A Defesa do Perfeccionismo

Caro Rui,
Sou uma jovem de 28 anos o meu companheiro tem 29, conhecemo-nos desde os 11 anos de idade, temos uma amizade muito bonita, só namoramos à 8 anos e vivemos juntos à 4…parece uma escala cronológica:-)
A questão é: eu tenho receio de ter parametros demasiados altos e do meu companheiro não conseguir estar à altura dos mesmos… ou sou eu que inconscientemente estou arranjar desculpas para que o meu companheiro não tenha que dar o litro na nossa relação… sou demasiado exigente por desejar o melhor para mim ou demasiado irrelalista por não conseguir simplesmente desfrutar do que ele tem de bom???

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Deixa-me Entrar

Parece-me que ninguém poderá ficar indiferente ao magnífico filme sueco Deixa-me Entrar. Realizado por Thomas Alfredson e escrito por John Ajvide Lindquist, Deixa-me Entrar conta a história de Oskar, um rapaz de 12 anos, ostracizado por um grupo de colegas de escola que se apaixona por Eli, uma menina vampira com 200 anos. Eli vai ajudar Oskar a ultrapassar os seus medos, a crescer, a ficar mais forte e confiante, ao ponto de conseguir enfrentar a crueldade dos colegas. Oskar oferece a Eli a aceitação e o afecto por alguém que não se pode mostrar à luz do dia, que se alimenta do sangue dos outros e cuja natureza parece impossibilitar a relação amorosa. Continuar a ler

Amor, Destruição e Transcendência

Na cultura ocidental a ideia do amor é muitas vezes conotada com uma dimensão trágica e uma dimensão transcendental. Estas dimensões estão relacionados com o lado destrutivo do amor ou com a ideia da morte oposta ao amor enquanto expressão maior da vida. A mitologia grega talvez represente da melhor forma estes princípios que ainda hoje se encontram enraizados na nossa forma de ver as relações amorosas. Afinal foi a beleza encantatória de Helena que levou Páris a apaixonar-se, a raptar Helena e a ser perseguido por mil navios que deram origem a uma longa guerra que o levou à  morte bem como à destruição de Tróia. Continuar a ler

A Co-Dependência, Amor ou Maldição?

A entrega incondicional na relação amorosa desde há muito que se tornou um arquétipo universal, cantado pelos poetas, empolado nos romances e ilustrado no cinema ou no teatro em cenas dramáticas que nos comovem a todos, tal é o nosso desejo de sermos assolados por um  sentimento amoroso tão avassalador.

Na realidade, a entrega sem limites ao outro tem consequências nefastas para o próprio e revela diversas fragilidades justificadas pela intensidade do sentimento amoroso. Gradualmente a pessoa anula-se na relação para poder servir os interesses da pessoa amada, funde-se com ela chegando mesmo a perder a sua própria identidade, enquanto reclama não sentir da outra parte o mesmo empenho e devoção. Continuar a ler