos os meus problemas, e sei que para ele represento o mesmo.
    No entanto, á medida que a relação desenvolveu, a minha auto-estima parecia aumentar e aumentar. Já ele, mostrava-se ciumento, mais e mais a cada dia, sentindo-se notoriamente perturbado com tudo aquilo a que eu desse atenção, excepto ele. Tudo era motivo de ciúme: a atenção que eu dava a amigos e família, as conversas com a minha única amiga, a minha incomensurável dedicação ao meu trabalho. Depois vinham as discussões, que terminavam sempre comigo a sentir-me culpada. A sentir que não o amava tanto como ele a mim. Pois ainda hoje sou incapaz de fazer por ele todos os “sacrifícios” (ele chama-lhes assim) que ele faz ou fez por mim.
    Passamos por muitas crises. A mais dolorosa foi durante uma semana que passei no Algarve com a minha família. Sem que eu perceba porquê, ele entrou em desespero justificando-se com a distância. Ameaçou matar-se.
    Eu terminei o namoro, que reatei um mês depois porque sem ele me sentia desesperadamente só. Depois disto vieram outras crises e outras discussões, mas hoje em dia conseguimos já conversar sobre o assunto e eu orgulho-me de o ter feito assumir a pessoa insegura que é. Jurou-me muitas vezes que faria um esforço para mudar e a verdade é que o tem vindo a fazer. As discussões diminuíram. A roupa que eu visto deixou de ser um problema, como outros. No entanto, tenho um medo terrível que isto seja apenas passageiro e que volte um dia, pior. Sei que provavelmente ele sofre de co-dependência, assim como eu, mas talvez em graus diferentes (se for correcto dizer isto).
    O meu pensamento mais terrível é achar que graças a ele melhorei a minha auto-estima ao mesmo tempo que o fiz perder a dele. Há dias confessou-me que não gostava dele, eu desesperei. Conheço bem a sensação e foi ele que me fez mudá-la.
    Não consigo deixá-lo. Não vou nem quero fazê-lo. Amo-o demais. Quero-o comigo o resto da vida. Só preciso perceber o que posso fazer, como posso ajudá-lo, para que não seja um homem que ama demais.

    • Olá Rita se ler o artigo “construir a intimidade” encontrará algumas respostas às suas perguntas e excelentes observações. De facto o seu namorado é muito co-dependente em relação a si a tal ponto que acaba por ser muito agressivo na relação consigo com receio de a perder. O seu namorado está a validar-se através de si o que o deixa numa posição muito reactiva a tudo o que faça. A Rita não deverá sentir-se culpada já que não pode ser responsável pelo seu namorado. Ele terá de compreender que está a exercer uma pressão sobre si que acabará por afasta-la já que você é menos co-dependente do que ele e sente-se neste momento mais segura. Eu penso que o facto de estarem a reflectir sobre estas questões já vos levou a conseguirem algumas melhorias na relação e não seria má ideia o seu namorado fazer psicoterapia. Vocês ainda são muito jovens e é uma boa altura para procurarem ajuda e evitar males maiores no futuro.

  38. Olá, hoje eu me acordei mais triste ainda, tenho 54 anos, muitas responsabilidades e muitos problemas também, Tudo para mim é muito dificil e muito complicado, nunca conseguir alguém q ficasse realmente do meu lado nunca fui feliz de verdade, sempre procuro ajudar as pessoas e nunca fui reconhecida por ninguém, nem mesmo pelo meus filhos.
    Meus relacionamentos sempre foram marcados por muitas desilusões, indiferenças e abadonos.Tive um realcionamento de quase 20 anos e só agora descobrir e entendi que nunca representei nada para essa pessoa, hoje vivo muito amargurada e ainda muito presa a ele mesmo sabendo que ele não mereçe.
    Sou muito insegura em tudo o que eu faço.
    Resumo dizendo e perguntando pq que tudo na minha vida é tão dificil? Pq minha vida é feita de migalhas?
    Estou muito cansada de tudo.
    Caso possa e queira me ajudar enviando resposta para o meu e-mail e eu vou ficar muito grata.
    Quero parabenizá-lo pelo site.
    Um abraço.

    Margor.

    • Cara Margor, a descrição que faz da sua vida e de si própria revela que existem aspectos importantes da sua história que precisariam de ser reconsiderados e revistos com vista a melhorar a sua auto-estima, auto-conceito e consequentemente a sua vida relacional. Os elementos que me dá são muito genéricos para que lhe possa dar algum feed back mais consistente, mas parece-me que a melhor solução seria iniciar um processo psicoterapêutico pois necessitará duma análise cuidada e com tempo para poder alterar as questões referidas.

  39. Muito obrigada pela sua resposta. É optimo sentir que todo este leque de sentimentos estranhos possui explicação.

    Seguirei prontamente os seus conselhos.

  40. Olá, Tempos atrás quendo li uma matéria e descobri oque era co-dependente entrei em estado de choque.
    Tenho um namorado que é dependente quimico, quando nos conhecemos ahei que ele era como os outros meninos, bebem de vez enquando ou fumam um backezinho. Mau eu sabia que eu não sabia de nada, fomos a um show e ele me pediu uma guarrafa de vodca, para bebermos juntos, como não tenho esse costume não consegui beber, então ele bebeu ela toda eu achei que ele tinha exagerado mas pensei: “de vez enquando e normal beber demais” aos poucos percebi que ele gostava de ver o fim da bebida, e todas as vezes ele nunca conseguia se controlar, e ainda tentava me converser que era só uma “cervejinha” ai eram 1,2,3… se não bastasse tinha a droga:” um backinho não pega nada” era oque ele me dizia, cheguei até pensar que era minha culpa que talvez estivesse pegando demais no pé dele, tentando entender por que ele fazia isso até cheguei a usar com ele mas isso não era para mim eu me revoltava e lembrava dos meus pais meus principios, e tramavamos uma guerra, ele parou com a droga que eu n admitia, mas continuava bebendo, nos separamos de casa quando ele voltou a usar drogas mas foi piorando ele começou a usar crack, e mentir mentir o tempo todo, eu fui me sentindo cada vez pior por não ser capaz de fazer nada, só desejava a morte pois não aguentava vê-lo desse jeito, tivemos muitas brigas horrivéis, comecei a vasculhar tudo, cada canto da casa e quando encontrava a droga eu me sentia a pior, por não ter capacidade de reconhcer a mentira, e a coragem para deixa-lo. Perdi a vontade de viver, fazer oque gosto parece que ele me consome, já tive vontade de mata-lo de raiva pois ele tem a capacidade de me enlouquecer, e não me deixa ir embora, ele me me prende num elo psicológico, onde eu mesma não o deixo, ele diz que me ama que vai me ajudar mas é uma pura ilusão que pior eu acredito, hoje eu talvez nem o ame, mais ainda estou tentando ajuda-lo, não consigo entender como alguém pode inflirgir todos os tipos de ética,moral. Ele acabou comigo hoje eu nem acredito em Deus direito, me sinto muito mau e sei que sou uma co-dependente, Queria muito poder esquecer isso que me aconteceu e ser feliz mas as vezes acho que não consigo que preciso de alguem comigo. Hoje com a ajuda da mãe dele, ele esta numa clinica de reabilitação. não sei como vai ser quando ele sair, eu não suportaria uma recaida dele. olha por favor me de um conselho pois já não sei oque fazer pensar.
    Obrigado!

  41. Creio que exista um ponto extremamente importante que me faz pensar.
    Co-Dependência tem ligação com amor…
    Imagine que o seu filho tenha entrado num estado extremamente ruim. Um estado onde ele realmente precise de ajuda, um estado de dependência química que faria você ficar realmente mal…
    Partindo do ponto que você ama seu filho, não é um tanto quanto provável que, você abandonaria o que chamas de “vida” para ajuda-lo?

    Me pergunto se o próprio Cristo sofre de Co-Dependência…
    Analisando as coisas de um ponto de vista cristão, Deus, se tornou vulnerável, assumiu uma condição totalmente desnecessária para ele… Simplesmente resolveu entregar sua vida ao homem…

    Creio que, quando amamos… Realmente amamos… Coisas como carreira ou dinheiro deveriam fazer importância? Do que vale a “nossa vida” sem outras pessoas?
    E qual é o grande problema em se devotar a alguém, desde que haja devoção recíproca…
    Até ontem chamava isso de amor. Mas me apresentaram um novo termo.

    Concordo que as coisas começam a ficar sim patológicas quando o “Co-Dependente” começa a se torturar e ficar indignado por alguém não retribuir o que ele faz…
    Isso sai do preceito de amor… Fazemos simplesmente pq nos faz bem fazer…
    Agora, o sentimento de injustiça, creio que seja inevitável.
    É muito normal do ser humano presentear e esperar um presente de volta…

    Acho que pior do que ser extremamente dependente de outra pessoa é resolver assumir que podemos ser felizes sem ninguém…
    Precisamos de outras pessoas.
    A felicidade não pode ser completa se não for compartilhada… O mundo pode ser somente seu, mas, não haverá nenhuma graça se não houver alguém para compartilhar isso.

    Engraçado, que, juntamente com o nascimento da origem desse termo, os divórcios começaram a aumentar.
    http://alea-estp.ine.pt/html/actual/html/act33.html

    As pessoas passam a acreditar que o amor é uma simples emoção, que sentimos no nosso mundo egocêntrico, que0 é bom sentir…
    Mas amor é algo ilimitado, que exige ações… Não que exija exatamente, mas no momento em que você ama, você age… Pois, a troca mútua de sentimentos te faz bem… Faz bem você ser notado por uma pessoa que você gosta, mas é melhor ainda nota-la.

    No mundo atual, a merdinha que chamamos de vida consiste em se matar de trabalhar para porcos imundos que sugam todo seu dinheiro, dedicando o que sobrar de tempo para sua familia… Nos matamos inconscientemente para pessoas que não merecem, enquanto desmerecemos as pessoas que realmente nos amam… Que realmente nos querem bem.
    Passamos então a não desejar bem a ninguém…

    E o que mais ferra, é que “Co-dependência” pode se confundir muito com amor. Mas, a diferença é que amor é mútuo…
    Por isso creio que Deus sofra de Co-Dependencia… Se ele realmente existir, e nos amar, e eu creio que sim, deve ser no mínimo um cara muito triste por não receber o amor que gostaria de sentir.
    Pois Ele deu sua própria vida…

    Acredito que tenho sintomas de “co-dependencia” sim… Mas, somente pq, o q sinto as vezes não é mútuo… não posso exigir nada… E… Como é difícil terminar um relacionamento depois que investimos muito tempo nele… Mas tudo é um aprendizado.
    O que me deixa triste nesse artigo, é que em alguns pontos, ele parece ser o extremo contrário da Co-dependência… O Egocentrismo…

    Nesse existe em predominância a lei da auto-suficiência… Quando amamos, sacrificamos…

    “Quanto mais uma pessoa tem em si, tanto menos os outros podem ser alguma coisa para ela. Um certo sentimento de auto-suficiência é o que impede os indivíduos de riqueza e valor intrínseco de fazerem os sacrifícios importantes, exigidos pela vida em comum com os outros, para não falar em procurá-la às custas de uma considerável auto-abnegação. O oposto disso é o que torna os indivíduos comuns tão sociáveis e acomodáveis: para eles, é mais fácil suprotar os outros do que eles mesmo. Acrescente-se a isso que aquilo que possui um valor real não é apreciado no mundo, e aquilo que é apreciado não tem valor. A prova e consequência disso estão no retraimento de todo o homem digno e distinto. Assim sendo, será genuína sabedoria de vida de quem possui algo de justo em si mesmo, se, em caso de necessidade, souber limitar as suas próprias carências, a fim de preservar ou ampliar a sua liberdade, isto é, se souber contentar-se com o menos possível para a sua pessoa nas relações inevitáveis com o universo humano.

    Por outro lado, o que faz dos homens seres sociáveis é a sua incapacidade de suportar a solidão e, nesta, a si mesmos. Vazio interior e fastio: eis o que os impele tanto para a sociedade quanto para os lugares exóticos e as viagens. O seu espírito carece de força impulsora própria para conferir movimento a si mesmo, o que faz com que procurem intensificá-la mediante o vinho. E muitos, ao tomar esse caminho, tornam-se alcoólatras. Justamente por isso, os homens precisam sempre de estímulo exterior, e do mais forte, ou seja, dos seus iguais. Sem ele, o seu espírito decai sob o próprio peso, prostrando-se numa letargia esmagadora.”
    Arthur Schopenhauer

    Isso é totalmente paradoxal… O equilíbrio é o ideal… A grande pergunta está como chegar nele…
    Precisamos nos zelar por nós mesmos e não dependermos dos outros… Mas, o ser humano, por apenas ser HUMANO, precisa de outro ser.

    • Caro Melquizedeque, achei muito interessante o seu comentário embora muitas das questões que coloca têm mais a ver com semântica e a forma como são definidos os conceitos em psicologia. Evidentemente que o discurso da psicologia é de raiz essencialmente judaica e anglo-saxónica e coloca o ênfase na auto-suficiência do indivíduo. Diferente da conceptualização de Jung de raiz cristã que privilegia o colectivo. De qualquer maneira nem o discurso da psicologia nem eu próprio enquanto terapeuta defendo o individualismo e muito menos uma visão ego-centrica do indivíduo. O que se trata neste texto bem como noutros que escrevi no site é a defesa do conceito de que a autonomia emocional do indivíduo facilita as relações com os outros e permite maior intimidade, na medida em que não fico dependente do outro para me validar e como tal ficarei menos reactivo na relação e mais capaz de me entregar sem receio da resposta do outro. Este conceito não exclui a reciprocidade, a empatia, o mutualismo e muito menos a necessidade de afecto e proximidade que todos temos. Pelo contrário, a diferenciação do indivíduo facilita a relação amorosa. A co-dependência tem a ver com uma relação muito desequilibrada e como tal potencialmente destrutiva pelas razões expostas no texto e nos comentários. A co-dependência é um conceito muito diferente do altruísmo, compaixão, generosidade em que a pessoa não fica dependente da resposta do outro. Nesta perspectiva poder-se-á dizer que Cristo entregou a sua vida independentemente da crença dos homens no significado do seu acto. No amor parental obviamente as crianças estão dependentes dos pais e por isso sujeitas às decisões destes e ao tipo de amor que lhes dedicam e como sabemos essa dependência necessária nem sempre colhe bons frutos.

  42. Parabéns pelo artigo Rui. Já fazia muito tempo que estou pesquisando para tentar entender o que se passa comigo. Estou num relacionamento de 7 anos, da qual sinto que não há mais nada para se dar um ao outro, são só cobranças e sofrimento. Já tentei separar muitas vezes, sofro muito, mas ele sempre vem atrás de mim e eu não resisto e volto para ele. Sei que esse relacionamento está me fazendo muito mal mas não consigo saír. Eu mudei muito, era uma pessoa extrovertida, alegre, vaidosa, energética e determinada e hoje tenho medo de mostrar as minhas fraquezas, estou me sentindo triste…deprimida. Eu conheci o meu parceiro, quando estavamos longe de PT, nos apaixonamos e fomos viver juntos, mas ele apesar de mais velho, sempre foi uma pessoa super mimada e incapaz de fazer ou decidir alguma coisa sozinho, e nesse período eu o ajudei muito, e assim começaram as chantagens, ele conseguiu me afastar as minhas amigas, família, reclamava das minhas roupas e começei a anular-me, fazendo tudo o que ele queria para que o nosso relacionamento ficasse bem. Hoje vivo muito triste, desvalorizada e sem animo. Descobri as inúmeras traições e o seu descaso em relação a mim. Ele sempre foi dependente de mim , mas é uma pessoa extremamente egoísta e mimada. Me faz muita chantagem emocional, encenando se suicidar caso eu o abandonar…não sei o que faço. Obrigada.

    • Cara Myah, a sua relação como pode comprovar pela descrição feita no texto é um caso muito grave de co-dependência. Como já tenho referido aqui inúmeras vezes a única solução para estes casos é mesmo a separação mas para isso vai precisar de ajuda terapêutica para reforçar a sua auto-estima e recuperar os recursos necessários para poder enfrentar um processo de separação que é sempre doloroso, para além da chantagem emocional do seu companheiro. A leitora é a pessoa co-dependente, o que significa que para si será muito difícil imaginar-se sem o seu companheiro, mas acredite que é possível desde que decida cuidar de si e iniciar um processo psicoterapêutico com esse objectivo.

  43. Olá! Depois de muito ler sobre co-dependência ainda tenho algumas dúvidas… Vivo há 5 anos com minha companheira e até há um ano eu apresentava todas as características de co-dependência: perguntava dezenas de vezes ao dia se ela gostava de mim, tinha ciúmes infundados, não suportava que ela tivesse amigos, chegava ao ponto de quase ter um ataque quando brigávamos pois não suportava ficar mal com ela e eisso atrapalhava meu trabalho, minha alimentação, etc. Fui fazer terapia e me esforcei muito para mudar. Vejo que ainda aparesento alguns traçcos e que sempre vou ter de me vigiar para não voltar aos padrões antigos. O meu problema, no entanto, é que minha companheira está resistindo demais à minha mudança e agora parece que é ela que está a me controlar. Antes ela me pedia espaçco, dizia que não tinhamos de estar sempre grudadas uma na outra e que eu ligava o dia inteiro… agora que quero ter amigos, sair de casa, frequentar a academia e fazer minhas coisas em paz, ela passa mensagens e liga todo o tempo, me chama de egoísta se quero passar um tempo mais longe em visita a casa de meus pais, me chama de egoísta e contraditória quando quero sair para passear no final de semana enquanto ela está cansada e quer ficar em casa. Ela diz que eu falava tanto que queria ela por perto e agora estou querendo fazer as coisas só do meu jeito… e não é verdade: tenho sido muito euqilibrada. É só que descobri que ter outras atividades e ter um tempo só para mim não ameaçca a nossa relação. (Como foi bom ter descoberto tudo isso e como está sendo sofrido ter alguém querendo que eu desaprenda tudo..). Atualmente estamos passando por uma situação bem chata e ela manipula até a frequencia de nossas relações ítnimas em função de como eu ajo… enfim, aos poucos me sinto presa e confusa pois fiz justamente o que ela sempre pediu que eu fizesse: me tratei e mudei. Será que ela queria só ficar reclamando e ter um motivo para se queixar de mim e na verdade não desejava que eu mudasse? Ela é co-dependente também? Estou deixando de sair e viver minha vida por causa de tudo isso… pois se já tinha essa dificuldade pessoal contra a qual luto diariamente (sempre me sentia culpada por fazer minhas coisas), agora com ela me manipulando para que eu me sinta culpada tudo está mais difícil. sinto que estou a lutar contra minhas dificuldades e contra a pressão que ela faz… Me dê uma orientação… não sei o que fazer…

    • Cara Marina, pelos vistos a sua companheira não gostou de perder poder na relação com os seus progressos e maior autonomia. Quando uma pessoa “cresce” em termos psicológicos ficando mais autónoma e diferenciada há normalmente uma reacção do parceiro(a) devido à alteração da dinâmica da relação. A sua companheira estava habituada a controlar a relação, especialmente quando a criticava e desvalorizava, ela seria a pessoa “boa” e você a “má”. A partir do momento que a Marina ganha poder e autonomia a sua companheira está a usar todos os meios que dispôe e a manipulá-la no sentido de continuar a controlar a relação e a manter o status quo que lhe dá aparentemente uma sensação de poder. A sua companheira é co-dependente na medida em que precisa de si para sentir poder interno e não aceita a sua evolução enquanto indivíduo(a). Caberá à Marina decidir em que termos deseja manter a relação com a sua companheira e negociar com ela nesse sentido. Uma relação equilibrada em termos de poder é uma relação mais saudável porque permite maior intimidade, na medida em que não estou dependente do que o outro(a) espera ou exige de mim.

  44. Muito obrigada Rui…hoje estou melhor pq tenho realmente consciência que não posso mais ficar assim. Já faz 2 semanas que estamos separados, e resolvi, depois de ler a sua mensagem, marcar uma consulta com especialista para semana que vêm. Estou esperançosa que vou conseguir saír dessa e ser feliz comigo mesma e me sentir melhor, assim estarei preparada para viver um relacionamento saudável. Agradeço e força para todos que aqui se expuzeram…é possível mudar e ser feliz.

  45. Após ler este blog, percebi tudo que tem se passado em minha vida, após um casamento de 10 anos, levei um chute…pior que ele tem razão, porque eu nao tinha, nao tenho vida, porque mesmo depois de separada, continuo a ler os e-mails dele já que ele não trocou as senhas, inclusive ele sempre me deu toda a liberdade, suas senhas, acessos até de banco, justamente para me provar que não tinha com que me preocupar, mas eu sempre ía há além, investigava, ligava para saber onde estava, que horas ía chegar, fazia fiasco quando chegava, até que na última briga acabei me avançado nele, porque ele disse: Chega, eu não te quero mais, aquilo da mesma forma que me doeu, me deu raiva, por toda a dedicação que tive a ele, temos duas filhas e elas choram demais, ele está sendo muito legal, paga todas as contas mesmo eu trabalhando, pega as gurias todos os dias e trás para minha casa porque estou sem carro, mas é indiferente comigo, me trata como uma pessoa normal…e isso me machuca demais, já tentei me matar, atualmente estou tomando depakote e um outrio para depressão, porque para piorar fui diagnosticada como bipolar, estou escrevendo porque não sei mais o que fazer, a dor não passa, a dependencia nao vai embora, não tem um dia que eu não chore…sei que sou uma mulher bonita, sou bastante paquerada, mas nada me anima, porque quero ele devolta..por favor me ajude, preciso de uma direção..Obrigada

    • Cara Débora, a melhor solução para a co-dependência é mesmo o tratamento psicoterapêutico uma vez que a pessoa está refém dum padrão de relacionamento que tem origem na sua história de desenvolvimento normalmente reforçado negativamente pelas experiências relacionais ao longo dos anos. No fundo trata-se de alterar um conjunto de padrões de comportamento muito enraízados o que obviamente requer um tratamento consistente durante um período de tempo alargado. No seu caso, se lhe foi diagnosticado a perturbação bipolar e está a atravessar um período depressivo ainda mais vantagens terá em fazer terapia para poder tratar os vários problemas que naturalmente são concomitantes. Relativamente à co-dependência como já referi aqui várias vezes as pessoas também poderão recorrer a grupos de auto-ajuda, a leituras etc mas penso não ser o suficiente quando se trata duma situação tão difícil como a sua.

  46. Prezado Rui

    Escrevi uma outra vez e sua resposta me foi de grande ajuda. Mas agora preciso saber uma única coisa . Por favor. Pois em você senti confiança pois tem um grande conhecimento em dependentes quimicos. Meu ex esta em resocialização da clinica. A cada quinze dias minha vida vira de cabeça pra baixo. São enxurradas de cartas e juras de amor infinitas.Como sempre. Como não mais acredito mas ele insiste e insiste e insiste, isso me irrita. Mas tento ser legal por causa de nossa filha.Mudei muitas coisas, mas a jornada é grande. Como por exemplo não dormir na casa dele, quando antes ficava e achava que tinha que ter relação . Venho para minha casa , me sentindo culpada, mas ao mesmos tempo aliviada. E estou saindo com uma outra pessoa.Expliquei com carinho em uma carta e também em conversar que não dá mais (Mas não falei e não falarei por enquanto da outra pessoa). Só não fui objetiva, dizendo -EU NÃO TE QUERO MAIS. Mas explicando que não acreditava mais. Enfim pedi a Deus para que o afastasse de mim. Qual não foi minha surpresa quando atendi a um telefonema dizendo que era uma amiga dele. Quando ela disse o nome lembrei que era uma ex-namorada (de uns 7 anos atrás e o namoro durou +- 2 meses).Ela não sabia quem era eu. Atendi educamente e pedi o telefone dela dizendo que iria passar para ele quando o encontrasse. Fiquei um pouquinho nervosa, mas pensei poxa assim tiro o foco dele de cima de mim e assim poderei seguir minha vida sem culpa . Agora de estar saindo com uma pessoa.Meu tormento é o seguinte. Devo passar o telefone para ele ??? Mesmo sabendo que TALVEZ futuramente ela esteja na mesma situação que eu ??? Pois sempre fui do seguinte pesnamento . Não desejo aos outros aquilo que não gostaria que fizessem comigo. Se fosse uma irmã , amiga , eu não desejaria isso não passaria o telefone de jeito nenhum , mas também não posso e não tenho o direito de abrir o problema dele para ela. Explicando assim o porque que não passei o telefone. POR FAVOR ME ORIENTE POIS ESTOU PERDIDA. Depois não voltarei a perturba-lo apenas serei mais uma fã desse profissional enviando por DEUS para aliviar corações aflitos.
    Fique com Deus…. Obrigada !!!!!!!!!

    • Cara Paula, presumo que terá recebido esse telefonema no telefone do seu ex-companheiro. A confirmar-se esta situação será mais correcto dar-lhe o recado e evitar qualquer interferência na vida deste ou dos que o procuram. A Paula terá de se questionar porque procura tantas justificações para não lhe passar esta mensagem, mostrando-se ansiosa e culpada com a sua decisão. Apesar de estar a fazer um esforço considerável para se afastar dele obviamente ainda não está imune ao que se poderá passar na vida do seu ex-companheiro. É precisamente por este tipo de situações que é necessário o afastamento total da pessoa que suscita a co-dependência. Tente focar-se em si própria e na sua recuperação e não se envolver de nenhuma maneira com o que se passa na vida do seu ex-companheiro.

  47. Como faço pra não sufocar meu marido? Respeitar as amizades e escolhas que não concordo , sem que pra isso tenha que acabar com meu casamento…eu me sinto so, quero mais atençao, acho ele um ingrato…digo coisas que o magoam. Não gosto de ficar sozinha em casa e tendo prende-lo, mas ele sai , e quando chega brigamos…ele me respeita não me trai, mas não to consiguindo me controlar me ajude por favor!!!!!!!!!!!!Obrigada.

    • Cara Claudiana, tenho poucos elementos para lhe dar uma resposta mais consistente sobre a dinâmica da sua relação, mas parece-me que está a pressionar o seu marido para conseguir mais atenção e ele parece responder à sua pressão afastando-se de si. Sugiro que deixe de o pressionar e encontre formas de se ocupar e valorizar, como por exemplo investir em formação fazendo algum curso duma matéria que lhe interesse, envolvendo-se em actividades lúdicas ou sociais, como desporto, organizações de ajuda etc, poderá também investir no seu aspecto físico e estético. Tudo formas de se valorizar a si própria e por consequência na relação. Deixe que seja o seu marido que se aproxime de si pois parece-me que ele se afasta porque já sabe que o vai pressionar. Também poderá propor programas para serem feitos a dois quebrando com a rotina do casal e que proporcionem um lado prazeroso na relação, aliviando a carga negativa.

  48. Caro Rui sou adita em recuperação á 19 meses tenho um irmão gemeo que está na adição activa o que está a mexer com os meus sentimentos e as minhas emoções e pode se eu baixar a guarda levar-me a uma recaída .O que me apercebi estando limpa é que a minha mãe é co depêndente do meu irmão ela simplesmente vive em função dele, a sua auto-estima está em baixo não sai de casa , pior anda a tomar antidepressivos o que a põe mais para baixo ora ela pensa que o está a ajudar dando-lhe dinheiro,carro,casa etc.O certo é que com essas mordomias todas ele cada vez se afunda mais e ela está a contribuir para isso,sei que para ela não é facil perdeu o meu pai e ainda por cima os seus dois filhos sofrem desta maldita doença mas eu escolhi um novo modo de vida e hoje posso dar-lhe o carinho e o apoio que não lhe dei durante anos.Pedi-a o favor de me dar talvez uma orientação de como devo proceder para ela ver que as suas atitudes não são as melhores ,já tentei chama-la á razão mas ela simplesmente não me ouve,preciso mesmo de ajuda pois não sei mais o que fazer.Muito obrigado aguardo resposta

    • Cara Candida, é muito difícil nós substituir-mo-nos aos outros na tomada de decisões. Como explicou e bem, a sua mãe encontrou no cuidado e protecção do seu irmão uma forma de compensar a perda do seu pai e assim provavelmente encontrar um sentido para a sua vida através desta relação de co-dependência com o seu irmão. Como sabe nas relações de dependência não serve de muito confrontar a pessoa co-dependente ou dizer-lhe que está a agir de forma errada. Normalmente as pessoas só procuram ajuda quando deprimem ou caem no “fundo do poço”. O melhor que poderá fazer é afastar-se para não ficar angustiada, porque na verdade o que se passa é que a Candida está a identificar-se com o padrão co-dependente de ambos os familiares e antevê os aspectos destrutivos tanto para si como para eles. Procure direccionar a sua atenção para pessoas e situações que sejam mais construtivas neste momento importante da sua recuperação.

  49. Dr. Rui, excelente artigo, me identificquei com muitos dos casos pois minha psicóloga disse que sou co dependente da minha (hoje) ex mulher nos separamos há dois meses, ela usa anfetaminas para emagrecer, eu sempre pedi para ela deixar de fazer uso desses remédios, pois eu a amava tal como era, desse casamento surgiu uma linda filha, nos ultimos 4 meses percebia dela uma maior indiferença em relação a mim, pois nunca a vi preocupada comigo, com meus sentimentos, ela chegou e simplesmente disse olha, eu nao te amo mais , não vejo futuro nenhum para nós e devemos nos separar. Detalhe isso ocorreu num dia comum, enquanto eu chegava em casa e bebia água ela disse isso. Foi me dito que os efeitos das anfetaminas a tornam um tanto insensíveis e desequilibrada psicológicamente, eu realmente percebi isso. Ontem disse a ela que gostaria de ajudá-la para que ela parasse de usar esses venenos, e tivesse um bom acompanhamento psicológico. Ela alegou ignorância, que não sabia o quão mal fazia tais remédios, mas negou ter intensão de parar de tomá-los, pediu pra que eu mandasse pra ela alguma matéria que continham os malefícios do fepromporex e da amfepramona ministrados em associação. Eu lhe mandei um dossiê completo. uma amiga dela me disse que ela sequer abriu o e-mail. Aí enxerguei minha codependência, ela diz que a dependência dela pelas anfetaminas por 7 anos jamais influenciaram a decisão de se separar de mim.
    pois agora eu quero deixar de ser codependente, quero me amar, eu parei de fumar, estou caminhando todos os dias, emagreci 10 kg, mas não consigo deixar de pensar nela…é como droga Rui, eu acordo no meio da noite pensando nos absurdos que ela me dizia, e não durmo mais. Eu preciso de ajuda.
    um grande abraço

  50. oi,Rui, preciso de orientações sobre mim mesma.Sou casada com um dependente quimico há seis anos, mais so gora me dei conta do problema,ele estava internado ha tres meses,voltou agora e ja saiu de casa .Esta pedindo a separação.Estou sofrendo muito . Oque fazer?

    • Cara Carla, deverá ponderar porque deseja ter uma relação com uma pessoa que tem uma dependência química e não quer estar mais consigo? Por muito que goste dessa pessoa, a leitora está a desvalorizar-se ao querer investir numa relação que não lhe oferece nenhuma perspectiva positiva neste momento. As relações precisam de ter condições suficientes para poderem ser concretizadas de uma forma saudável, o que não acontece no seu caso. A Carla precisa de aceitar que a relação provavelmente terminou e que permanecer nesta relação seria destrutivo para si. Aconselho-a a procurar ajuda psicoterapêutica para poder lidar com a situação.

  51. Olá Rui, A minha vida sempre se resumiu a dedicar-me aos outros, seja em amizades, como relações amorosas…e sempre acabei sozinha. O meu erro foi sempre deixar de pensar em mim para pensar nos outros, agradá-los, ajudá-los, fazê-los sentirem-se seguros, porque eu faria tudo por eles. Era como uma tarefa, uma missão…mas ao mesmo tempo a minha intenção era: realmente ajudar e também ser reconhecida…principalmente valorizada. Posso dizer que dessas relações hoje nÃo vejo nem falo com ninguém. Magoaram-me muit, abusaram da minha boa vontade e nunca me reconhceram…pisaram e desprezaram-me. Há 5 anos atrás encontrei uma pessoa que amo muito, e mais uma vez, apesar de tanta cabeçada por ser assim, voltei a amar incondicionalmente, a dedicar-me a ele, tive alturas do nosso namoro que ele´era sempre tudo em 1º lugar na minha vida…mas com o tempo surgiram desentendimentos , dizia ele “por eu ser assim, por sufocá-lo” chegou mesmo um dia a dizer que eu tinha uma obcessão por ele…magoou-me muito saber que a pessoa que eu me dedicava com tanto amor e de todo o meu ser estava a ser ingrata comigo… nesse dia tomei alguma consciência de que ele era capaz de ter razão e como me magoou tanto, decidi melhorar, deixá-lo respirar… as coisas entre nós melhoram quando eu tenho noção e ele me diz que eu o canso e sufoco, mas é por algum tempo, depois volto ao mesmo. Mas eu sempre neguei que o erro fosse meu, como poderia ser?Se eu o amo mais que tudo e estou disposta a tudo por ele…apenas quero algo parecido em troca, porque eu “só sei amar assim…incondicionalmente”…Recentemente numa conversa, ele voltou a dizer-me que eu tenho de mudar porque ele não aguenta, eu canso..mudo por algum tempo, mas depois volto ao mesmo.Fiquei chocada, para mim estava tudo bem. Afinal não, e a minha auto-estima é e sempre foi muito baixa, ao ver que ele poderia ter alguma razão, visto que sempre que nos chateamos ele me diz o mesmo, tentei saber o q se poderia passar comigo, como é que eu com tanto amor não conseguia ser feliz…foi quando eu encontrei este artigo, e quando o li identifiquei-me em muita coisa… sei que devo ser co-dependente porque não tenho a vida própria normal e saudável q deveria ter, não o quero sufocar e perdê-lo, porque sinceramente acho que ele tem sido uma grande prova que o amor vence tudo…mas também sei que quando nos cansamos, nos sufocamos, não há outra solução senão o afastamento. Apenas queria ser saudável…uma das coisas que sei, tenho consciência há muito tempo, mas não tenho coonseguido por em práctica é… amar menos os outros e mais a mim…a minha busca incessante por ser amada fez com que eu tenha sido sempre assim, sacrificada em prol dos outros…eu amo-o muito e não quero perdê-lo…hoje tomei consciÊncia da origem dos meus problemas e quero agradecer-lhe muito por este artigo…agora diga-me, porque é que eu volto sempre ao mesmo…? É possível mudar? eu ando tão triste comigo própria que nem tenho forças…por favor dê-me a sua opinião. Obrigada e parabéns pelos eu óptimo trabalho

    • Cara Sofia, realmente a co-dependência torna-se um padrão de comportamento, mas como todos os padrões de comportamento, se nós formos capazes de os identificar e de reflectir sobre eles também os podemos mudar. Como se trata de um padrão que se confunde com a sua própria identidade (quando diz “eu só sei amar assim”), parece muito difícil a mudança, e realmente não é fácil, mas é possível. Aliás a leitora já iniciou um processo de auto-reflexão e procura de soluções para um comportamento que não está a ir ao encontro dos seus objectivos e do que faz sentido para si neste momento, que consiste numa relação saudável e satisfatória para si e para o seu companheiro. Como já referi em vários comentários quando as pessoas identificam em si mesmas um padrão de co-dependência e desejam modificá-lo a melhor maneira é recorrerem à psicoterapia, pois é necessário identificar os factores que estão na origem do comportamento e posterormente desenvolver estratégias para o modificar. Poderá sempre recorrer às leituras sugeridas no final do artigo e a grupos de auto-ajuda.

  52. Boa tarde Rui,
    Muito obrigada pela sua resposta, eu sinceramente posso dizer que, desde que identifiquei o meu problema estou bastante melhor…ou seja, só o facto de saber e entender já me sinto capaz de alterar muita coisa e viver uma relação de forma saudável! Identificar o problema foi mesmo fundamental. Ainda não estou a fazer psicoterapia, mas estou a pensar fazer para como disse, identificar a origem…a raíz de eu ser assim. Tenho conseguido alterar o meu comportamento e sinto-me melhor…posso também agradecer, e muito, ao meu namorado…falei muito abertamente com ele, e ele deu-me muita força e coragem, também me aconselhou a procurar ajuda e sabe o meu valor e entende pelo que estou a passar…estou a aprender a amar-me mais, e a valorizar-me…pode ser “cliché”, mas é mesmo verdade…se não nos amarmos então quem mais o fará?…tudo sempre de forma saudável para sermos então pessoas mais felizes. Um dia de cada vez e aos poucos construir a minha auto-estima.Mais uma vez obrigada pela sua ajuda!

  53. Olá, tenho 25 anos, sou divorciada há 4 anos e um filho de 7 anos.

    Na minha adolescência meu me prendia muito, não havia diálogo, apenas grosseria, procurei a minha independência financeira aos 12 anos, arrumei um emprego no shopping porque estava próximo da boate assim teria dinheiro e poderia dançar escondido. Eu dançava em escola de dança, tirava fotos e desfilava, sempre fui muito bonita, chamava a atenção, olhares e nas mulheres a inveja. Tudo em minha vida foi precoce, namoro e virgindade. A menina que todos queriam e quando arrumava namorados que sempre me deixavam por ser presa d+ e no fundo acho que quando eu mentia em casa ou fugia para estar com eles, acabava fazendo de tudo para compensar, para agradar e eles me deixavam o que me proporcionava grande tristeza .. até que conheci meu ex marido aos 15 anos e a vida dele também não era legal, seu pai já estava saindo de casa, caminhando para o terceiro casamento e com muitas brigas. Ele se envolveu com drogas, falava em assalto e queria se casar comigo. Eu me sentia muito forte, passei a cuidar dele, chorou em meu colo muitas vezes, tirei ele das drogas e idéia de crimes. Com 16 anos, os dois trabalhando, começamos a comprar móveis para um dia realizar o casamento. O sofrimento dele era grande com a separação dos pais e no nosso relacionamento ele mentia, saia sozinho e havia possibilidade não comprovada de traições. 2 anos depois resolvi terminar e na mesma época engravidei, nos casamos aos 17 anos já tinha móveis e reformamos uma kitinete nos fundos da mãe dele, que acabava de se separar. O início do casamento foi um inferno, cheio de intromissões da sogra, mentiras, desprezo e irresponsabilidade do marido que me deixava em casa para sair, beber até o ponto de haver agressões. Me sentia feia, gorda, impotente, infeliz e resolvi me separar, ele ficou desesperado, tentou de tudo até falou em suicídio, mas não voltei, pq as mentiras continuavam, comecei a me ver como mulher, que conseguia despertar desejos ainda, perdi peso, voltei a ser uma bela mulher, porém o problema com os relacionamentos continuava. Sempre tentando agradar, parava a minha vida por eles. Hoje, me relaciono com um rapaz e começamos da mesma forma, ele encantado com tantos carinhos, orgulhoso e depois sufocado, pois ele quer sair sozinho e eu cobro mais atenção, mais programas de casal, mais motel, mais sexo, não consigo ver ele sair sozinho e se ele combina algo comigo e demora ou diz que mudou de opinião, que resolveu ir com os amigos, nossa me sobe uma fúria, um sentimento ruim, em seguida o cobro mais e mais, falo e falo, ameaço a terminar e não consigo. Gosto dele, não quero que ele deixe de fazer as coisas que gosta, como jogar bola, tomar cerveja ou conversar com os amigos, mas não suporto ver ele querendo ir a balada sozinho ou preferindo fazer outros programas que poderia me incluir, mas vai sozinho,e diz que eu também posso sair sozinha, as vezes quero fazer algo com ele e ele me manda ir sozinha, acho isso um descaso, até porque eu programo todas as minhas atividade de: trabalho, faculdade, filho e casa para sobrar tempo pra ele. Fora isso ele me liga sempre e sempre me diz onde está e o que está fazendo, não tenho desconfiança dele. Em nossa última briga, em véspera de viagem dele e se atrasou para se despedir de mim porque estava com os amigos, brigamos onde eu cobrava mais atenção e comparava o tempo que ele perdia com os amigos e comigo ele decidiu terminar e eu não deixei, ele disse que estava sufocado, me perguntou pq eu não o deixo fazer o que ele quer e sente vontade e que eu estava muito dependente dele, que queria ele sempre por perto e o estava sufocando. Eu que tinha profissão, continuava a estudar, independente financeiramente e que cuidava sozinha de um filho aos 25 anos, que não tenho o habito de controlar por telefone, quase nunca ligava, nunca conferi nada que ele falava e era dependente emocional do namorado. Mas no dia seguinte, ele já havia viajado e comecei a pensar que ele pode estar certo, que eu possa ser um dependente emocional.
    Quero ajuda, preciso me afastar dele?

    Obrigada

    • Jo, pela descrição que faz esta útima relação parece bem mais saudável que a anterior. Na verdade a sua única queixa é relativamente ao carácter independente do seu namorado e ao facto de ele querer preservar o seu espaço individual para lá do espaço da relação. Esta necessidade do seu namorado é legítima e saudável na medida em que pode ser perfeitamente compatível mantermos os nossos interesses individuais com uma boa vida conjugal. Fiquei sem saber exactamente como se sente nos períodos em que a relação acontece. A leitora sente-se satistafeita durante o tempo que passa com o seu namorado? está satisfeita com a relação sexual? sente-se respeitada na relação? existe um dialogo aberto entre os dois? procure centrar-se nas questões e qualidade do relacionamento e não no que o seu namorado quer fazer individualmente para poder tomar uma decisão quanto à relação. Obviamente que o tempo dispendido nas actividades em comum é um indicador do investimento na relação, mas a gestão do tempo como dos afectos pode ser melhorada e estimulada pelo casal. A Jo tem um lado co-dependente em que procura ter a certeza que o seu parceiro a ama e não a vai abandonar ou maltratar. Essas são as suas questões individuais que deverá explorar num processo psicoterapeutico para conseguir alcançar maior tranquilidade e segurança em si própria e nas relações com os outros.

  54. ola, passo tbem por um processo de co-dependencia mutua me sinto presa a ele e sinto que ele tbem esta preso á mim, estamos separados , vivemos uma relaçao intensa, porem descobri varia mentiras, inclusive que ele era usuario de drogas e bebidas, tbem se mostrou agressivo e extemamente ciumento, estamos longe um do outro , mas ele me procura na net, ate fui encontra-lo um dia, foi ate bom na hora, mas depois senti um grande arrependimento e angustia, jurei que nunca mais faria isso, pois essa relaçao é sem futuro, mas acabo sempre falando com ele pela net, ele tenta me controlar em tudo, quer que eu fique o dia inteiro com ele na net, ate pra comer , ele pede pra comer digitando com ele, ele faz isso, come digitando comigo pra nao parar de falar comigo, ficamos ate as 4 ou 5 da madrugada na net, ai ele ja me pergunta que hrs estarei na net no dia seguinte, é um controle absoluto, tem medo que eu tc com outros homens, enfim é uma tortura, porem sinto falta dele por incrivel que pareça, sei que posso arrumar outro cara, bem melhor, mas ele me aprisiona, parece um vicio, nunca vivi isso, ele nao é um cara bonito, nao tem grana, tem varios problemas, inclusive a droga que eu abomino mas nao consigo me livrar dessa paixao maluca, estou a alguns dias sem falar com ele, estou tentando resisitir, estou aqui agora pra nao entrar la, por favor me ajude, sei que suas palavras sao fortes e marcantes, me ajude, um abraço.

    • Cara Lia vai ser mais difícil tomar uma decisão sobre uma relação que está a acontecer através da internet embora aparentemente possa parecer mais fácil. Eu digo isto porque o contacto através da net é virtual e como tal, a Lia não está a lidar directamente com os problemas concretos que esta relação lhe provoca ou provocou no passado. Assim poderá mais facilmente alimentar a ilusão que a relação é possível. Não obstante o seu companheiro continuar a tentar controlá-la, também temos de considerar que a Lia claramente gosta deste indivíduo o que torna mais complicado tomar alguma decisão definitiva. Eu sugeria-lhe que procurasse um terapeuta para a ajudar neste processo, pois vai ser-lhe muito dificil resistir a falar com ele, especialmente se sentir sózinha. Se porventura chegar á conclusão que deseja afastar-se dele a internet oferece a vantagem de facilmente apagar-mos os contactos duma pessoa, e assim criar uma oportunidade para poder melhor reflectir sobre o que deseja para si com o tempo e a ajuda que considerar necessário para se reorganizar.

  55. Me sentia muito bem ao lado dele, do sexo com ele, meu sofrimento é era de quando ele colocava outras coisas em prioridade, marcávamos de sair, gostávamos do mesmo tipo de ambiente noturno após o futebol dia de quarta, quando eu já estava arrumada esperando por ele, ele ligava e desmarcava falava que iria atender o pedido dos “amigos” do futebol que queriam sair sozinhos para balada, não concordo, acho que ele deveria dar prioridade pra mim a noite, o papel dele ele já havia cumprido durante o jogo, onde também há bebida, música e boate não é lugar para homens comprometidos ir sozinhos, se trabalho a semana inteira chega fim de semana quero sair com o meu namorado! E quando acontecia de desmarcar comigo colocando outra qualquer coisa em prioridade, me dava uma dor incontrolável, que parecia que iria me sufocar, daí em uma de nossas últimas brigas, sugeri que terminasse a relação porque parecia que ele me fazia de estepe e uma opção das horas vagas e ele já aborrecido, disse que eu estraguei tudo, concordou (1 semana atrás), estou sentindo a falta, já me arrependi, me sinto culpada, sinto saudades das horas boas, as poucas que me sobravam, mas ao mesmo tempo penso que não daria certo, me vejo daqui uns anos com um filho dele no colo e ele me largando em casa para ir a balada com os amigos que nem sempre são amigos, são mais para conhecidos, como se tudo e todos tivesse mais importância que o nosso relacionamento, que me ver feliz!
    Dr. vc acha que preciso de tratamento? Quero uma relação estável!

    • Jo é fundamental que a relação faça sentido para as duas pessoas senão qual o propósito de ter um relacionamento? Por outro lado a relação é também resultado da negociação entre as duas pessoas no sentido de atender às necessidades de cada um. Se por um lado, é saudável que cada pessoa tenha o seu tempo individual para determinadas actividades que muitas vezes nem sequer faz sentido serem partilhadas com o outro, também é importante que o tempo do casal seja satisfatório para ambos. O que me parece pelo seu mail é que a Jo sentia que não era uma prioridade para o seu companheiro, o que comprometeu as suas expectativas relativamente a este e ao seu futuro com ele, e lhe causou um grande sofrimento. Obviamente que estas questões deverão ser sempre discutidas com a outra pessoa porque muitas vezes cada um tem forma diferente de sentir e encarar um projecto de relação. Cabe-lhe a si decidir em que termos deseja ter uma relação e encontrar uma pessoa que seja compatível com a seu projecto de vida. Apesar de ser uma questão absolutamente legítima, pode sempre recorrer à terapia para sentir-se mais reforçada nas suas escolhas e na forma de as conseguir concretizar.

  56. Bom sou Ex dependente quimico tenho apenas 15 anos .
    Estou com um grande pobrema e não sei o que fazer não sinto mais prazer quando vou fazer sexo ou no caso nem comsigo fazer e queria saber se isso tem como ser recuoerado

    • Olá Gabriel, a falta de desejo que está a sentir é normal se parou de consumir há pouco tempo. Quando se consomem drogas, elas despoletam descargas de certos neurotransmissores tais como a dopamina e a serotonina (dependendo do tipo de drogas), responsáveis por sensações de prazer, bem -estar e desinibição. Muitas vezes as pessoas dependentes só têm sexo quando consomem, o que poderá estabelecer uma associação entre o prazer sexual e o efeito despoletado pelo consumo da substância. Quando se começa um período de abstinência, o cérebro deixa de ter os estímulos provocados pelas substâncias, chegando mesmo a ficar com menos quantidade dos neurotransmissores referidos disponível nas sinapses, entrando por vezes numa espécie de estado prolongado de ressaca em que parece que já não se sente prazer. Contudo, pouco e pouco o cérebro começara a detectar outros estímulos capazes de produzir sensações de prazer tais como os oriundos dos sentidos como o toque, o cheiro, ou mesmo a proximidade afectiva com alguém que gosta ou preocupa-se consigo. Neste processo de recuperação convèm consultar um psiquiatra especializado em toxicodependência, pois existe medicação para ajudar a repôr os níveis dos neutransmissores e diminuir os efeitos indesejados da abstinência.

  57. Tenho pais separados. Na separação fiquei na companhia de minha mãe. Meu pai ausente se manteve durante todo o tempo. Aos dezessete anos, envolvi-me com um rapaz que também tinha uma família desestruturada, morava com sua mãe e seus irmãos, todos homens. Nos conhecemos no Ensino médio e começamos a namorar. Eu com dezessete e ele com dezoito anos. Primeiro namorado, primeira relação sexual, tanto pra mim quanto pra ele. Estou hoje, com vinte e cinco anos. A dois anos findamos o nosso relacionamento conturbado de brigas. Ele agrediu-me diversas vezes fisicamente e moralmente. Mas sinto-me doente por ainda amá-lo. Lembro-me dele cada momento do meu dia, finais de semana, parece que não tem sentido se pelo menos eu não ouvir a voz dele. O pior é que fazem dois anos do término do relacionamento, mas várias recaídas tivemos. A última, faz apenas duas semanas. Parece que minha vida não tem sentido sem ele. Pertubo tanto ele por telefone, que ele rejeitou meu número no celular dele automaticamente. Ele disse pra mim que não quer nunca mais mim ver. Cheguei ao ponto de já que ele não mim atende mais, ligo para os amigos dele e deixo o recado. Quando estava com ele, sentia um medo horrível de perdê-lo. Os meus familiares dizem que parece que pra mim, só existe ele de homem. Sempre o procuro. E ele sempre mim humilha dizendo que não quer nada comigo, mas sempre volta a ficar comigo. Eu não quero mais procurá-lo, mas é tão difícil. Acordo e a primeira coisa que mim lembro é dele. Vou dormir é do mesmo jeito. Não quero mais ser agredida, não quero mais humilhar-me. Agora, ele passou no mestrado, melhorou economicamente e não depende mais de minha ajuda. Fiz tudo por ele, e ele diz que só o atrapalhei. Quando estou em casa, só choro. A dois dias não ligo mais pra ele e nem mando e-mail. Mas ainda sinto um aperto tão grande no peito. O que eu sinto por ele dói muito. Morro de medo de saber que ele está com outra pessoa, às vezes acho que no dia que eu souber, eu morro. Lendo os depoimentos cheguei a conclusão que sou co-dependente dele. Acho que dessa vez ele não mim quer mais, talvez ele nunca tenha gostado de mim. E eu que ainda hoje o amo.

    • Cara Mênia precisa de reflectir porque continua a querer uma pessoa que não a quer e que a maltrataou física e psicológicamente quando esteve em relação consigo. Esta relação foi muito marcante para si por ter sido a primeira quer a nível afectivo como sexual. As primeiras relações quando acontecem tão cedo como no seu caso são fundadoras da estrutura psicológica da pessoa e torna-se muito difícil a separação, parece que perdemos uma parte de nós próprios. Por outro lado, como o seu pai esteve ausente durante o seu crescimento, do ponto de vista do inconsciente parece expectável que os homens possam abandonar ou maltratar as mulheres, ou pelo menos fica desafiada em conquistar alguém que recapitula o cenário de infância para o poder corrigir. Acontece que gostar de uma pessoa não é condição suficiente para ter uma relação intima com ela, especialmente se esta não quer ou é particularmente agressiva e abusadora como no seu caso. Insistir nessa relação é destrutivo da sua auto-estima e do seu amor próprio. Deverá procurar ajuda para tratar a sua co-dependência e fazer um esforço para eliminar todas as possibilidades de contacto com este indivíduo, só assim poderá fazer o luto da relação e poder posteriormente encontrar alguém que a ame e valorize pelo que voçê realmente é.

  58. Gostei muito dos seus comentários, mas tenho dúvidas: quem não era dependente antes de uma relação de abuso emocional pode tornar-se dependente? Qual a diferença entre dependência e abuso emocional? Pergunto isto porque não consigo clarificar o que vivi. Eu era independente, mas carente e essa pessoa aproveitou-se da carência para me “ganhar”, depois foi só destruir a minha estima (ciumes, obsessão, controlo, isolamento). Agora acabei a relação (pela segunda vez) e apesar disso penso nele. Quero saber o que faz, como está (ele assim que eu acabo com ele destrói todos os meios de comunicação – google talk, msn, etc). Será que esta relação me tornou dependente? Ou é outro tipo de distúrbio?

    • Cara Patrícia não tenho elementos suficientes para poder afirmar que você é uma pessoa co-dependente mas insistir numa relação em que a pessoa foi abusiva consigo é claramente uma forma de se desvalorizar e indício de falta de auto-estima. O conceito de co-dependência refere-se a uma dependência emocional em que as pessoas não se conseguem imaginar sem a outra. Quando as pessoas entram nas relações por vezes não estão conscientes de aspectos de si próprias relativos à sua história de desenvolvimento que surgem projectados na relação intíma. Os adultos tendem a regredir nas relações intímas e a reviver aspectos do seu passado, entrando em contacto com as suas vulnerabilidades ou falhas que possam ter acontecido nas relações familiares. A atracção e o desejo por uma pessoa que lhe faz mal poderá inscrever-se neste tipo de projecções do inconsciente que precisam de ser abordadas no contexto terapêutico para poderem ser ultrapassadas. Evidentemente que uma relação abusiva como a sua é sempre destrutiva da auto-estima da vítima, deixando-a diminuída e numa situação de grande vulnerabilidade. Por outro lado a relação resulta da vinculação afectiva e como disse estava muito carente antes de conhecer esta pessoa ou seja deverá ter-se vinculado de forma muito forte, o que torna mais difícil a separação, para além dos aspectos referidos que possam estar em jogo. Em psicologia nunca podemos falar de um só factor na origem do problema mas sempre em vários factores que se cruzam e são despoletados por determinados contextos. Daí que um conceito de patologia seja sempre algo redutor para explicar a complexidade de cada indivíduo e do seu comportamento. Qualquer que seja a interpretação da sua situação, deverá considerar que uma relação abusiva é sempre destrutiva da auto-estima da vítima e que o agressor, regra geral, nunca muda de padrão de comportamento interpessoal, o que nos leva a concluir que insistir nesta relação só poderá agravar o estado em que se encontra ou repetir o chamado ciclo da violência doméstica em que depois de um período em que tudo parece estar bem, os comportamentos abusivos voltam a repetir-se deixando a vítima cada vez mais vulnerável e dependente. Aconselho-a a procurar ajuda porque esses processos são muito dificeis de gerir sózinha.

  59. Bom dia.
    É possivel recomeçar uma relação saudável onde um dos companheiros é co-dependente? Muitos artigos que tenho lido, fico sempre com a sensação de que é mais facil mudar de parceiro. Penso que será tapar um buraco com dinamite.
    Vivo uma relação destrutiva, sou ciumenta, possessiva, violenta. Deixei de ter interesses, amigos, não consigo sair de casa, não me consigo divertir, comecei a viver em função dessa pessoa. No inicio sentia-me feliz, mas agora tenho sempre dúvidas se o faço feliz e se ele gosta de mim. Tem sido dificil controlar estas emoções todas. E todos os esforços que tenho feito (respeitar o espaço do outro, dar valor ao que sou, fazer exercicio, etc) nunca são o suficientes para ver a luz ao fim do túnel. Começo a ficar cansada e desesperada. Sei que não consigo ultrapassar isto sozinha.

    • Cara Filipa aconselho-a a recorrer a psicoterapia se realmente deseja mudar o seu padrão co-dependente. Infelizmente não tenho contactos de grupos de ajuda no Porto.

  60. Também gostaria de saber se existe algum grupo ou associação no Porto?

  61. olá…tenho uma amiga q é homossexual e bipolar,ja teve varios relacionamentos mas se diz dependente de dois desses relacionamentos passados,nao consegue fikar sem ligar pra elas,paga todas as contas delas sendo q as duas nao a tratam com a mesma amizade,ela diz q isso a deixa muito magoada e q gostaria de nao trata-las tao bem,pois consegue enxergar o mal q isso causa a ela,mas nao consegue se afastar de nenhuma das duas,sempre vai atraz e da dinheiro,atençao e o q mais elas quizerem,mas diz q depois se arrepende muito e fica mal.ela toma depakote e faz tratamento mas nao vejo nenhuma melhora.ela tbem diz q nao ama essa pessoas e q ja faz muito tempo q nao tem um relacionamento sexual ou amoroso com elas,mas acho tudo isso muito estranho e gostaria de saber o q posso fazer pra ajudar essa pessoa de quem eu gosto tanto,porq ela esta se afastando de muita gente por causa das duas ,porq ninguem acha certo ela fikar se encontrando com as duas q sempre tratam ela mal,mas ela diz q tenta e nao consegue..q tipo de dependencia é essa?ja q nao vi nenhum problema parecido citado acima?ela nem consegue mais dar certo em nenhum relacionamento,sendo q ninguem aceita ela ter amizades tao estranhas assim,sei q nap parece só amizade mas ela jura e ate chora implorando q acreditem q é só amizade,tento me afastar dela mas ela naoaceita dizendoq nao consegue fikar longe de mim,mas comigo ela age diferente,é sempre fria e insensivel…se puder me ajudar ficarei muito grata….

    • Drika, a bipolaridade é uma doença que requer tratamento psiquiátrico continuado, ou seja para a pessoa poder funcionar terá de tomar diariamente a medicação adequada. Por vezes as pessoas bipolares recusam tomar a medicação ou não cumprem a terapêutica prescrita, o que as deixa vulneráveis e com grande labilidade e instabilidade emocional. Não sei se este é o caso da sua amiga. Por outro lado, poderão existir outras questões relacionadas com a angústia do abandono (por vezes a doença desenvolve-se não só por predisposição genética mas também devido a cenários familiares de abandono emocional ou trauma) que dificultam o reconhecimento do final das relações para evitar o cenário que recapitula o abandono e a angústia dele resultante.

  62. Tenho procurado informações, depoimentos,conselhos sobre o modo correto,ou acertivo de lidar com essa situação de co dependência. Sou mãe de um dependente químico,quepor mais de 15 anos vem causando dor ,preocupação, medo, reveses economicos. Por todo esse tempo procuro tudo que possa para aprender a lidar com esse terríve lproblema, a dependencia quimica.
    No momento estou lutando para não ser ‘facilitadora’, não é algo fácil de se conseguir. Como definir atéque pontosepode ajudar?
    Tenho que abandonar por completo? Não acolher em minnha casa porque não tem condições de págar seu proprio aluguel visto ter feito dividas onerosas?
    Apreciaria muito conselhos sobre como agir em tal situação . Fico imensamente grata

    • Cara Magali, a sua questão é muito delicada, parece-me desumano que recuse acolher o seu filho em sua casa se este não tiver onde pernoitar. Contudo deve conversar com o seu filho no sentido de estabelecer condições para continuar a ajuda-lo, entre as quais que este se submeta a um tratamento de recuperação e que seja respeitada a sua integridade física, psicológica e financeira. Ou seja a leitora deve avisar o seu filho das condições e limites para poder ajuda-lo e ser consistente e firme em relação ao que considerar adequado e razoável exigir. Caso o seu filho não queira aceitar as suas condições e presumindo que se trata de um adulto a leitora deverá responsabiliza-lo pelas suas escolhas e deixa-lo lidar com as consequências destas, afastando-se dele na medida em que lhe for possível. Como é óbvio é muito difícil uma mãe abandonar por completo um filho em dificuldades, mas pelo menos tem de tentar mediante as características da situação ser mais firme em termos do que pode exigir deste, especialmente se a saúde mental e integridade psicológica e material da leitora estiverem em risco.

  63. Depois de ouvir tantas pessoas a falar de dependência, resolvi ter um pouquinho de coragem e contar a minha. Me divorciei á 10 anos, depois de 20 anos anos de casamento, pensando eu que iria ser feliz, em seguida conheci um belo homem que naquele momento seria o meu principe, o meu salvador da pátria, durante muito tempo me fiz feliz, como tinha negocio comecei a trabalhar para ele, porque precisava e estava sem trabalho.Depois veio o pior, quando ele me disse que era casado, mas que nada tinha com esposa, o dito casamento já teri acabado á muito, e que só estaria á espera que os seus filhos acabassem de se formar, bem me apaixonei por, esperei e esperei e havia sempre uma desculpa, até que os anos se passaram e nada aconteceu.Hoje já com 50 anos eu própria , continuo com ele, e nem me reconheço pois vivo debaixo dos pés dele sem poder fazer nada, porque não tenho qualquer meio para me sustentar a não ser o que ele me dá . Sinto-me sesolada, fraca, nem me reconheço mais quem sou, e parece que a minha vida acabou aqui, pois não sei nem como sair deste flagelo, ele continua na vidinha dele, e a ter as duas, e eu uma porcaria de mulher, sem ao menos ter um pouquinho de dignidade nem força, nem sequer uma lizinha ao fundo do tunel vejo para que me possa eliminar, por isso peço só mente ajuda

    • Cara Bia para conseguir libertar-se duma relação que sente como tão destrutiva terá que primeiramente investir na sua autonomia. A procura duma situação profissional que lhe permita a independência financeira é uma condição fundamental para poder recuperar-se duma relação tão dependente. Como refere e bem o seu amante não parece estar disposto a deixar a mulher pois não o fez até agora e provavelmente prefere ter a possibilidade de manter os dois relacionamentos já que você tem tolerado essa situação. Em paralelo com a procura de autonomia financeira deverá recorrer a ajuda psicoterapeutica para a ajudar a recuperar a auto-estima e reorganizar a sua vida de forma a conquistar uma maior autonomia emocional.

  64. Tenho 34 e alguns relacionamentos que não deram certo.
    Mas no ano passado encontrei aquele que seria meu primeiro grande amor.
    Só quando descobri que o amava é que percebi que todos os outros sentimentos que havia tido com outras pessoas nao foram amor.
    Mas este homem, que eu amo, tem um passado muito marcado. Dois casamentos, 4 filhos e uma grande frustração por ter fracassado nestas relacões.
    Do segundo casamento, a coisa é bem pior, ele foi manipulado o tempo todo, a parceira dele sempre fez ele acreditar que ela é que devia decidir tudo e que ele era um nada sem ela.
    Até que um dia ele resolveu sair de casa e pouco tempo depois nos conhecemos, depois de um tempo passamos a viver juntos, este homem me fazia feliz como eu jamais havia sido, ele é uma pessoa fantastica, me dizia que queria ficar comigo pra sempre, mas aquela mulher sempre esteve nos pensamentos dele. Com baixa auto estima, ele sentia falta dela mesmo tendo sofrido e sendo até traído. Começou a me dizer que estava sentindo muita falta da familia, dos filhos e logo eu percebi que ele sentia falta dela também. Mesmo me dizendo que eu sou a pessoa mais importante da vida dele, que ele nunca respeitou tanto uma mulher, mesmo assim, ele diz que não tem mais chance de ser feliz, que está condenado a tristeza, por ser dependente desta mulher. Ele diz que nao vai voltar pra ela, que nao vai dar certo, que quer ficar comigo, mas quer que eu entenda que ele nunca será feliz de verdade, porque foi condenado por aquele sentimento.
    Amo este homem como nunca amei ninguém e tenho medo de me tornar uma pessoa frustrada por isto, por ter amado alguém que mesmo sabendo que eu o faço tanto bem vive uma obsessão por outra mulher, sente-se um dependente dela . SInto-me perdida, como uma tristeza profunda e tenho medo que isto nao passe nunca mais e que eu me torne uma pessoa vazia.

    • Cara Ana, tem razão quando diz que o seu companheiro se sente atraído por pessoas que o maltratam e por essa razão tende a desvalorizar a relação consigo. A Ana tem de se valorizar na relação e estabelecer limites relativamente ao que é possível tolerar por parte do seu companheiro. Cabe-lhe a si decidir o que deseja na relação e conversar com ele nesse sentido. Penso que se assumir uma posição mais afirmativa relativamente às suas necessidades e à clarificação das opções do seu companheiro poderá obter uma resposta positiva por parte deste. Por vezes pessoas como o seu companheiro precisam de ser confrontadas com as escolhas que têm de fazer sob pena de perderem a pessoa que os trata bem. Apesar de nada ficar garantido, pelo menos terá a hipótese de poder reforçar a sua auto-estima na medida em que reivindica uma relação plena para si. Esta é também a sua questão a ponderar ou seja em que medida consegue exigir para si própria uma relação em que seja a primeira e única escolha. Não é uma situação fácil já que ambos apresentam uma predisposição para procurar pessoas que não os valorizam e um passado que interfere nas escolhas futuras. Aconselho-a a procurar ajuda psicoterapeutica.

  65. Gostei muito.Vc me descreveu. Passou um filme em minha mente e penso minha vida n era p estar assim. A culpa quiz tomar conta d mim, mas pensei, n. N tenho q aprender a me amar. Vou me levantar. Se vivo e sou semelhante ao Criador a d haver recomeco. Helida. Muito obrigado!

  66. Adorei rui.. Eu tenho 23 anos a minha namorada tem 20 perdemos ambos a virgindade juntos, mas no ultimo ano juntamunos ja garriamos e separarmos 2 o 3 vezes mas voltamos sempre a cerca de um dia garriamos acabamos tudo, mas eu cheguei a cas ae no outro dia farteime de chorar, triste, nao consigo estar sozinho, ainda por cima estou desempregado sem nada para fazer so pensso nela com outro moço, eu amua demais e ela amame demais mas eu tenho medo de ela deixar de me amar e sentir pena de mim, eu amua de mais pensso sempre nela e nao conssigo estar longe dela e dificil de explicar e nao tenho recursos para ir a um psicologo podeme ajudar rui pf? respondeme para o meu mail obrigado

  67. Ja namoramos a 4 anos rui nos primeiros 2 anos e 3 anos era maravilhoso mas depois a minha começou a ficar complicada e eu so me vejo ao lado dela, com ela, ela ja me disse para procurar ajuda, eu tenhua maguada muito ela ja me disse que queria um homem ao lado dela para eu procurar ajudar e deixar de ser criança e eu sempre fui forte, trabalhador e nunca penssei ficar assim um dia, eu estou mesmo a precisar ajuda, nao tenho gosto para nada, nao quero estar na minha kasa sozinho, aburreçemo so quero me matar, fartome de tudo, choro ajudem rui

  68. Desculpe moro no alentejo mais concretamente em Beja, A minha mae rejeitame e estou sozinho so tenho a minha namorada e a familia dela obrigada

    • Olá Ricardo, as separações são sempre dificeis mas também são oportunidades para revermos o nosso comportamento e procurarmos mudar algumas coisas que não funcionaram para nós e para os outros. Não compreendi exactamente porque se separaram e como tal não lhe posso dar nenhuma indicação mais concreta sobre a relação. Tente conversar com ela, expressar o que sente, procurando algum tipo de entendimento. Se não houver uma resposta positiva será importante não esquecer que é normal a tristeza e o vazio quando se perde alguém que se gosta e que a expressão desses sentimentos de perda ajudará a ultrapassa-los e ficar de novo disponível para encontrar outras pessoas que gostem de si.

  69. Prezado Dr.Rui,
    Tenho 37 anos, 8 deles namorando um dependente químico.
    No início ele já me deu provas do problema q eu estav enfrentando, apesar dele estar sóbrio ele me agrediu fisicamente com um tapa no rosto quando tinhamos 3 meses de namoro ( ele alegou ciumes ) porém depois confirmou q no inicio n gostava de mim.
    Ele sempre me agridiu fisicamente e verbalmente, me traiu diversas vezes, e fazia isso sobrio.
    Depois da recaida a única coisa q mudou foi a relação com prostituiçaõ.
    resolvi me separar definitivamente a 1 mes, vou ao coda e mada aqui no rio de janeiro, porém n entendo pq sofro tanto, não consigo ser feliz, e mesmo sabendo q essa relação só me destruiu ( pois j´[a me chamou de fedorenta) e depois disso nunca mais consegiui nem sequer ter uma vida sexual normal, pois fiquei até hj com medo de estar com odor desagradavel ( fato q um outro relacionamento q tive dizer q era mentira) pois me disse q sou uma mulher maravilhosa e cheirosa ( gosto muito de pérfumes, cremes, vou ao médico regularmente fazerr exames de saude, dentista enfim me trato bem).
    Mais o q me deixa muito impressionada é q não consigo gostar de mais ninguem, não me interesso em conhecer outros homens, não me sinto feliz, pelo contrário me sinto péssima. as vezes tenho a sensação q nunca mais serei feliz, q nunca vou ter minha familia ( q sempre sonhei), q nunca mais vou conseguir namorar ( pq acho q depois de tanta magoa eu n iria confiar em ninguem). Enfim depois desse relacionamento eu nunca mais fui feliz.
    não sei o q fazer, já tentei fazer terapia mais n gostei e mesmo frequentadno grupos de ajuda eu n consigo me recuperar.
    eu gostaria de agir normalmente, as pessoas se afsatm e nao costumam sofrer muito com a perda de relacionamentos terriveis, ao contrário elas ficam aliviadas.
    DR.Rui me ajude, estou desempregada, minha mae é doente ( teve avc) e não melhoro.
    Esse infeliz me liga sempre e muitas vezes usando drogas, o q faz todas as lembraças voltarem mesmo estando longe.
    Socorro!!!

    • Cara Renata, a atracção por uma pessoa que é destrutiva para nós é semelhante à atracção pelo abismo. Nesses períodos a pessoa deixa de cuidar de si e permite que o outro(a) abuse de nós e nos destrua. O desejo de manter viva uma relação desta natureza é o equivalente a um desejo masoquista, auto-destrutivo. Pela leitura do seu mail, a Renata pretende reconstruir a sua vida e não destruí-la. Como pode ler no artigo e comentários a este, o processo de recuperação duma relação tão destrutiva como a descrita por si é demorado porque a pessoa fica com a auto-estima muito danificada. Em primeiro lugar deverá cortar de forma radical qualquer contacto com o seu ex-namorado e nunca atender-lhe o telefone e muito menos encontrar-se com ele. Dê a si própria um período para recuperar a sua vida, cuidar de si, estar com as pessoas de quem gosta, familiares, amigos etc, fazer actividades que lhe deêm a sensação de estar a construir algo de positivo para si própria. Por exemplo tentar algum tipo de curso ou valorização profissional ou pessoal. Procure algum tipo de actividade física para aliviar a ansiedade, e em caso de não sentir melhoria procure um médico psiquiatra para a ajudar neste processo. O afastamento da pessoa em causa é fundamental para fazer o luto e aceitar que esta relação não é boa para si, o que não é contraditório a poder gostar da pessoa. É importante aceitar os sentimentos de tristeza decorrentes da separação e luto da relação mas também perspectivar a sua vida duma forma mais positiva abrindo caminho para poder encontrar alguém que goste de si de forma mais saudável.

  70. Caro Rui,li sua matéria e vários comentários,e me animei a buscar ajuda.Sou jovem ,mãe de dois filhos de um casamento,onde dei azar de ficar co dependente de um manipulador sem caráter.Sofri muito,pois ele estimulava minha co dependência,fui ao fundo do poço.Nos separamos, e hoje tenho uma relação de 4 anos com um homem que não estimula em nada isso em mim.Mas o sofrimento q passo é também muito grande,pois me dedico, e o busco, e quero sua aprovação até no esmalte que eu uso,descobri agora essa semana,por causa de um desentendimento tolo entre nós, que sou obscecada,e neurótica.O medo de perde-lo tráz um sofrimento tamanho,q não consigo nem raciocinar direito.Fico sem chão,tudo perde o sentido,não posso continuar assim,quero viver de forma digna.

  71. Hoje sinto em discordar de Saint Exupery,somos mesmo eternamente responsáveis pelo cativamos?Sempre achei essa frase uma máxima,para cobrar dos outros a atenção devida a mim.Sempre sendo agra´avel e engraçada,a palavra não é dita apenas aqueles que tenho absoluta certeza de seu amor.Como minha mãe e meus filhos.São os únicos para quem digo não.Os outros..incluindo meu pai..eu guardo numa redoma de vidro,tenho medo de perder sua admiração.Bonita,me acham inteligente,animada…tenho formação de nível superior e exerço minha profissão com prazer, e de forma a sustentar sozinha meus pequenos.Tenho tudo para ser uma pessoa equilibrada e resolvida.Mas não sou,apesar de todos acharem que sim.

  72. Caro Rui me identifiquei também com este artigo.
    Tudo começou quando conheci a Jaqueline, ela tinha acabado de sair de um namoro cheio de ciumes, traição, agressão, codependencia, ela terminou e tava bem e desprezando o ex dela, um dia ele cansou e arrumou oura ai ela começou a correr atrás dele, ele começou a despreza-la, foi quando comecei a sair com ela, fiquei 4 meses saindo com ela gostando dela e sempre vendo ela falar com ele ao telefone, ficava triste mas sabia qual era meu lugar, ate que um dia ela mesmo veio e me beijou, uma semana depois ela me pediu em namoro em menos de um mes ela já queria aliança de compromisso, confesso que achei tudo muito rapido, e no fundo sempre pensei ela ta me usando como escada ou fuga, mas eu tava tão apaixonado que aceitei, duas semanas depois ela desmarcou um compromisso comigo dizendo que eia encontrar as amigas de turma, ai depois ela passou lá em casa e eu achei que tinha algo estranho e 10 minutos depois ele ligou, ela disse que ele que tava correndo atras dela e não sabia pq ele tinha ligado, um mes depois descubro que no dia que apresnetei ela a minha familia logo depois ela tramava terminar comigo e que tinha saido era com ele, meu mundo desabou, passei a não confiar mais e vigiar ela, com isso descobri que ela sempre mateve contato com ele e com outros do trabalho dela tmb, pronto virei um ciumento louco, brigas e e mais brigas, mas desde quando descobri tento terminar, quando consegui ela vinha atras e eu voltava, as vezes ela terminava e eu fazia o mesmo, pronto estamos nisso a quase 4 anos, eu tinha terminado com ela recentemente, via ela no msn eu não falava com ela e nem tinha vontade, ela me ligava e eu não atendia, pois queria ficar livre dela, mas fui inventar de ve-la fiquei doido de novo, se não ligo para ela fico doido, se ela não me liga eu morro, se ela mal me responde no msn fico pirado, comecei ficar muito ansioso, sempre procuro os defeitos em mim, será que eu que estraguei tudo, mas assim serio mesmo, vejo que ela nunca me amou e fui usado pq permiti, estou em um estado de tristeza grande, tinhamos um passei ai ela diqque que não queria que eu fosse fiquei muito mal, agora ela quer que eu vá e eu estou mal do mesmo jeito, nunca me senti amado por ela, nunca senti ela por completo, e não confio mais não sei oq fazer, sinceramente espero que me responda amigo, preciso de ajuda. Desde já agradeço.

    • O Manoel tem uma consciência muito clara de que se tornou codependente da Jacqueline e que esta não está realmente disponível para si desde o início da relação até agora. Como a situação se tem arrastado há tanto tempo, a sua auto-estima ficou muito danificada o que aumenta o seu grau de co-dependência. Terá de tentar afastar-se e cortar qualquer tipo de contacto com a Jacqueline, apagando o contacto no msn e não atendendo o telefone, nem lendo ou ouvindo as mensagens. O Manoel deverá procurar um psicoterapeuta para o auxiliar a recuperar a sua auto-estima e compreender porque se interessou e envolveu com alguém que não estava disponível e que continua a manipular os seus sentimentos, para poder trabalhar no sentido de alterar o seu padrão relacional.

  73. Hoje estamos juntos, mas não sinto paz, eu queria que desse certo, mas sei que nunca vai da, pois não tem confiaça, então o melhor é terminar, não onsigo trabalhar esperando ela me ligar, entrar na net e falar comigo, só de pensar em não ouvir a voz dela, receber o carinho dela, pensar que ela vai namorar outro, fazer carinho e tudo de bom com outro, me comparar a ele, falar mal de mim eu morro, então não sei se estou com ela por amor, ciumes, possessão e por ai vai, minha estima to sem e amor proprio tb, me ajude.

  74. Primeiro contato com o tema. Excelente. Como devo proceder para pedir orientacao? email ou diretamente nesse site?

    • Paulo, se deseja o contacto para marcar consulta, este está disponível no site na rubrica contacto, poderá fazê-lo por email ou pelo nº 96 384 35 79

  75. Dr Rui
    Obrigada pelo artigo, não conhecia o termo mas de imediato me identifiquei com o que descreveu. Namoro à cerca de 3 anos e meio, com um rapaz impecável. No inicio a nossa relação era normal, e nos dois primeiros anos eu sentia que tinha o controlo da relação, “que ele era meu para sempre”. Só que neste ultimo ano, o meu parceiro começou a dar mais importância a tudo o resto(amigos, festas,café,futebol,etc.) e a colocar-me em ultimo plano. Senti que o estava a perder, que a culpa era minha que não tinha dado valor ao que ele tinha feito por mim e tornei-me numa pessoa co-dependente. Não consigo viver o dia-a-dia sem sentir uma dor no peito, deixei de sair para estar com os meus amigos, deixei de sorrir e de ter prazer na vida, só consigo pensar no dia em que o meu namorado vai voltar a ser como inicialmente. Esta minha dependência ainda piorou mais a nossa relação, quase que não há dialogo entre nós. E quanto mais eu tento mais o meu namorado diz que estou a fazer pressão sob a nossa relação e que o estou a deixar sufocado. Ele não acabou ainda comigo porque acho que gosta verdadeiramente de mim, fui a única namorada que ele teve. Mas não sei se vai aguentar muito mais tempo, nem sei o que é que ele está a pensar de tudo isto neste momento. Não sei como lidar com a situação. Mas o silencio e a indiferença dele estão a matar-me.
    Ajude-me a entender o que se passa com ele.
    Por favor ajude-me.

    • Carolina, o seu namorado deverá estar a sentir uma enorme pressão da sua parte devido a insegurança que se instalou dentro de si. Essa razão não me parece todavia suficiente para que ele deixe de dialogar consigo relativamente às suas necessidades de afecto e investimento na vida do casal. Mas se o tenta controlar ou pressionar sobre os sentimentos que tem por si para se sentir mais segura, ele provavelmente irá afastar-se ainda mais. Procure investir nos seus interesses individuais e ganhar algum espaço na relação para que ele a possa procurar. Aconselho-a a procurar ajuda terapêutica para melhorar a sua auto-estima e poder lidar de forma mais eficiente com as questões relacionais.

  76. Gente ,eu só entendo co-dependencia de pais para filhos outro grau eu já acho gostar de sofrer.vc tem um filho uma pessoa que nasceu de vc ,parte sua por ela dou a vida por outra pessoa não. por isso não entendo.

  77. Boa Noite Srº Rui, tudo bem?

    Li sua matéria e a julgo linda, bem clara e ao mesmo tempo ESTIMULA A AÇÃO.

    Sou jovem, 22 anos porém sou HOMOSSEXUAL.
    Minha familia sabe!
    Comecei a namorar faz 4 meses ( meu primeiro namorado)….essa pessoa sempre foi muito sensivel, amoroso…me tratava e trata como um PRINCIPE!!
    Adorava..me encantava o jeito dele….mas sempre neguei a demonstrar sentimentos com o MEDO TERRIVEL DE VIR A SOFRER….sendo assim de maneira indireta aproveitava desse sentimento que ele tinha por mim!!!!….

    Até que teve um dia que eu o HUMILHEI DE FORMA INDIRETA…apenas para provocar a IRA dele e ve-lo ciumento….mas ele voltou-se contra mim…brigamos feio…e pela primeira vez ele TERMINOU COMIGO.

    Fiquei arrasado!!! Destruido!! pensei que ia ficar louco em uma semana…..emagreci 2 kg…fiquei praticamente vegetando.
    Fui atras dele…me arrependi e pedi perdao pelo meu jeito…e decidi que iria mudar…DEMONSTRAR MEU SENTIMENTOS…ELE ME ACOLHEU E HJ ESTAMOS JUNTOS.

    Mas ja pensei em varias vezes em terminar e sair correndo…pq sei que sinto uma dependencia dele….preciso ouvi-lo constantemente que ele me ama…ele é muito amoroso…mas sou insaciavel…….nao sei se seria ”co dependencia” o meu caso….mas eu sou viciado…do jeito que ele me trata….é como se o carinho dele fosse determinante para o meu animo….para o meu dia ficar bem…..nao consigo separar isso….nao consigo ficar o dia todo sem pensar nele..aguardando uma msg sua….e ao mesmo tempo ficando meio neurotico..pensando em um monte de coisa, tais como: e se ele nao gostar mais de mim? nao é melhor terminar e sofrer agora do que depois? ….melhorei muito meu jeito com ele…demonstro mais afeto…carinho…..mas falho as vezes…sou meio rispido..grosso….pois penso que no fundo ele vai se aproveitar do meu amor!!!!!……

    Nao nasci para ser humilhado….sou jovem..inteligente…belo (ja fui modelo)…..mas por dentro esta uma guerra dentro de mim…..ao mesmo tempo que quero ser o mais natural e amoroso possivel….sinto que algo me freia…..sem mencionar a dependencia de ouvir ele dizer que me ama…os elogios e etc….

    Esta torturante….nao quero viver dia apos dia assim….esperando sempre o amor dele…e aprovação dele….e por mais que eu reconheça meus atributos …as vezes nao me convence…e fico vulneravel.

    Mas uma coisa tenho por mim…..me sujeitar a muitas coisas como ja vi pessoas…isso jamais….pois se eu perceber que ele esta se aproveitando de mim….mudo totalmente …fico frio…guardo rancor e magoa no coração…sem falar que sou vingativo e o farei sofrer muito por isso!!!!!

    Estou totalmente confuso….quero viver um amor tranquilo…ele esta tranquilo pq vejo isso…mas eu nao estou….por isso meu humor fica oscilando….pois estou com essa maldita dependencia dele….

    Ajude-me

    • Olá Adelson, já reparou que está completamente dependente da resposta do seu namorado para sentir amor por si próprio. Esta situação de co-dependência deixa a pessoa completamente refém da outra e do seu comportamento que poderá ter motivações muito diversas da nosso comportamento na relação ou mesmo do que nós somos e significamos para aquela pessoa. Procure gostar mais de si e compreender que não precisa da expressão do afecto do seu companheiro para se sentir melhor consigo mesmo. Isto não implica que não seja importante a expressão do afecto na relação, claro que sim, o problema reside na pessoa só se conseguir sentir bem consigo mesma quando o outro a reconhece e valida. A orientação homossexual tem normalmente um impacto negativo na auto-estima porque as pessoas se sentiram diferentes do padrão normativo da heterossexualidade desde cedo e com frequência sentem-se rejeitadas e descriminadas por essa razão, sofrendo não só da homofobia da sociedade mas mais grave a homofobia internalizada ao longo do processo de desenvolvimento. A psicoterapia é uma boa ajuda para reforçar a auto-estima e a resolução destes conflitos internos não só gerados pela orientação sexual e por vezes não sentidos de forma consciente, como outros derivados de outro tipo de relações e acontecimentos ao longo da vida. Tente valorizar não só os aspectos positivos de você mesmo como os da relação. Afinal o seu namorado parece gostar de si tal e qual você é, e esta pressão que está projectando sobre ele poderá pôr em risco a relação.

  78. Olá Rui. Já tinha explanado o meu problema mais acima em 2010. Venho aqui agora dizer a todos que consegui. Me separei já faz mais de um ano, sofri com chantagens emocionais, perseguições e até agressões. Mas não consegui sozinha, foi graças a esse artigo e principalmente a minha terapeuta. Já não tenho aquele aperto no peito e aquela tristeza no olhar. Hoje estou bem, fazendo cursos novos, cuidando de mim, estou vaidosa, me sinto linda como mulher…durante esse tempo não tive relações sérias pq não estava preparada, mas hoje estou apaixonada e feliz…lembro do que passei como uma lição de vida, fiquei mais forte, sinti-me mais madura e sei que não quero mais o que vivi. Hoje sorrio muito de mim mesma, dos meus erros…força a todos. E obrigada Rui…abraços.

  79. Viva Rui, neste momento já tenho consciência que muitas vezes em idade adulta, procurei relações que dependiam do meu empenho para existirem. Estou a passar o momento de angústia e de desprezo por mim própria, o remorso de me afastar do meu caminho. Sinto-me vazia, mas reconheço que já me sentia assim antes desta relação começar. Pensei que passar alguns anos sem namorado que me validava as razões do meu retiro. Iniciei psicoterapia em 2006 (cerca de 2 anos) com o pretexto de encontrar motivação profissional, sem saber bem se o que me frustrava era não ter namorado ou não ser realizada profissionalmente. Deveria ter continuado mas achei que tinha as ferramentas necessárias para poder encontrar equilíbrio. Gosto de acreditar que tudo é possível quando se gosta. O meu desinteresse e inércia são assustadores. Tudo piora quando tenho um relacionamento. Estou obviamente desmoralizada e penso demais nas coisas menos importantes. Acho que sou uma fraude e que no fundo tenho medo de ser eu própria. Sem meter companheiros à mistura, porque sei que este insucesso é meu e só sentido por mim, gostaria de saber existem pessoas com este tipo de perfil que mudam o suficiente para gostarem delas?
    Cumprimentos

  80. Sou psicóloga, recém-formada, e desde os 17 anos namoro uma pessoa que, ao longo do tempo, desenvolveu a dependência química. Terminamos diversas vezes e acredito que não desenvolvi os estágios mais graves de codependencia por termos ficado tempos afastados. Hoje ele está internado há 6 meses e está muito bem, como nunca esteve antes. Voltamos. Planejamos uma vida juntos que tem tudo para dar certo, ou para dar errado. Tenho fé em Deus e a psicologia ao meu favor, mas lendo os depoimentos e relatos sinto que devo me preparar para tudo. Amo e quero ajuda-lo, pensamos em ter filhos e tenho medo dele ter recaídas e envolver filhos nos nossos erros. Sinto-me motivada, mas as vezes perdida. O que devo fazer? Rui adorei seu site. Parabéns pela iniciativa de ajudar as pessoas distribuindo seus conhecimentos a todos nós. Moro no interior de São Paulo e foi muito bom a oportunidade de conhecer seu trabalho. Obrigada.

    • Maiara, parece-me lógico que perante a recuperação do seu namorado tenha esperança de recuperar a relação com este. Afinal o trabalho em psicologia é precisamente acreditar que é possível a mudança e a recuperação. Procure fazê-lo de forma gradual, com expectativas adequadas à situação, valorizando e reforçando os aspectos positivos da recuperação não só do seu namorado como da relação. Contudo, antes de decidir ter filhos procure deixar que a relação e a recuperação do seu namorado se consolide de forma a sentir-se mais segura para tomar uma decisão tão importante para ambos.

  81. Rui,
    Percebi que com toda experiencia que possui consegue dar otimas dicas ou conselhos as pessoas.
    Sou uma mulher de 38 anos, fui casada durante 18 anos, tenho 2 filhos um de 8 anos que esta comigo e um de 16 que esta com o pai. Nos separamos por brigas e ele ser dependente da familia para tomar decisões e eu nunca concordei até que ele uma dia foi embora isto fazem 7 meses.
    Sou bipolar, tenho depressão e após ler descobri que sou co dependente tb. choro muito faço tratamento psiquiatrico mas as medicações parecem não fazer efeito mais…choro muito e quando começo tomo calmante para passar esta fase ja que tenho que cuidar do meu filho de 8 anos mas meu desejo e de ficar deitada o tempo todo.
    nao possuo nenhum vicio , hum digo alcool ou fumo. tentei o suicidio por 3 vezes e a ultima vez foi em 30 de setembro de 2011.
    abraços.

    • Cara Sónia compreendo o seu sofrimento derivado da doença bipolar, contudo têm sido conseguidos avanços consideráveis no tratamento desta doença que proporcionam bem-estar e instabilidade à pessoa. Não seria conveniente procurar a opinião de outro psiquiatra e procurar uma alternativa à mediação que está a tomar? A psicoterapia também poderá ajudar neste processo na identificação de factores psicológicos que possam estar na origem desta perturbação do humor.

  82. Olá Rui, preciso muito de um conselho seu:
    Tenho um caso c\ um homem casado há 1 ano, ele nunca me prometeu nada, mas como estou perdidamente apaixonada por ele não consigo me afastar. Mas isso tá me levando p\ um abismo, ele é bem mai velho que eu, é percebo que o nosso lance p\ ele é apenas sexo, queria muito tomar uma decisão, me declaro p\ ele apesar de achar que ele já sabe dos meus sentimentos ou termino tudo?. Me ajude , por favor.

    • Marcia se o seu desejo é ter uma relação que vai para além do envolvimento sexual naturalmente será melhor expressar esse desejo e lidar com a resposta da outra pessoa em lugar de ficar refém duma relação que não vai ao encontro do que pretende e do que sente.

  83. Rui, é estranho viver neste dilema de amor e ódio… de cuidar e deixar que “se mate” sozinho…Meu Deus.. vivo isso a 17 anos, casada a 1 ano e 5 meses.. imaginando e acreditando que as coisas seriam diferentes… que meu marido cresceria e deixaria este vício em cocaína.
    Rui, cada dia mais ele está ausente, vive em bar, vive me diminuindo em palavras, com ciúmes de tudo e todos, me proibe de ver e ficar com minha mãe, com minhas amigas… eu sei que ele faz isso pois cedi em algum momento de minha vida. Mas, a minha pergunta é: Tem jeito de eu me impor, ele me respeitar e assumir que precisa de ajuda?
    Eu trabalho, sou um leão no trabalho, mas, em casa pareço um gato mal tratado com o rabo entre as pernas… com medo de tudo.. evitando dizer o que penso para não ter brigas… mas, quando ele quer brigar, ele inventa motivos tolos para sair e se drograr.
    Será que a saída é apenas a separação? Ou é possível ser feliz impondo limites e encontrando o equilíbrio do meu amor proprio?
    Obrigada,

    • Renata no seu caso não me parece haver saída para uma dinâmica que se arrasta há tanto tempo e em que é o seu marido que lhe impôe limites, isola-a dos seus amigos e familiares e a maltrata. Deverá recorrer a ajuda terapêutica para lidar com uma situação em que existe um vínculo tão forte decorrente dos anos da relação e abdicação de si própria em favor do seu marido.

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