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	<title>Rui Ferreira Nunes &#187; intimidade</title>
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	<description>Psicoterapeuta</description>
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		<title>Rui Ferreira Nunes &#187; intimidade</title>
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		<title>Construir a Intimidade</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Oct 2010 12:53:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[diferenciação]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
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		<description><![CDATA[A intimidade parece ser algo evidente e intrínseco à relação de maior proximidade. Contudo é frequente observar a dificuldade das pessoas com a proximidade emocional. Alguns casais podem estar juntos durante anos com pouca ou nenhuma intimidade ou mesmo proximidade. &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2010/10/14/construir-a-intimidade/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=49&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A intimidade parece ser algo evidente e intrínseco à relação de maior proximidade. Contudo é frequente observar a dificuldade das pessoas com a proximidade emocional. Alguns casais podem estar juntos durante anos com pouca ou nenhuma intimidade ou mesmo proximidade. Embora a intimidade implique proximidade, estes dois conceitos são diferentes.<span id="more-49"></span></p>
<p>A dificuldade com a proximidade está relacionada com o aparente conflito entre duas forças vitais inerentes à estrutura psicológica do indivíduo: a persecução da individualidade/ identidade próprias e a necessidade de proximidade com o outro e consequente sentimento de pertença ao grupo.</p>
<p>Para algumas pessoas a proximidade com o outro parece pôr em risco a sua individualidade. O receio de serem controlados pelo outro, anulados na relação ou mesmo sintomas mais arcaicos como o medo de serem engolidos ou abandonados pelo outro (medo da morte) levam estas pessoas a sabotar as relações ou a procurarem constantemente defenderem-se de maior  proximidade mesmo quando estão em relação.</p>
<p>A capacidade para estarmos próximos de alguém está directamente relacionada com a diferenciação do indivíduo. Este conceito foi desenvolvido pelo teórico de terapia familiar Murray Bowen e posteriormente actualizado na perspectiva da relação entre intimidade e sexualidade por David Schnarch. A diferenciação implica a capacidade para separar os sentimentos dos pensamentos e agir de acordo com um equilíbrio entre o que sentimos e o que objectivamente pensamos sobre a nossa realidade e a dos outros.</p>
<p>A diferenciação entre o que sentimos e pensamos resulta da forma como nos diferenciamos da nossa família de origem e reflecte-se na forma como nos interrelacionamos. Os indivíduos cujas famílias não estimularam a autonomia emocional e pensamento próprio possuem menor diferenciação e tendem a estar em relações de fusão e dependência. São as pessoas que têm dificuldade em emitir opiniões próprias, a confundir o que pensam com o que sentem, a agir em conformidade com os outros ou a assumir uma pseudo-independência agindo em contra-corrente. Os indivíduos diferenciados são os capazes de emitir opiniões próprias, separar o que sentem do que pensam, tolerar a sua ansiedade porque conseguem reflectir sobre ela. Estas são as pessoas que podem estar próximas das outras sem recear perder a sua individualidade. São as pessoas que não se sentem alienadas ou zangadas se o outro não concorda com elas tal como não sentem receio de contacto e consenso com o outro.</p>
<p>Nas famílias pouco diferenciadas o pai senta-se sempre na mesma cadeira à mesa para ser reconhecido enquanto figura de autoridade. A sua identidade está dependente da relação que os outros lhe auferem. Nas relações pouco diferenciadas cada um é suposto ter um lugar que define o seu papel e a sua identidade. Na família tradicional portuguesa, o homem era suposto sustentar a família e essa condição (entre outras) permitia-lhe ter mais poder em relação à mulher que se acomodava ao papel de mãe e dona de casa. Esta relação de poder tornava o homem frequentemente mais distante da mulher que procurava poder e compensação afectiva na protecção e controlo dos filhos e na influência indirecta nas decisões do marido.</p>
<p>Nesta situação todos os membros da família se definiam e tentavam validar-se através da relação ficando reféns da resposta dos outros membros. A intimidade fica neste caso comprometida porque cada pessoa  fica dependente de como o outro reage o que se torna particularmente difícil em momentos de tensão.</p>
<p>Os casais por vezes moldam-se um ao outro para poder reduzir a ansiedade e manter as suas identidades estáveis. Nestas relações de fusão emocional quando uma das partes se torna mais forte a outra sente-se dominada ou controlada. Secretamente desejamos que a outra pessoa seja tão insegura como nós para nos sentirmos mais seguros acabando por cair numa competição velada com o parceiro(a). Quando estamos dependentes do outro acabamos por omitir ou recriar aspectos de nós próprios para podermos ter a aceitação do outro.</p>
<p>A intimidade é por vezes confundida com aceitação, validação e reciprocidade por parte do outro porque são estas funções que as pessoas procuram quando decidem revelar informação pessoal pertinente. Intimidade não é a mesma coisa que proximidade, vinculação afectiva ou cuidado do outro, embora estes factores possam e devam estar presentes na relação. Intimidade envolve a consciência de que eu sou separado do outro com partes que podem ser partilhadas.</p>
<p>A intimidade aprofunda-se quando somos capazes de nos auto-validar e como tal não recear discutir as nossas ideias com o outro ou revelarmos os aspectos mais vulneráveis de nós próprios. A intimidade implica também a noção que existe um equilíbrio de poder na relação com o parceiro(a). Este equilíbrio acontece por não nos sentirmos ameaçados pelo outro mesmo quando não partilhamos das mesmas ideias ou sentimentos. As famílias portuguesas têm evoluído neste sentido embora ainda procurem a validação através do outro, herdada do modelo tradicional.</p>
<p>Por outro lado este equilíbrio permite uma maior abertura na medida em que eu posso transformar aquilo que eu sou e aquilo que eu penso apreendendo a opinião do outro. O que eu quero para mim passa a incluir o que o outro quer para si.</p>
<p>Muitos terapeutas prescrevem a comunicação funcional para melhorar a intimidade do casal. Mas a comunicação pode acontecer sem existir intimidade. A comunicação existe nos silêncios do casal, na expectativa que o outro tem de nós quando decide já não nos ouvir, ou sequer falar. Intimidade implica a revelação de informação pessoal sem receio da resposta do outro. Muitas vezes a intimidade desenvolve-se através da confrontação de posições, da negociação da relação, da auto-validação de cada indivíduo através da revelação unilateral dos seus pensamentos e sentimentos. Segundo Scharnch, a intimidade é um processo em que simultaneamente nos confrontamos connosco mesmos enquanto nos revelamos ao outro.</p>
<p>Nas famílias e nos casais pouco diferenciados quando uma pessoa fica ansiosa a(s) outra(s) também ficam. A ansiedade torna-se contagiosa e difícil de tolerar dando por vezes origem a situações de agressividade e abuso nas relações. As pessoas diferenciadas podem modular os seus pensamentos e sentimentos e tolerar melhor a sua ansiedade, deixando prevalecer o julgamento. A capacidade para tolerar a própria ansiedade sem se sentir em risco perante o outro acaba por alargar o campo da intimidade e da possibilidade de poder aceitar e amar o outro tanto como amar-se a si mesmo.</p>
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		<title>Amor, Destruição e Transcendência</title>
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		<pubDate>Tue, 12 May 2009 22:36:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
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		<description><![CDATA[Na cultura ocidental a ideia do amor é muitas vezes conotada com uma dimensão trágica e uma dimensão transcendental. Estas dimensões estão relacionados com o lado destrutivo do amor ou com a ideia da morte oposta ao amor enquanto expressão &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2009/05/12/amor-destruicao-e-transcendencia/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=34&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na cultura ocidental a ideia do amor é muitas vezes conotada com uma dimensão trágica e uma dimensão transcendental. Estas dimensões estão relacionados com o lado destrutivo do amor ou com a ideia da morte oposta ao amor enquanto expressão maior da vida. A mitologia grega talvez represente da melhor forma estes princípios que ainda hoje se encontram enraizados na nossa forma de ver as relações amorosas. Afinal foi a beleza encantatória de Helena que levou Páris a apaixonar-se, a raptar Helena e a ser perseguido por mil navios que deram origem a uma longa guerra que o levou à  morte bem como à destruição de Tróia.<span id="more-34"></span></p>
<p>Para os Gregos da Antiguidade bem como para nós o amor está intrinsecamente ligado a poder, conflito, destruição e transformação. É através do amor que o indivíduo procura um sentido para a vida e se defende da ansiedade provocada pela morte. O amor incita-nos a enfrentar  o mundo mas também provoca as dores mais difíceis de tolerar e a iminência da destruição duma parte ou mesmo da totalidade de nós próprios. Medeia mata os filhos por não conseguir tolerar a raiva que sente por ter sido abandonada pelo pai destes, Jasão. A única saída que encontra para resolver a dor resultante do sentimento amoroso é a destruição da expressão concreta desse amor, nem que para isso tenha de transgredir as regras sociais mais essenciais e destruir uma parte fundamental de si própria.</p>
<p>O filosofo francês Bataille (1957/1988) descreve o ser humano como um ser descontínuo em busca de continuidade através do acasalamento e do amor, cuja componente sexual e de reprodução encerram em si mesmas a génese da sua própria destruição e transcendência. Para Bataille, quando procuramos transcender os nossos limites na relação com o outro, está presente uma componente agressiva expressa no acto sexual, na reprodução e nas situações em que estão em causa os limites individuais da nossa descontinuidade. Quando fazemos amor ou nos degladiamos na guerra, estamos a transgredir os limites de nós próprios e do outro e a aproximarmo-nos da morte. Não é por acaso que durante os períodos de guerra ou imediatamente a seguir os indíces de fertilidade aumentam sugerindo que  a iminência da morte do outro instila o desejo de reprodução e continuidade.</p>
<p>Segundo Bataille, a relação amorosa e em particular o erotismo têm um lado transgressor na medida em que promovem a continuidade entre seres individuais ou descontínuos, necessária à procriação num percurso em direcção à morte, estádio último de continuidade e transcendência. Tal como na mitologia grega, o amor e o erotismo contêm elementos transgressores e destrutivos que conferem à relação amorosa a possibilidade de transcendência dos limites do indivíduo, quer em termos físicos, como em termos espirituais e psicológicos.</p>
<p>Um dos autores mais reputados no estudo das dinâmicas relacionais, David Schnarch (1991), demonstra como o amor pode conter um potencial destrutivo mediante a forma como o indivíduo se diferenciou da sua família de origem e projecta na relação com o outro, aspectos não resolvidos durante o seu desenvolvimento.</p>
<p>Segundo Schnarch, a separação não resolvida com a mãe, poderá levar a um desejo de fusão com o parceiro(a) ou a ver o outro como extensão de si próprio. Situação muito comum no contexto português, em que os filhos são criados essencialmente pelas mães (esta tem sido a prática mais corrente) e permanecem na casa dos pais depois de atingirem a idade adulta. Com frequência os filhos adultos dividem as suas atenções entre as mães e os parceiros(as) permitindo uma intromissão inadequada destas na dinâmica relacional. Por outro lado, as mães latinas tendem a recorrer a estratégias muito subtis que reforçam o seu poder junto dos filhos, não os deixando crescer e tornarem-se verdadeiramente autónomos. São exemplos destas estratégias a vitimização, a rivalidade com as noras ou genros em termos de influência e opiniões sobre os mais diversos assuntos, a exigência de compromissos (deveres) familiares, o cuidar dos netos ou a prestação de favores que reforçam o sentimento de dívida para com os pais.</p>
<p>Outros aspectos considerados problemáticos por Scharnch são a falta de gratificação narcísica durante a infância que poderá &#8220;desviar&#8221; a pessoa para um desejo permanente de sentir-se especial ou superior aos outros e tender a procurar a pessoa perfeita que resulta da projecção dessa defesa. Esta estratégia conduz a uma insatisfação recorrente na relação, com frequentes boicotes inconscientes que acabam por destruir a relação.</p>
<p>No extremo oposto, a criança muito gratificada e sobreprotegida tenderá a ficar dependente da aprovação e atenção do outro na relação e a tornar-se muito reactiva quando as suas necessidades não são atendidas, passando a agir duma forma agressiva de que são exemplo as &#8220;birras&#8221; ou &#8220;ataques de ciúmes&#8221;.</p>
<p>Em suma, muitas vezes os casais lutam por gratificação e validação mútuas através da forma como projectam no outro aspectos mal resolvidos no seu desenvolvimento ou decorrentes de situações de negligência ou abuso. Por outro lado, estas lacunas podem conduzir a comportamentos agressivos muitas vezes despropositados porque são induzidos de forma inconsciente.</p>
<p>Segundo Scharchn, as pessoas mais diferenciadas tendem a auto-validar-se em lugar de se validarem através do outro e assim toleram melhor a sua ansiedade em lugar de a projectarem sob as mais variadas formas na outra pessoa, ou a assumirem personalidades parcialmente diferentes dentro e fora da relação.</p>
<p>Na opinião deste autor,  a intimidade e o erotismo são potenciados pelo nível de diferenciação que permite um grau de entrega na relação capaz de ultrapassar os medos inerentes à aparente perda da individualidade ou experiência da continuidade descrita por Bataille. Nestes casos, a intimidade passa a ser extremamente gratificante e reafirmativa, e não destrutiva. Tal como na mitologia grega, o amor pode ser fonte de destruição e conflito mas também de transcendência e transformação.</p>
<p>Referencias</p>
<p>Bataille, G. (1988). O Erotismo (Costa, J., B., Tradução) Lisboa: Antigona. (obra original publicada em 1957).</p>
<p>Schnarch, D. M. (1991). Constructing the sexual crucible: An integration of sexual and marital therapy. New York: Norton Company, Inc.</p>
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