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	<title>Rui Ferreira Nunes &#187; relação</title>
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	<description>Psicoterapeuta</description>
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		<title>Rui Ferreira Nunes &#187; relação</title>
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		<title>Depois da Infidelidade</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Mar 2012 10:57:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O impacto psicológico causado pelas situações de infidelidade leva muitas pessoas a procurar a terapia de casal e a terapia individual para tentar ultrapassar as feridas abertas pela quebra das expectativas sobre o outro e sobre a relação. A definição &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2012/03/14/depois-da-infidelidade/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=178&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O impacto psicológico causado pelas situações de infidelidade leva muitas pessoas a procurar a terapia de casal e a terapia individual para tentar ultrapassar as feridas abertas pela quebra das expectativas sobre o outro e sobre a relação.</p>
<p>A definição de infidelidade inclui duas componentes comportamentais: 1. Um dos parceiros envolve-se com um terceiro em comportamentos de cariz sexual que violam de forma explícita ou implícita as expectativas da relação; 2. Um dos parceiros envolve-se com um terceiro em comportamentos de natureza não-sexual tais como partilhar tempo, sentimentos e pensamentos que violam de forma explícita ou implícita as expectativas da relação.</p>
<p><span id="more-178"></span></p>
<p>Em qualquer dos casos, a definição de infidelidade caracteriza-se, <span style="color:#333333;font-style:normal;line-height:24px;">de forma explícita ou implícita, </span>pela quebra do compromisso acordado por ambos os membros do casal. A natureza do compromisso e a forma subjectiva como é assumido e sentido é por vezes a primeira questão que se levanta num cenário de infidelidade. Muitos casais não discutem o compromisso esperado e possuem percepções diversas sobre os comportamentos aceitáveis na relação com terceiros. Contudo, são de facto os comportamentos claramente não expectáveis que produzem situações de maior risco para a relação nomeadamente quando uma das pessoas é surpreendida com a evidência da quebra do compromisso e a forma como este se transforma numa situação de clara agressão e violação do parceiro.</p>
<p>As razões que levam a situações de infidelidade são múltiplas e incluem sempre uma componente relacional, ou seja a quebra do compromisso é derivada duma dinâmica em que o parceiro assume ou assumiu um papel visto pelo outro como passível de ser violado. Por exemplo, relações em que as pessoas têm pouca intimidade ou em que uma assume um papel cuidador e parental em relação ao outro, levam por vezes um dos membros a procurar preencher as suas necessidades emocionais e sexuais fora da relação. Factores culturais e sociais podem ter um peso relevante nas situações de infidelidade. Experiências sexuais fora da relação são por vezes encaradas como aceitáveis pelo seu cunho clandestino e transgressor por oposição ao carácter estável, social e moralmente adequado às necessidades do sujeito e ao seu enquadramento familiar. Obviamente que esta análise é circunscrita aos padrões observados nas sociedades ditas ocidentais e não pode ter a mesma aplicação em culturas que encaram a fidelidade de forma manifestamente diversa.</p>
<p>Não obstante, a estrutura psicológica individual é um factor preponderante nos cenários de infidelidade. Excluídos os casos do foro patológico, as dinâmicas relacionais reflectem sempre a forma como as pessoas são diferenciadas e capazes de assumir o compromisso com o outro. A história familiar e de desenvolvimento têm um peso determinante na construção dos padrões interpessoais, na reprodução de padrões relacionais experienciados no passado ou na projecção na outra pessoa de aspectos de si próprio não resolvidos. Por exemplo, a falta de validação e gratificação narcísica durante o crescimento poderão levar a uma desvalorização do vínculo afectivo com o parceiro e à procura dum elemento exterior à relação com funções excitatórias ou mágicas sentidas como reparadoras de falhas no desenvolvimento do indivíduo.</p>
<p>O plano de tratamento pós-infidelidade no contexto da terapia de casal pode comportar diferentes objectivos. Os membros do casal podem estabelecer como objectivo recuperar a relação e terminar de imediato o caso extra-conjugal se este ainda não estiver terminado. O casal pode também optar por um plano ambivalente, neste caso o objectivo é clarificar o futuro da relação e do <em>affair</em>. Por último, ambos os membros do casal podem desejar terminar a relação e o objectivo da terapia é a separação nas melhores condições possíveis. Em qualquer das situações o terapeuta compromete-se com ambos os parceiros em não ocultar do outro nenhum dos aspectos confidenciados em sessões individuais e em colaborar no sentido de promover o bem-estar do casal.</p>
<p>Neste sentido, a terapia procura defender ambos os membros do casal de ameaças ou acções que possam magoar o próprio ou o outro. São verbalizados as razões e os sentimentos decorrentes do caso extra-conjugal com respeito e consideração pelo parceiro. Procura-se avaliar o impacto psicológico do <em>affair</em> em ambos os membros do casal e desenvolver intervenções com vista a resolver e a aliviar os sintomas detectados, que no caso da vítima podem compreender sintomas de stress pós-traumático e ou depressão. São exemplos destas intervenções, desenvolver estratégias para lidar com pensamentos intrusivos relativos ao <em>affair</em> experienciados pela vítima, promover formas de expressão dos sentimentos e compreensão pelo ponto de vista do outro.</p>
<p>Uma vez que estejam identificados os factores que conduziram à situação de infidelidade e definidos os objectivos da terapia, o casal enceta um projecto de mudança na relação em que se procura estabelecer individualmente os aspectos a alterar com vista a promover a recuperação da relação ou eventualmente a optar pela separação.</p>
<p>As crises provocadas por situações de infidelidade, apesar de muito dolorosas, são muitas vezes oportunidades para o casal repensar o projecto de relação e confrontar-se com mudanças individuais que implicam o crescimento emocional de ambos os parceiros. A co-responsabilização das situações criadas e a capacidade para aceitar os erros cometidos são passos decisivos para restabelecer uma relação mais significativa e duradoura. Uma melhor compreensão das nossas vulnerabilidades e a possibilidade de as poder partilhar com o outro reforça a intimidade do casal e promove uma visão mais realista da vida conjugal.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=178&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Restless, Redenção</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 11:45:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A palavra Restless que dá título ao último filme de Gus Van Sant é difícil de traduzir em português, embora a tradução oficial do filme optasse por Inquietos numa derivação correcta de Inquietude ou Inquietação. Inabilidade para estar parado, agitação &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2011/12/15/restless-redencao/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=153&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A palavra <em>Restless</em> que dá título ao último filme de Gus Van Sant é difícil de traduzir em português, embora a tradução oficial do filme optasse por <em>Inquietos</em> numa derivação correcta de Inquietude ou Inquietação. Inabilidade para estar parado, agitação e movimento  permanente, sem nunca conseguir realmente repousar. De facto, <em>Restless</em> retrata na perfeição o estado interno quase constante dos adolescentes, mesmo quando estes aparentam estar mergulhados no mais profundo e subaquático dos mundos, alheados de toda a realidade excepto aquela que tem significado na construção das suas ilusões.</p>
<p><span id="more-153"></span></p>
<p>A adolescência é muitas vezes sentida pelos pais como um período penoso, de difícil entendimento, em que os adolescentes ziguezagueiam o controlo dos pais e surpreendem-nos com a mais destemida loucura ou doce gesto de afecto. Apesar do desconforto que sentimos, nós, os adultos, invejamos em grande medida os adolescentes. O seu lado pueril, a força bruta criativa, a ingenuidade desconcertante, a capacidade de acreditar no futuro e sobretudo, sobretudo a descoberta encantatória do amor.</p>
<p>Neste filme imperdível sobre a perda, Gus Van Sant mostra-nos dois adolescentes à procura de a resolver, encontrando nos velórios, nos locais de ritualização da morte ou na sua encenação, uma forma rebelde e criativa de negarem a evidência da sua realidade. Enoch perdeu os pais num acidente de viação em que ele ficou em coma não podendo testemunhar nem ritualizar a morte destes e Annabel sofre de um cancro com um prognóstico de três meses de vida. Tanto num caso como noutro, as figuras primordiais desapareceram ou estão completamente ausentes, como a mãe de Annabel.</p>
<p>Apesar de haver adultos por perto que os amam e tentam protege-los, Enoch e Annabel sentem-se profundamente sozinhos e desamparados no cenário árido da América de Portland. Curiosamente, um filme absolutamente comovente que traz de novo a relação amorosa ao centro do discurso cinematográfico, foi recebido de forma indiferente na América. Através da relação amorosa entre Enoch e Annabel surge a resolução da perda, o amor é redentor da sua (aparente) morte.</p>
<p>Sorrimos com os encontros de Enoch e Annabel, com a sua astúcia e autenticidade, interpretados com enorme sofisticação e realismo por Henry Hopper e Mia Wasikowska. Maravilhamo-nos com o imaginário adolescente, com o fantasma kamikaze amigo de Enoch, com a poesia das imagens de Van Sant, cuja paleta outonal reflecte os afectos encarcerados dos dois miúdos que explodem de forma inebriante na descoberta do amor.</p>
<p>Quando entram em contacto com os afectos, Enoch e Annabel não conseguem tolerar a raiva inerente à perda iminente do outro e dos sentimentos implícitos às suas próprias perdas, anteriores ao seu encontro, reveladas de forma inesperada pelo catalisador da paixão.</p>
<p>A raiva intolerável, a inquietude irrequieta e permanente, dão então lugar à aceitação. A uma aceitação da perda que só faz sentido porque é redentora, porque nos mostra internamente que o único sentido possível para a sobrevivência à morte é o significado afectivo da relação. Tal como no filme, a redenção da perda traz para junto de nós, outra vez, quem nós mais gostamos e quem gosta de nós e reorganiza o nosso real de forma mais significativa.</p>
<p>Apesar de Annabel morrer, Enoch já não está sozinho. Está acompanhado pelos outros e pelo amor de Annabel. Quando discursa na cerimónia fúnebre que ele tão bem preparou, nada consegue dizer&#8230; Não é preciso, todos percebemos que em certos momentos, não conseguir falar, tem mais significado que qualquer palavra.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=153&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Pecado da Bissexualidade</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 07:58:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Consultório online]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[bissexualidade]]></category>
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		<category><![CDATA[relação]]></category>
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		<description><![CDATA[Tenho 25 anos e tive até hoje duas namoradas, sendo que a última, o namoro durou por 6 meses. Durante toda a minha vida tive relações sexuais com homens sendo que a partir dos 16 anos comecei a ser ativo &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2011/12/13/o-pecado-da-bissexualidade/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=140&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Tenho 25 anos e tive até hoje duas namoradas, sendo que a última, o namoro durou por 6 meses. Durante toda a minha vida tive relações sexuais com homens sendo que a partir dos 16 anos comecei a ser ativo e passivo ao mesmo tempo. Nessa fase de adolescente foi muito complicado para mim pois pensava em sexo quase que constantemente, sendo isso normal nessa fase da vida.</p>
<p><span id="more-140"></span></p>
<p>Aos 16 anos me envolvi com pessoas muito mais velhas do que eu sendo que a diferença era de mais ou menos uns 30 anos. Nossas relações eram intensas, ainda mais para mim com 16 anos de idade. No entanto essas relações para mim eram erradas. Assim me envolvia, sendo que depois ficava completamente arrependido. Mas não adiantou. Depois desse veio os outros e outros.</p>
<p>Sendo que com 22 anos tive minha primeira namorada. Mesmo assim tive relações com homens estando com ela.  Achei isso horrível. Esse namoro durou por 2 anos. Sendo que agora com 25 anos tive uma outra namorada, esse namoro durou 6 meses. Tudo isso porque ela descobriu alguns telefones de pessoas que ela não ficou sabendo se eram de homens ou mulheres. Mas é claro eram de homens.</p>
<p>Bom sempre pensei em construir uma família normal sendo eu com minha esposa e um filho, um desejo enorme que tenho. Então penso que gosto de mulheres sim. E realmente gosto. E gostaria de que esse sonho de constituir família se realizasse. No entanto agora pela primeira vez em minha vida estou namorando um rapaz que é mais jovem do que eu. E de todos esses relacionamentos com homens que tive, na verdade só transa, eu nunca me apaixonei era só sexo e deu.</p>
<p>Mas agora é diferente sinto que estou gostando desse garoto de verdade e ele de mim. Tanto que se um dia ele não fala comigo penso que ele não me quer mais. É um namoro discreto do qual só a mãe e irmã dele sabem. Minha família não sabe ou apenas se fazem que não sabem. E isso me preocupa muito.</p>
<p>Principalmente minha mãe. Mas não é só isso, desde pequeno fui ensinado, embora não seguisse o que me fora dito, que ter esses tipo de relações é pecado. E isso realmente tenho convicção. Para mim isso é o certo. Tanto que era por isso que me arrependia quando fazia sexo com homens desde cedo. Bom isso me atormenta. Sonho em ter uma família com esposa e ao mesmo tempo gosto dessa pessoa que mencionei e ao mesmo tempo minha consciência me acusa. Por favor que eu faço? me ajude por favor, me dê um conselho. Estou vivendo uma vida dupla que me trás angustias. Bom acho que é isso. Obrigado!!!</p></blockquote>
<p>O Renato descreve duas partes de si próprio que não têm de ser necessariamente incompatíveis mas que têm estado associadas a ideias e comportamentos diferentes. Até conhecer recentemente um rapaz jovem por quem se enamorou, o Renato viu sempre o sexo com homens separado do envolvimento afectivo, descrevendo a função desta experiência como libertadora duma tensão que quase não conseguia tolerar. Procurou homens mais velhos, o que para si parece ter evitado maior conexão emocional. As relações de afecto estariam então reservadas para as mulheres, o que parece associado a um padrão de família, derivado do desejo de ser pai e talvez também de ser aceite pelos outros (sociedade). Contudo, manteve a separação entre a vida afectiva com as suas namoradas e a sua vida sexual que era partilhada com outros homens. O conflito surge quando o Renato se envolve emocionalmente com um rapaz e uma rapariga, e a separação entre sexo e afecto que imprimia um cunho clandestino e transgressor à sua parte homossexual deixa de fazer sentido. Resta-lhe agora escolher o que deseja para si, assumir a relação com a pessoa com a qual se sente melhor e com a qual antecipa uma vida mais autentica ou optar por uma relação que vai ao encontro do que é sentido como as expectativas sociais e o desejo de constituir família. Renato, o sexo com homens não é pecado, nem é uma doença. os homens e as mulheres, somos todos pessoas, capazes de estabelecer relações com afecto e  significado entre si. A atracção sexual é determinante para a construção da relação íntima, mas esta só faz sentido se eu sentir que sou congruente com as minhas escolhas, ou seja que escolho uma pessoa que está em consonância com o que eu sinto e assumo internamente para mim e não para os outros.</p>
<blockquote><p>Ola!!! Fiquei muito feliz de o senhor ter lido meu e-mail e mais de ter me dado uma resposta coerente e que pode sim me ajudar. Sou muito grato por sua ajuda. E gostaria sim que o senhor publicasse meu comentário e sua resposta no site. Novamente agradeço por tudo.E desejo que o senhor continue ajudando as pessoas que passam por conflitos. Abração!!!!</p>
<p>Renato</p></blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=140&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Defesa do Perfeccionismo</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Dec 2010 16:40:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[relação]]></category>

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		<description><![CDATA[Caro Rui, Sou uma jovem de 28 anos o meu companheiro tem 29, conhecemo-nos desde os 11 anos de idade, temos uma amizade muito bonita, só namoramos à 8 anos e vivemos juntos à 4…parece uma escala cronológica:-) A questão &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2010/12/16/a-defesa-do-perfeccionismo/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=53&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>
Caro Rui,<br />
Sou uma jovem de 28 anos o meu companheiro tem 29, conhecemo-nos desde os 11 anos de idade, temos uma amizade muito bonita, só namoramos à 8 anos e vivemos juntos à 4…parece uma escala cronológica:-)<br />
A questão é: eu tenho receio de ter parametros demasiados altos e do meu companheiro não conseguir estar à altura dos mesmos… ou sou eu que inconscientemente estou arranjar desculpas para que o meu companheiro não tenha que dar o litro na nossa relação… sou demasiado exigente por desejar o melhor para mim ou demasiado irrelalista por não conseguir simplesmente desfrutar do que ele tem de bom???</p>
<p><span id="more-53"></span><br />
Costumo pensar pra mim mesma que ele tem “material” para marido e consigo facilmente imaginar-me casada com ele (não sou católica, acredito racionalmente no compromisso do casamento, na dedicação ao outro) o meu cérebro sabe que ele é perfeito e será o melhor pai que eu poderia escolher para os meus filhos, mas a minha alma está constantemente a pedir-me para ser amada alimentada… com atenção, com carinhos, com palavras.. são coisas de mulher ou é um sentimento honesto???<br />
Às vezes chego a sentir-me envergonhada comigo mesma por ter um homem tão bom e ainda estar a “exigir” que ele seja romântico e sensivel, mas outras sinto-me revoltada por saber que está ao alcance dele “dizer que me ama” e que não o faz por opção.</p></blockquote>
<p>Olá Sofia, a problemática que descreve tem a ver com a Sofia colocar a fasquia demasiado alta para si e para o seu companheiro. Por outras palavras, a Sofia tem um lado perfeccionista que normalmente resulta do desejo de que os outros gostem de nós porque não gostamos suficientemente de nós mesmos.</p>
<p>O que está subjacente a esta defesa é qualquer coisa como: se eu for perfeito vão seguramente gostar de mim ou será quase impossível não gostar de mim, logo eu terei a atenção e validação de que estou carente. Por essa razão, na última parte do mail, a Sofia deseja que o seu companheiro expresse o amor que tem por si e que seja romântico e sensível. A Sofia procura que o seu companheiro a veja emocionalmente e demonstre gostar de si para que a Sofia se sinta melhor consigo mesma.</p>
<p>Repare, com tantos anos de relação ainda não está segura dos sentimentos do seu companheiro por si? Ou precisa que ele os demonstre continuadamente? Por outro lado, esta estratégia agradativa é expressa através dum desejo omnipotente porque obviamente ninguém é perfeito, e como tal, para além de ser uma forma de pressão sobre si própria e a relação, acaba normalmente por em algum momento fracassar, quanto mais não seja pela ansiedade que produz.</p>
<p>A procura da pessoa perfeita não é mais do que uma projecção da sua nossa própria vontade de sermos perfeitos, porque na verdade nos sentimos demasiado imperfeitos. A fantasia do companheiro perfeito pretende preencher o vazio afectivo que resulta da falta de gratificação narcísica durante o crescimento. Contudo, esta defesa acaba por impedir uma melhor aceitação das vulnerabilidades do outro como as de nós próprios, dificultando o compromisso com o outro e a construção da intimidade. O outro nunca parece ser suficientemente bom porque eu idealmente gostaria de ser perfeito e estar em relação com uma pessoa perfeita que reforce a minha idealização. Desta forma, estabelece-se uma insatisfação constante com o próprio e com o outro, destrutiva tanto do eu como da relação.</p>
<p>Procure amar-se a si própria e ao seu companheiro sem ter que medir o amor através das qualidades infinitas dum marido ideal que não é mais do que uma projecção do seu eu ideal. Afinal todos somos bastante imperfeitos e não é isso que nos impede de amar e ser amados!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=53&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Construir a Intimidade</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2010/10/14/construir-a-intimidade/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Oct 2010 12:53:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[diferenciação]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[intimidade]]></category>
		<category><![CDATA[proximidade]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>

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		<description><![CDATA[A intimidade parece ser algo evidente e intrínseco à relação de maior proximidade. Contudo é frequente observar a dificuldade das pessoas com a proximidade emocional. Alguns casais podem estar juntos durante anos com pouca ou nenhuma intimidade ou mesmo proximidade. &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2010/10/14/construir-a-intimidade/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=49&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A intimidade parece ser algo evidente e intrínseco à relação de maior proximidade. Contudo é frequente observar a dificuldade das pessoas com a proximidade emocional. Alguns casais podem estar juntos durante anos com pouca ou nenhuma intimidade ou mesmo proximidade. Embora a intimidade implique proximidade, estes dois conceitos são diferentes.<span id="more-49"></span></p>
<p>A dificuldade com a proximidade está relacionada com o aparente conflito entre duas forças vitais inerentes à estrutura psicológica do indivíduo: a persecução da individualidade/ identidade próprias e a necessidade de proximidade com o outro e consequente sentimento de pertença ao grupo.</p>
<p>Para algumas pessoas a proximidade com o outro parece pôr em risco a sua individualidade. O receio de serem controlados pelo outro, anulados na relação ou mesmo sintomas mais arcaicos como o medo de serem engolidos ou abandonados pelo outro (medo da morte) levam estas pessoas a sabotar as relações ou a procurarem constantemente defenderem-se de maior  proximidade mesmo quando estão em relação.</p>
<p>A capacidade para estarmos próximos de alguém está directamente relacionada com a diferenciação do indivíduo. Este conceito foi desenvolvido pelo teórico de terapia familiar Murray Bowen e posteriormente actualizado na perspectiva da relação entre intimidade e sexualidade por David Schnarch. A diferenciação implica a capacidade para separar os sentimentos dos pensamentos e agir de acordo com um equilíbrio entre o que sentimos e o que objectivamente pensamos sobre a nossa realidade e a dos outros.</p>
<p>A diferenciação entre o que sentimos e pensamos resulta da forma como nos diferenciamos da nossa família de origem e reflecte-se na forma como nos interrelacionamos. Os indivíduos cujas famílias não estimularam a autonomia emocional e pensamento próprio possuem menor diferenciação e tendem a estar em relações de fusão e dependência. São as pessoas que têm dificuldade em emitir opiniões próprias, a confundir o que pensam com o que sentem, a agir em conformidade com os outros ou a assumir uma pseudo-independência agindo em contra-corrente. Os indivíduos diferenciados são os capazes de emitir opiniões próprias, separar o que sentem do que pensam, tolerar a sua ansiedade porque conseguem reflectir sobre ela. Estas são as pessoas que podem estar próximas das outras sem recear perder a sua individualidade. São as pessoas que não se sentem alienadas ou zangadas se o outro não concorda com elas tal como não sentem receio de contacto e consenso com o outro.</p>
<p>Nas famílias pouco diferenciadas o pai senta-se sempre na mesma cadeira à mesa para ser reconhecido enquanto figura de autoridade. A sua identidade está dependente da relação que os outros lhe auferem. Nas relações pouco diferenciadas cada um é suposto ter um lugar que define o seu papel e a sua identidade. Na família tradicional portuguesa, o homem era suposto sustentar a família e essa condição (entre outras) permitia-lhe ter mais poder em relação à mulher que se acomodava ao papel de mãe e dona de casa. Esta relação de poder tornava o homem frequentemente mais distante da mulher que procurava poder e compensação afectiva na protecção e controlo dos filhos e na influência indirecta nas decisões do marido.</p>
<p>Nesta situação todos os membros da família se definiam e tentavam validar-se através da relação ficando reféns da resposta dos outros membros. A intimidade fica neste caso comprometida porque cada pessoa  fica dependente de como o outro reage o que se torna particularmente difícil em momentos de tensão.</p>
<p>Os casais por vezes moldam-se um ao outro para poder reduzir a ansiedade e manter as suas identidades estáveis. Nestas relações de fusão emocional quando uma das partes se torna mais forte a outra sente-se dominada ou controlada. Secretamente desejamos que a outra pessoa seja tão insegura como nós para nos sentirmos mais seguros acabando por cair numa competição velada com o parceiro(a). Quando estamos dependentes do outro acabamos por omitir ou recriar aspectos de nós próprios para podermos ter a aceitação do outro.</p>
<p>A intimidade é por vezes confundida com aceitação, validação e reciprocidade por parte do outro porque são estas funções que as pessoas procuram quando decidem revelar informação pessoal pertinente. Intimidade não é a mesma coisa que proximidade, vinculação afectiva ou cuidado do outro, embora estes factores possam e devam estar presentes na relação. Intimidade envolve a consciência de que eu sou separado do outro com partes que podem ser partilhadas.</p>
<p>A intimidade aprofunda-se quando somos capazes de nos auto-validar e como tal não recear discutir as nossas ideias com o outro ou revelarmos os aspectos mais vulneráveis de nós próprios. A intimidade implica também a noção que existe um equilíbrio de poder na relação com o parceiro(a). Este equilíbrio acontece por não nos sentirmos ameaçados pelo outro mesmo quando não partilhamos das mesmas ideias ou sentimentos. As famílias portuguesas têm evoluído neste sentido embora ainda procurem a validação através do outro, herdada do modelo tradicional.</p>
<p>Por outro lado este equilíbrio permite uma maior abertura na medida em que eu posso transformar aquilo que eu sou e aquilo que eu penso apreendendo a opinião do outro. O que eu quero para mim passa a incluir o que o outro quer para si.</p>
<p>Muitos terapeutas prescrevem a comunicação funcional para melhorar a intimidade do casal. Mas a comunicação pode acontecer sem existir intimidade. A comunicação existe nos silêncios do casal, na expectativa que o outro tem de nós quando decide já não nos ouvir, ou sequer falar. Intimidade implica a revelação de informação pessoal sem receio da resposta do outro. Muitas vezes a intimidade desenvolve-se através da confrontação de posições, da negociação da relação, da auto-validação de cada indivíduo através da revelação unilateral dos seus pensamentos e sentimentos. Segundo Scharnch, a intimidade é um processo em que simultaneamente nos confrontamos connosco mesmos enquanto nos revelamos ao outro.</p>
<p>Nas famílias e nos casais pouco diferenciados quando uma pessoa fica ansiosa a(s) outra(s) também ficam. A ansiedade torna-se contagiosa e difícil de tolerar dando por vezes origem a situações de agressividade e abuso nas relações. As pessoas diferenciadas podem modular os seus pensamentos e sentimentos e tolerar melhor a sua ansiedade, deixando prevalecer o julgamento. A capacidade para tolerar a própria ansiedade sem se sentir em risco perante o outro acaba por alargar o campo da intimidade e da possibilidade de poder aceitar e amar o outro tanto como amar-se a si mesmo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/49/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=49&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Deixámos de ter sexo</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2010/05/27/deixamos-de-ter-sexo/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 May 2010 06:09:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Consultório online]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[Chamo-me Paulo tenho 39 anos e sou casado à 8 anos com uma mulher maravilhosa, somos pais de um belíssimo filho com 6 anos. A minha esposa não tem desejo sexual e também não sente necessidade do mesmo, isto desde que o nosso &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2010/05/27/deixamos-de-ter-sexo/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=47&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Chamo-me Paulo tenho 39 anos e sou casado à 8 anos com uma mulher maravilhosa, somos pais de um belíssimo filho com 6 anos. A minha esposa não tem desejo sexual e também não sente necessidade do mesmo, isto desde que o nosso filho nasceu.<span id="more-47"></span></p>
<p>No tempo de namoro tive que me impor um pouco para que tivesse-mos relações sexuais, as quais não correram lá muito bem. Eu tenho tendência para me excitar em demasia, e na 1ª vez que tivemos relações sexuais não aguentei tanta excitação e masturbei-me antes mesmo da penetração, ela não gostou da situação pois pensava que eu estava a gozar com ela.</p>
<p>Após a 1ª experiência falhada tentamos várias vezes e eu em muitas vezes voltei a ter ejaculação precoce, no entanto com a ajuda dela a nossa vida sexual foi se acertando, até ao ponto de termos quase todos os dias relações sexuais.</p>
<p>Namoramos cerca de 1 ano e decidimos casar, passado meio ano a minha esposa engravidou e começou a ter menos desejo sexual. Após o nascimento do nosso filho o desejo sexual dela foi desaparecendo, tendo uma ou outra vez uma relações um pouco à pressa e sem qualquer vontade por parte dela, eu não, tinha sempre muita vontade em voltar a fazer sexo com a minha esposa. Nas pequenas vezes, raras, que tínhamos relações, ela queixava-se muito que tinha dores e eu com isso excitava-me que consequentemente tinha orgasmos praticamente só de ela me tocar. Passamos a não termos penetração e de tempos e tempos, muito longínquos, eu acercava-me dela e “forçava” o acto sexual. Quando digo força, insistia para que ela tivesse necessidade de ter relações sexuais comigo. Algumas vezes, poucas, a minha esposa, a muito custo, lá me ajudava a masturbar-me, e eu ficava todo contente e também lhe fazia a ela o mesmo, mas sempre contra a vontade dela. As coisas foram se alterado e eu cheguei à conclusão que não valia a pena estar a insistir, quando ela tivesse vontade ela que me procurasse.</p>
<p>Ultimamente tenho notado que ela dá mais atenção as pessoas de fora do que a mim, comecei a ficar desconfiado que ela tivesse outro parceiro e comecei novamente a apertar com ela, sendo que ela sempre me rejeitava, alegando ou que estava mal disposta ou cansada ou porque o filho estava conosco, mil e um desculpas só para não fazermos sexo. Abordei de uma forma um pouco rude, verbalmente, no sentido de voltarmos a ser um casal e não só pais do nosso filho, e após muita insistência minha ela disse-me que não se ia deitar na cama comigo só para fazer sexo, pois não tinha desejo nenhum, não tinha intenções de me servir como as meninas de boa vida fazem. Mais informou-me que já se habituou a viver sem sexo e não sente necessidade nenhuma.</p>
<p>Estou muito triste com este situação, pois eu adoro a minha mulher, e com esta situação de ela não querer ter sexo comigo, está a dar comigo em doido. Segundo ela não tem interesse em fazer sexo comigo nem com ninguém e ficou super zangada com eu desconfie dela. Ela inclusive disse-me que gosta de mim, mas que já não sente necessidade de ter sexo, não sente falta, disse que se nós por ventura nos separarmos ela não vai querer mais nenhum homem e também tem a certeza que não arranjará outro homem melhor do que eu.</p></blockquote>
<p>Caro Paulo,</p>
<p>O problema que apresenta tem alguma complexidade na medida em que a falta de desejo da sua mulher é anterior ao nascimento do seu filho e não provocada por este. A sua mulher tem um problema de sexualidade que necessita de ser investigado e que foi reforçado negativamente através da dinâmica da relação e da forma como ela sentiu (e atribuiu significado) à sua abordagem sexual bem como do nascimento do seu filho.</p>
<p>Em Portugal, devido às características culturais e sociais do país é frequente as mulheres apresentarem problemas de sexualidade relacionados com a forma como a aprendizagem da sexualidade foi feita e a ideia de que os homens tendem a instrumentalizar as relações para conseguirem ter sexo que é muitas vezes visto como uma forma de objectificação e até abuso das mulheres. Esta ideia é óbviamente uma distorção grave do que deverá ser uma sexualidade saudável no contexto da relação amorosa, em que o sexo é a expressão física do afecto que aproxima e consolida a relação.</p>
<p>Por outro lado, também é comum as mulheres instrumentalizarem a relação sexual como forma de sentirem poder na relação. A pessoa que decide sobre quando e como o casal tem sexo é óbviamente a pessoa que controla uma parte fundamental da relação. Numa sociedade ainda marcada por um certo machismo o controle do sexo era muitas vezes o único recurso das mulheres para conseguirem reinvindicar outras necessidades na relação como atenção, valorização do seu papel etc.</p>
<p>Uma relação intíma sem sexualidade é uma relação disfuncional na medida em que uma parte fundamental da intimidade do casal é negligenciada com consequências óbvias para o funcionamento da relação como por exemplo a frustração que está a sentir e que dá origem a uma resposta cada vez mais inibida da sua mulher e um afastamento do casal. Por outro lado é necessário analisar que outros factores poderão estar na origem na recusa da sua mulher que poderão ser de ordem individual e ou relacional.</p>
<p>Este tipo de problemas têm tratamento e conseguem-se obter bons resultados muitas vezes num período curto de tempo. Se a sua mulher não se quiser tratar, o Paulo terá que ponderar até que ponto deseja permanecer numa relação em que não há sexo. Uma relação sem sexo só poderá fazer sentido se ambas as pessoas quiserem essa opção, caso contrário haverá sempre algum tipo de consequências para a dinâmica do casal que levam muitas vezes à separação ou à procura de sexo fora da relação. O que seria lamentável porque vejo que gosta da sua mulher e ela de si.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/47/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=47&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A Vida Sexual do Casal</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2010/03/10/a-vida-sexual-do-casal/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 12:48:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[casal]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Muitos leitores têm colocado diversas questões relativas à sexualidade no contexto da relação, em particular as questões relativas à falta de desejo. Na sua última obra intitulada Resurrecting Sex (2002), David Schnarch,  um autor de referência na área da sexualidade &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2010/03/10/a-vida-sexual-do-casal/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=45&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muitos leitores têm colocado diversas questões relativas à sexualidade no contexto da relação, em particular as questões relativas à falta de desejo.</p>
<p>Na sua última obra intitulada <em>Resurrecting Sex </em>(2002), David Schnarch,  um autor de referência na área da sexualidade e terapia familiar, apresenta em linguagem acessível um modelo para ajudar os casais a compreender e ultrapassar os problemas sexuais.<span id="more-45"></span></p>
<p>Schnarch considera que o funcionamento sexual da relação é um reflexo da forma como nos posicionamos face à outra pessoa e da maneira como toleramos a nossa ansiedade no contexto da relação. Por outras palavras, a pessoa mais segura de si não ficará dependente da resposta do parceiro(a) para validar o seu comportamento e o seu desempenho sexual. A pessoa mais diferenciada será aquela que melhor tolera e aceita as suas fragilidades e como tal tem melhor capacidade para dialogar com o parceiro(a) sem se sentir posta em causa.</p>
<p>Por exemplo, se um dos elementos do casal depende da resposta do outro para se sentir atractivo e desejado, ficará sempre refém do comportamento do primeiro e da ansiedade que poderá sentir se este se afasta temporariamente mesmo que por outro tipo de razões.</p>
<p>A pessoa mais diferenciada tem melhor capacidade para manter-se calma e em consonância com os seus valores quando é desafiada pelo parceiro(a). A pessoa que é capaz de se confrontar consigo mesma consegue ficar menos reactiva quando o parceiro(a) fica ansioso ou provocador. A capacidade para tolerar o desconforto da diferença de opiniões permite à pessoa afirmar-se na relação, crescer e ultrapassar os problemas que possam surgir através da capacidade para aceitar que o outro é diferente dela.</p>
<p>Na obra referida, Schnarch estabelece um modelo para resolução dos problemas sexuais  dos casais organizado em três eixos fundamentais: 1) optimização da capacidade de resposta do corpo; 2) optimização da estimulação recebida e 3) optimização dos sentimentos, emoções e pensamentos, incluindo a relação com o parceiro(a).</p>
<p>A resposta do corpo está condicionada por factores fisiológicos decorrentes da idade, níveis hormonais e uma variedade de questões médicas que podem interferir no desempenho sexual. Um exame médico completo poderá identificar algumas das causas das dificuldades sexuais. Contudo, convém lembrar que o corpo não opera desligado da mente e que grande parte dos problemas sexuais têm uma componente psicológica. Até para os problemas estritamente médicos existe sempre uma resposta emocional. Nos problemas sexuais a componente emocional estará invariavelmente presente quer seja como causa ou como resultado.</p>
<p>Scharnch considera que a estimulação sexual implica que os parceiros sejam tão voluntariosos para dar prazer como para receber. O autor considera que a conexão emocional durante o sexo é um pressuposto necessário para optimizar a estimulação sexual. Dar as mãos ou olhar nos olhos durante a relação sexual pode ajudar a retomar a conexão emocional quando esta se perde, como por exemplo nos casos em que a pessoa tem dificuldade em associar o acto sexual à expressão de afecto pelo outro. A quantidade e a qualidade da estimulação sexual estão muitas vezes relacionados com a disponibilidade para ir ao encontro do outro e das iniciativas que este possa tomar. Uma atitude não defensiva e um maior investimento nos preliminares ajudam o corpo (e a mente) a descontrair e facilitam a resposta sexual.</p>
<p>A estimulação sexual do casal está claramente associada aos pensamentos, sentimentos e emoções decorrentes do funcionamento da relação. Os casais que têm por hábito partilhar actividades, apoiarem-se mutuamente nos momentos difíceis e colaborarem nos processos de decisão sentem-se mais próximos emocionalmente e mais disponíveis sexualmente. Se uma das  pessoas está zangada, frustrada ou ressentida com a outra torna-se muito difícil a aproximação e tende diminuir o desejo sexual. Lidar com os problemas que despoletam sentimentos negativos  e aceitar falar sobre as razões de cada um numa atitude conciliatória e não acusatória promove a auto-estima de ambos os membros do casal e reforça a intimidade.</p>
<p>Schnarch sublinha as vantagens dos casais expandirem o seu reportório de comportamentos sexuais, experimentando situações em que possam explorar a forma como cada um se pode expressar através do sexo, incluindo fantasias e aspectos transgressores que tornam a relação sexual mais erótica. O erotismo é uma experiência subjectiva e reveladora do nosso mundo interior. A capacidade para partilhá-la com o parceiro(a) reforça os laços afectivos ao mesmo tempo que promove a aceitação do outro como um todo.</p>
<p>O comportamento sexual é em grande parte resultado da relação que temos connosco mesmo e  da forma como nos vemos a nós e aos outros. Muitas vezes as pessoas procuram justificar os seus problemas devido a condicionantes psicológicos, aspectos culturais e sociais. Schnarch considera que o significado dos problemas sexuais não é necessariamente a causa destes mas antes o resultado. Por exemplo o significado atribuído à falta de prazer na relação pode reforçar o problema e condicionar a forma de o resolver.</p>
<p>Melhorar a relação sexual implica tolerar maior conexão emocional e capacidade para arriscar ser diferente, reconhecendo que podemos mudar sem receio de perder a nossa identidade. A dificuldade de alterar o comportamento sexual reside precisamente na relação intrínseca entre o que nós somos e como nos comportamos sexualmente. Segundo Schnarch, modificar o comportamento sexual  implica mudar aquilo que eu sou e a relação com o outro e este será o maior desafio colocado nos problemas da sexualidade.</p>
<p>Referências:</p>
<p>Schnarch, David (2002). <em>Resurrecting sex</em>. New York: HarperCollins Publishers.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/45/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=45&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Abuso Disfarçado de Amor</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2010/01/13/abuso-disfarcado-de-amor/</link>
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		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 18:56:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[abuso]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[“&#8230;Ele faz-me constantemente sentir que me ama mais do que eu a ele. Faz uma cena de ciúmes se eu olho para outro homem, quer ver as mensagens no meu telemóvel, telefona-me várias vezes durante o dia para saber onde &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2010/01/13/abuso-disfarcado-de-amor/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=43&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“&#8230;Ele faz-me constantemente sentir que me ama mais do que eu a ele. Faz uma cena de ciúmes se eu olho para outro homem, quer ver as mensagens no meu telemóvel, telefona-me várias vezes durante o dia para saber onde estou e o que estou a fazer. Ele amua se eu não estou de acordo com os seus planos ou se expresso uma opinião diferente. Ele mostra-me as fotografias das suas antigas namoradas e relata pormenores das relações. Zanga-se comigo ou fica irritado por motivos alheios às minhas intenções. Parece não querer escutar os meus argumentos nem valida os meus sentimentos. Faz-me frequentemente sentir culpada!&#8230;” (relato ficcionado baseado em relatos reais)<span id="more-43"></span></p>
<p>Quando falamos em abuso numa relação tendemos a imaginar situações de agressividade óbvia como insultar a pessoa, agredir alguém fisicamente, rebaixar ou humilhar o parceiro(a), ameaçar ou fazer chantagem emocional.</p>
<p>Contudo, os comportamentos abusivos numa relação podem tomar formas subtis que, de uma maneira velada, mas persistente, acabam por causar danos psicológicos tão ou mais destrutivos que a agressividade explícita.</p>
<p>As situações de abuso estão sempre relacionadas com a dinâmica entre poder pessoal e poder sobre o outro. Numa relação saudável o poder está equilibrado, existe reciprocidade, respeito pelas opiniões do outro, empatia e partilha nas decisões e tarefas da conjugalidade. Na relação abusiva, uma das pessoas tenta controlar a outra com vista a sentir maior poder pessoal e segurança interna em relação a si como à própria relação.</p>
<p>O reconhecimento das formas de abuso mais subtis torna-se mais difícil por se confundir muitas vezes com padrões culturais socialmente aceites, herdeiros da ideia da relação como forma de posse sobre o outro, cuja dinâmica é privada e como tal está protegida do exterior. Uma cena de ciúmes ainda é vista como prova de amor, mesmo que dela resulte a imposição de condições ao comportamento do outro e a limitação da sua vontade ou liberdades pessoais.</p>
<p>Por outro lado, com o tempo, a pessoa abusada tende a adaptar-se ao comportamento abusivo do parceiro(a) e a aceitá-lo como condição para permanecer na relação. As tentativas logradas de se fazer ouvir dão lugar a cedências ao outro e à instalação de dúvidas sobre os nossos actos e intenções, o que resulta numa forma de diminuição de poder pessoal, alteração da percepção do abuso e consequente esvaziamento emocional.</p>
<p>São vários os sintomas de abuso pouco perceptível numa abordagem mais superficial:</p>
<p>— Uma das pessoas fica frequentemente irritada ou zangada com o parceiro(a). Perante a reacção surpreendida do parceiro, nega que está zangado e faz o outro sentir-se culpado do sucedido.</p>
<p>— Quando a pessoa abusada tenta expressar os seus sentimentos, o abusador recusa-se a valida-los e até a conversar sobre a situação criando no primeiro uma sensação de impotência.</p>
<p>— A pessoa abusada sente-se frequentemente perplexa ou frustrada com as respostas do abusador, não consegue fazê-lo compreender as suas intenções.</p>
<p>Muitas vezes, a pessoa abusada sente-se frustrada não tanto pela forma como a relação decorre mas mais pela manipulação que o parceiro(a) faz da realidade levando-a a sentir-se culpada. Por vezes questiona-se se há algo de errado consigo ou se deveria sentir-se tão mal. O abusador raramente partilha os seus pensamentos e sentimentos com o parceiro(a), parece ter uma posição oposta nos mais diferentes assuntos, fazendo prevalecer a ideia de que ele está certo e o outro errado. Por vezes a pessoa abusada questiona-se se o outro a vê como alguém com vontade e existência separados.</p>
<p>Quando alguém faz exigências pouco razoáveis como a dedicação de todo o tempo livre ao outro ou uma atenção constante às suas necessidades diárias em que nunca se expressa reconhecimento ou satisfação, estamos perante uma forma de abuso emocional.</p>
<p>A critica e a negação das necessidades do outro são formas de controlar a relação tão graves como controlar as acções e movimentos de alguém. O abusador tende com frequência a distorcer e atacar a percepção da realidade do parceiro(a). Expressões como “Tu és tão sensível, não deverias ter ficado magoado, que reacção tão exagerada!&#8230;” desvalorizam e minimizam a resposta afectiva do outro e são destrutivas da intimidade.</p>
<p>Com frequência o abuso verbal e emocional conduzem a situações de violência doméstica. Facilmente o abusador exalta-se e perde o controle sobre os seus impulsos passando ao insulto, à agressão física ou à humilhação em público. Nestas situações, o agressor justifica o seu comportamento imputando culpa à vítima.</p>
<p>A intensidade da angustia da vítima é normalmente determinada pela extensão e intensidade do abuso. Qualquer tipo de abuso é contrario à comunicação saudável, à intimidade e à valorização e crescimento da pessoa. O reconhecimento do abuso é doloroso e implica a perda das ilusões e expectativas que motivaram a relação. Contudo, por mais difícil que seja, o reconhecimento do abuso permite restaurar a integridade física e emocional da pessoa abusada e recuperar o seu direito a ser amado e respeitado com dignidade.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/43/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=43&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Ejaculação Precoce</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2009/11/06/ejaculacao-precoce/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 11:45:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[casal]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[ejaculação]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Em Portugal a aprendizagem da sexualidade está ainda caracterizada pela clandestinidade, por sentimentos de vergonha e pudor associados às práticas sexuais e em alguns contextos o sexo é sinónimo de pecado, sujidade e impureza. A privacidade dos adolescentes não é &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2009/11/06/ejaculacao-precoce/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=41&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em Portugal a aprendizagem da sexualidade está ainda caracterizada pela clandestinidade, por sentimentos de vergonha e pudor associados às práticas sexuais e em alguns contextos o sexo é sinónimo de pecado, sujidade e impureza. A privacidade dos adolescentes não é muitas vezes respeitada pelas famílias cada vez mais obsessivas com o controle sobre os filhos. Os rapazes têm frequentemente dificuldade em se masturbar de forma descontraída com receio que as mães apareçam de surpresa no quarto. Mesmo quando começam a namorar os jovens portugueses estão normalmente sujeitos a terem as primeiras relações sexuais nas casas dos pais, no carro ou em situações que despoletam um nível elevado de adrenalina ao qual se acrescenta a natural ansiedade de desempenho resultante das primeiras experiências sexuais.<span id="more-41"></span></p>
<p>Não é por isso de admirar que em contextos em que as práticas sexuais estão sujeitas a tantos restringimentos que as relações sexuais sejam optimizadas e que a ejaculação aconteça de forma prematura como resposta às situações referidas. No caso de Portugal, depois das primeiras experiências sexuais, os rapazes heterossexuais têm alguma dificuldade em manter uma vida sexual activa mesmo quando estão em relação. Não só porque vivem até tarde em casa dos pais mas também porque as raparigas por razões culturais muitas vezes procuram valorizar-se perante os rapazes, usando a sua (in)disponibilidade sexual como forma de manipular a relação e o jogo da sedução. Curiosamente os homens homossexuais não tendem a ter problemas de ejaculação precoce devido à facilidade com que encontram parceiros para sexo e ao intenso treino adquirido nos primeiros anos de actividade sexual.</p>
<p>Obviamente a ejaculação precoce não é só um problema dos homens portugueses, embora a incidência seja muito elevada no nosso país. Na verdade a ejaculação precoce é a uma das  disfunções  sexuais mais comuns e estima-se que um terço dos homens não se considerem satisfeitos com a sua capacidade para controlar o orgasmo.</p>
<p>Quase todos os homens ejaculam de forma prematura nas primeiras relações sexuais e só com o tempo e prática adquirem o controle necessário para atingir uma experiência mais gratificante e satisfatória. Contudo, muitos deles acabam por definir o seu desempenho sexual pelo tempo apreendido para chegar ao orgasmo, que passa a ser um mecanismo involuntário muito difícil de controlar. Alguns homens acabam mesmo por associar a ejaculação prematura a uma libido fogosa que assim manifesta a intensidade do desejo e excitação pelo objecto sexual.</p>
<p>A definição, causas e tratamento da ejaculação precoce são diversas e motivo de desacordo e controvérsia entre os especialistas. A característica comum a todas as definições é que o homem sente que tem pouco ou nenhum controle sobre o momento da ejaculação o que o leva normalmente a sentimentos de vergonha e inadequação. Esta problemática adquiriu maior importância social nas últimas décadas, em que a duração da relação sexual passou a ser mais valorizada associada ao enfoque no prazer sexual de ambos os parceiros em lugar da viabilidade reprodutiva.</p>
<p>São vários os  tratamentos para a ejaculação precoce. Os mais comuns são as intervenções comportamentais em que são prescritos exercícios para a ser realizados individualmente ou com a parceira(o) com o intuito de (re)aprender o controle ejaculatório. Estes exercícios são acompanhados por uma avaliação da história sexual e de desenvolvimento do paciente com vista a serem identificados conflitos ou desconforto com a sexualidade que possam estar a obstaculizar o desempenho sexual. O objectivo passa por incrementar a auto-confiança e a compreensão e diluição das causas que estiveram na origem do problema.</p>
<p>Outro tipo de abordagem pode ser realizada através da relação, avaliando-se a evolução da sexualidade do casal e a percepção que cada um terá do “problema”. A dinâmica da relação, as questões relacionadas com a sexualidade na família de origem de cada pessoa e o contexto sócio-cultural em que cresceram são outros aspectos a ser considerados. A prescrição de exercícios é focalizada na interacção entre os membros do casal.</p>
<p>Por último, pode-se recorrer a medicação como complemento do tratamento psicoterapêutico, sendo comum o recurso a  antidepressivos da categoria SSRI, que actuam sobre o mecanismo de recaptura de serotonina no cérebro e o Viagra. Tanto uma medicação como a outra de forma geral atrasam a ejaculação, embora como com todos os medicamentos, as respostas são variáveis e a escolha do medicamento deverá obedecer a uma avaliação cuidadosa por parte de um médico especializado nesta área.</p>
<p>Apesar da variedade de intervenções, o sucesso do tratamento nem sempre é garantido e as “recaídas” são comuns. Segundo um dos maiores especialistas na matéria, Derek Polonsky (2000), é fundamental compreender o significado da sexualidade para o homem, a sua capacidade para se sentir confortável na relação intima, e o papel que a ejaculação precoce poderá ter na dinâmica relacional. Polonsky sugere quatro tipos de ejaculação precoce: a Simples, a Simples e Relacional, a Complexa e a Complexa e Relacional.</p>
<p>A ejaculação precoce simples será a mais fácil de tratar e com maior taxa de sucesso nos resultados e permanência destes. Nos casos em que estejam implicadas questões relacionais, o tratamento é mais complicado e está dependente da colaboração da parceira(o), das suas questões individuais e da dinâmica do casal. Os casos mais complexos envolvem problemas psicológicos independentes das questões da sexualidade e implicam uma terapia mais complexa e de maior duração, quer a nível individual quer a nível do casal.</p>
<p>Referências:</p>
<p>Polonsky, D. C. (2000). Premature Ejaculation. In S. R. Leiblum &amp; R. C. Rosen (Eds.), <em>Principles and practice of sex therapy (3rd ed., pp. 305-332). New York: Guilford Press</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/41/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=41&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Ansiedade Social — Porque não queremos estar sós?</title>
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		<comments>http://ruiferreiranunes.com/2009/09/04/ansiedade-social-porque-nao-queremos-estar-sos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 15:49:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[ansiedade]]></category>
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		<description><![CDATA[Vivemos numa época em que as formas de comunicação e de interacção social estão a atravessar mudanças significativas. As redes virtuais e os canais de chat substituíram em parte as salas de convívio e os salões de baile. Os códigos &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2009/09/04/ansiedade-social-porque-nao-queremos-estar-sos/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=39&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vivemos numa época em que as formas de comunicação e de interacção social estão a atravessar mudanças significativas. As redes virtuais e os canais de chat substituíram em parte as salas de convívio e os salões de baile. Os códigos de sedução estão manifestamente alterados. Já ninguém pisca o olho ou pede lume para seduzir o outro, as pessoas estão pouco à vontade com o seu corpo e não têm consciência da  linguagem corporal.<span id="more-39"></span></p>
<p>A sociedade portuguesa ganhou maior mobilidade social nos anos 80 mas ressente-se agora na procura de novas referencias sociais. As pessoas têm com frequência dificuldade em posicionar-se face ao outro, em termos da combinação do estatuto sócio-económico, padrões culturais e interesses profissionais. A interacção &#8220;ao vivo&#8221; tornou-se mais rara e menos treinada durante o desenvolvimento, agravada pelo medo obsessivo dos pais em relação à segurança dos filhos e pelas dificuldades destes desenvolverem mecanismos satisfatórios de regulação da auto-estima e auto-confiança.</p>
<p>Uma das consequências destas mudanças é o desconforto que um número crescente de pessoas sente ao nível das relações sociais. É normal as pessoas sentirem algum tipo de ansiedade quando estão perante desconhecidos e têm de interagir com estes.  Mas quando este desconforto leva as pessoas a temerem situações de interacção social, a evitarem estarem num grupo ou a ficarem demasiado inibidas ou ansiosas perante alguém que não conhecem, estamos perante um problema de ansiedade diagnosticado pelo Manual Americano de Diagnóstico Psiquiátrico DSM-IV como Fobia Social.</p>
<p>Este manual aponta vários critérios que clarificam os sintomas que as pessoas normalmente apresentam: 1. Um medo acentuado e persistente em relação a uma ou mais situações sociais nas quais a pessoa está exposta a estranhos e ao escrutínio destes. O indivíduo receia agir de forma humilhante ou embaraçosa. 2. A exposição à situação social temida provoca quase sempre ansiedade. 3. A pessoa reconhece que o medo é excessivo e absurdo 4. As situações sociais ou de desempenho são evitadas ou toleradas com intensa ansiedade e mal-estar.</p>
<p>Para diferenciar a ansiedade social normal e a fobia social, o DSM considera que o problema interfere de forma significativa com as rotinas da pessoa impedindo-a por exemplo de desempenhar determinadas funções no trabalho, causa um grau elevado de mal-estar ou aflição e persiste pelo menos durante 6 meses.</p>
<p>As pessoas que sofrem de ansiedade social desenvolvem um medo irracional de que o os outros irão julgá-las de forma negativa qualquer que seja o seu comportamento. A ansiedade resulta essencialmente dum medo de rejeição por parte dos outros e da falta de confiança e aceitação de nós próprios. A ansiedade social produz efeitos no pensamento, no comportamento, no corpo e nas emoções. Dificuldades de concentração, não saber o que dizer, bloqueios do pensamento (&#8220;brancas&#8221;), tremores ou batimentos acelerados do coração estão entre os sintomas mais frequentes.</p>
<p>Para alem dos sentimentos de ansiedade, medo, apreensão e inibição, os indivíduos que sofrem de ansiedade social sentem uma enorme frustração e raiva consigo próprios e com os outros. Estes sentimentos são decorrentes de sentimentos de inferioridade, insegurança e da falta de esperança de poderem alterar o seu comportamento. A raiva e frustração podem dar mesmo lugar a sentimentos de tristeza e depressão.</p>
<p>Para algumas pessoas o problema está limitado a algumas situações como falar em público ou estar com pessoas sexualmente atraentes. Para outras, o problema afecta a maioria das situações que envolvem interacções com os outros. O grau de ansiedade sentido é variável tal como os sintomas. A ansiedade social pode ser também ocasional decorrente duma situação temporária de vulnerabilidade do indivíduo, normalmente causada por factores externos.</p>
<p>Como quase todos passamos por situações de ansiedade social convém conhecer alguns comportamentos  que poderão auxiliar-nos a estar mais descontraídos em contextos de interacção social.</p>
<p>A ansiedade tem como resposta fisiológica o aumento da adrelina no sangue que ao fim de cerca de 15 minutos despoleta o aumento da insulina que por sua vez tem um efeito calmante sobre o indivíduo. Podemos então observar que nas pessoas que tenham os níveis de glucose  adequados, ou seja que se tenham alimentado e dormido satisfatoriamente, a contra-reacção da insulina sobre o efeito da adrenalina é suficientemente rápida para que, ao fim de pouco tempo, possamos interagir com os outros de forma mais tranquila.</p>
<p>A prévia visualização interna das situações e a relativização do impacto que poderemos ter nos outros é outra estratégia bastante eficaz. Se pensarmos no tipo de interacção possível num determinado contexto ou mesmo na possibilidade de avaliação que os outros poderão fazer de nós, concluiremos facilmente que na maior parte das situações de interacção social, os julgamentos são apenas impressões superficiais que só poderão tornar-se juízos mais concretos se nos interessar aprofundar o contacto inicial com alguém. Mesmo nestes casos, teremos o poder de decidir com quem e sobre o quê poderemos partilhar determinados assuntos.</p>
<p>Relativamente a situações mais difíceis de gerir como falar público tem vantagem ensaiar várias vezes sozinho ou com alguém o que se vai expor em público. O recurso à medicação e o tratamento psicoterapêutico ficam normalmente reservados para quem tem este tipo de problema de forma continuada.</p>
<p>Nos casos em que a ansiedade social é generalizada, o problema está relacionado com a estrutura interna da pessoa resultante da combinação de factores biológicos, formação da personalidade e interacção com o meio ambiente.</p>
<p>Do ponto de vista biológico, as pessoas respondem de forma diversa quando o seu sistema nervoso é estimulado, podendo ser mais ou menos reactivas. Um sistema de alerta muito reactivo pode responder mais depressa e produzir sensações fisiológicas mais fortes, proporcionando uma sensibilidade apurada nas relações pessoais. Por outro lado, níveis elevados de reactividade e ansiedade podem tornar-se desconfortáveis por serem difíceis de tolerar.</p>
<p>O temperamento do indivíduo também parece ter influência genética mas são os primeiros anos de vida que determinam em grande parte a personalidade e o sentimento de segurança interno. A relação do bebé com os pais é um factor preponderante na forma como regulamos a nossa ansiedade. Os pais que são consistentes nas relações com as crianças, especialmente em termos de afecto, presença, constância nos comportamentos e empatia com as necessidades reais dos filhos, promovem indivíduos mais seguros, capazes de resistirem melhor à frustração e serem mais confiantes no contacto com os outros.</p>
<p>As relações no seio familiar e nos primeiros grupos de amigos têm um papel fundamental na forma como o indivíduo desenvolve mecanismos internos de regulação da auto-estima. A pessoa que se sente aceite e amado pelos familiares e amigos irá potencialmente construir uma visão positiva de si próprio e desenvolver um sentimento de valor intrínseco que lhe permitirá ser socialmente confiante.</p>
<p>Por outro lado, a forma como a família promove a autonomia dos filhos, dando-lhes espaço para experimentarem e lidarem com as consequências dos seus actos, proporciona uma visão realista do mundo e oferece as oportunidades necessárias para o treino de competências sociais e consequente regulação da ansiedade.</p>
<p>Experiências traumáticas de rejeição do indivíduo ou sentimentos de inadequação face às expectativas dos pais, professores ou outros podem comprometer a capacidade para a pessoa confiar em si e aceitar-se tal e qual é. As marcas deixadas por situações de rejeição ou descriminação podem mais tarde reflectir-se em dificuldades para responder a desafios e exigências mais complexas ao nível das relações sociais, profissionais e das relações intimas.</p>
<p>Factores externos como as imagens promovidas pelos media, valores morais e sociais,  a influencia da tecnologia na comunicação e o nível de competitividade no emprego ou na escola podem constituir-se como obstáculos importantes nas relações sociais e na procura de parceiro(a).</p>
<p>O nível de ansiedade social resulta da forma como cada um consegue gerir os múltiplos factores de pressão interna e externa. As relações sociais estão intrinsecamente ligadas à ideia de sobrevivência e de bem-estar, as pessoas dependem umas das outras e sentem-se estranhas quando são excluídas ou permanecem muito tempo isoladas. Mesmo sentados, sozinhos,  horas em frente a um computador, procuramos muitas vezes o contacto com o outro. Parece que o outro se torna fundamental porque de alguma forma reflecte o que nós somos como também nos  desafia a sermos diferentes.</p>
<p>Referencias:</p>
<p>Butler, G. (2007) Ultrapassar a Ansiedade Social e a Timidez, (Serra, H. Tradução) Lisboa: Casa da Letras (obra original publicada em 1999)</p>
<p>DSM-IV-TR Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (2002) (Almeida, J. N. Tradução) Lisboa: Climepsi Editores (obra original publicada em 2000)</p>
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