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	<title>Rui Ferreira Nunes &#187; dinâmica familiar</title>
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		<title>Rui Ferreira Nunes &#187; dinâmica familiar</title>
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		<title>Sangue do Meu Sangue</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Oct 2011 12:16:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[amor]]></category>
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		<description><![CDATA[O magnífico filme português Sangue do Meu Sangue apresenta-se pela voz dos seus actores como um filme sobre o amor incondicional entre vários membros duma família que vive em condições precárias num bairro de subúrbio lisboeta. O amor é retratado &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2011/10/29/sangue-do-meu-sangue-2/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=77&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O magnífico filme português <em>Sangue do Meu Sangue</em> apresenta-se pela voz dos seus actores como um filme sobre o amor incondicional entre vários membros duma família que vive em condições precárias num bairro de subúrbio lisboeta. O amor é retratado como uma força maior, arcaica e visceral, capaz de ultrapassar todas as barreiras, desafios e sacrifícios, mesmo que estes impliquem o vexame, a humilhação, a perda da dignidade e da própria vida.</p>
<p><span id="more-77"></span></p>
<p>Numa entrevista recente no programa <em>Câmara Clara</em>, o realizador João Canijo, explicou de forma consistente não só o seu método de trabalho mas as referências aos clássicos gregos presentes no filme através da inscrição sucessiva dos elementos essenciais da tragédia grega.</p>
<p>Segundo Aristóteles, a tragédia deveria indiciar desde o início o desenlace trágico que resultaria do conflito entre o desafio colocado à personagem (<em>hybris</em>) e o destino (<em>anankê</em>). Este conflito desenvolver-se-ia num crescente de sofrimento (<em>pathos</em>) até chegar ao <em>climax</em>, ponto culminante da catástrofe. A <em>hybris</em> seria o sentimento motor da tragédia que conduz os seus heróis à violação da ordem estabelecida através duma acção ou comportamento que se assume como um desafio aos poderes instituídos.</p>
<p>Na obra de Canijo, o amor de uma mãe pela filha e de uma tia pelo sobrinho, desafia os poderes instituídos do Bairro Padre Cruz, personificados no chefe duma rede de traficantes de droga e num médico, também oriundo do mesmo bairro, mas que ascendeu a um estrato sócio-económico superior, metáfora representativa, do poder resultante da desigualdade social.</p>
<p>Na entrevista referida, Canijo comenta como lhe interessou retratar a possibilidade da existência deste amor, capaz de mover as personagens a estados limite, quando elas se debatem com a sua sobrevivência, numa luta diária entre a precariedade do trabalho, a promiscuidade das relações e a inserção num ambiente socialmente desfavorecido, numa alusão clara às problemáticas sociais levantadas pela actual crise dos modelos politico-financeiros.</p>
<p>A argumentação do problema sócio-afectivo é legítima mas pode conduzir-nos a pensar erroneamente que nos contextos sociais mais pobres, os transtornos derivados da perturbação do vínculo afectivo são necessariamente mais graves ou mais frequentes que nos estratos sócio-económicos mais elevados. Na verdade, as várias formas de perturbação da vinculação entre a pessoa que cuida e a criança, que posteriormente se reflectem nos padrões relacionais da última, são transversais a todos os estratos sociais e estão dependentes duma multiplicidade de factores que incluem não só os sócio-económicos, culturais, biológicos, mas também e essencialmente, a estrutura afectiva da pessoa cuidadora, a consistência do papel cuidador ao longo do crescimento, a dinâmica familiar, a capacidade de promover a autonomia emocional do sujeito, entre outros.</p>
<p>Por vezes, um elemento de referência estável durante o desenvolvimento como um mentor inspirador, um interesse particular que promova o sentimento de pertença a um grupo ou mesmo um papel derivado da estrutura resiliente do indivíduo(a), construída por oposição a um ambiente de crescimento desfavorável, podem reforçar a pessoa na sua autonomia e capacidade para amar.</p>
<p>Canijo não faz jus à sua teoria na concretização do próprio filme e confessa que os actores tiveram um papel crucial na construção dos diálogos e na resolução do argumento com um “final feliz” contrário às suas aparentes intenções. Em <em>Sangue do Meu Sangue</em>, o amor incondicional é transformador e salvífico, ele preserva a força que permite àquelas pessoas encarar um mundo hostil e desajustado ao seu redor mas pleno de significado no seu interior.</p>
<p>O Bairro Padre Cruz é um lugar degradado que reflecte a guettização dos grupos sociais retratados no filme e as estratégias de sobrevivência dos mesmos. Apesar da violência iminente na forma como algumas relações se estabelecem, resultante das práticas transgressoras e do aproveitamento dos escassos recursos, perspassa ao longo da narrativa o sentimento solidário entre os seus habitantes e a defesa incondicional dos que nos são mais queridos e mais desprotegidos. A desorganização do meio envolvente parece reforçar os laços afectivos, perante o isolamento e abandono a que a sociedade os vetou.</p>
<p>De um modo formalmente muito elaborado, Canijo entrecorta, sobrepõe e duplica planos que só mostram partes do que está acontecer, o que nas palavras do autor, instilam o espectador a fantasiar sobre o que não está na imagem e a participar na construção dos significados e na intensidade dos pressupostos trágicos do filme. O ritmo lento permite instalarmo-nos no quotidiano das personagens e ficarmos confrontados com o seu modo de vida, que a nós, portugueses, nos é tão familiar, mas também tão distante, quando dele não estamos conscientes, ou quando o confronto da precariedade das condições de vida nos é apresentado de forma dolorosa e cruel.</p>
<p>A multiplicidade formal reflecte as várias dimensões da questão amorosa e expõe a contradição do discurso de Canijo. Nos contextos considerados por muitos de nós como os mais desajustados, os afectos irrompem como elemento estabilizador e aglutinador, não só nas relações de sangue que formam o eixo central do filme, como nas relações entre os vizinhos, ou mesmo entre o mafioso/traficante e as suas filhas.</p>
<p>A tragédia grega tinha como função a catarse (<em>katharsis</em>), a purificação das emoções e paixões, idênticas às sentidas pelas personagens, efeito conseguido através do terror (<em>phobos</em>) e da piedade (<em>eleos</em>) que deve provocar nos espectadores. Na cena final assistimos arrepiados ao confronto entre a humilhação extrema e violência desmesurada resultante das condições do lugar e a força maior do amor capaz de vencer a mais terrível das provações.</p>
<p>Em <em>Sangue do Meu Sangue</em> somos confrontados com o poder dos afectos numa época que não assumimos muitas vezes a importância destes, embora os procuremos incessantemente. As defesas que muitos de nós construímos em adaptação ao mundo exterior impedem-nos de conseguir identificar esta <em>hybris</em>, o amor incondicional pelo outro, capaz de criar sentido numa realidade desagregada, subjugada ao consumismo esquizofrenante e num mundo em risco de se desmoronar, em que nos sentimos, tal como os personagens do filme, permanentemente alienados.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=77&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vida Sexual Pós-Parto</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 08:35:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-30"></span></p>
<blockquote><p>Olá. Tenho uma filhota com 6 meses e já não amamento. Durante a minha gravidez senti que o meu apetite sexual estava no seu auge. No entanto, após o parto eu até deixei de pensar nisso! Se não fosse pela insistência do meu marido acho que não teria tido uma única relação sexual desde que a bebe nasceu! Ás vezes penso que isso acontece pelo facto de eu ter engordado 25kg&#8230; mas esse pensamento não me dá vontade de emagrecer. É como se sentisse que simplesmente não preciso de sexo! Pode me ajudar?</p></blockquote>
<p>Quando um bebé nasce é normal que a mãe esteja totalmente centrada em cuidar da criança, canalizando todo o investimento afectivo para esta. Presumindo que esta é a sua primeira filha, este tipo de preocupações são ainda redobradas. Na verdade há pouco espaço para os outros, nomeadamente para o marido e pouca consciência de algumas necessidades que entretanto passaram para segundo plano como as relações sexuais. O parto pode também originar alterações hormonais e neuronais que afectam o desejo, embora estes sistemas tendam com o decorrer do tempo a voltar à normalidade. O facto de ter engordado com a gravidez pode criar problemas de imagem e diminuir a auto-estima, sentindo-se menos desejável e logo menos predisposta a ser desejada.  </p>
<p>Será importante avaliar qual o impacto do surgimento deste bebé na dinâmica do casal, se existem questões na relação, ou individualmente, anteriores ao nascimento, que não foram resolvidas ou mesmo abordadas e que poderão ter sido despoletadas pelo aparecimento de mais um elemento na dinâmica familiar. Também convinha fazer exames médicos para avaliar algum tipo de alteração hormonal. </p>
<p>Por último seria necessário saber se para além de não ter vontade de sexo existem outros sintomas como ansiedade, tristeza, alterações do sono ou do apetite etc. que acompanham a falta de desejo. A estimulação e esforço exigidos na preparação do parto e posteriormente no cuidar da criança conduzem a um desgaste grande na mãe e à necessidade de um tempo de recuperação até atingir de novo o equilíbrio desejável. É conhecido como a mulher pode ficar mesmo deprimida como reacção ao esforço realizado.</p>
<p>Ao ler a sua questão pareceu-me que o bebé veio preenche-la de uma forma que parece substituir a própria necessidade sexual. Durante o período de amamentação, a intimidade com o bebé e mesmo o acto de sucção do peito constituem uma experiência muito gratificante para a mãe do ponto de vista físico e psicológico. Quando o período de amamentação termina e é expectável um retorno à vida normal do casal, a mulher pode sentir a nível inconsciente que está a trair o bebé, o que se pode traduzir numa reacção depressiva e ou diminuição do desejo pelo companheiro. Nesta perspectiva, a manutenção do peso seria a forma inconsciente de reduzir o desejo pelo seu marido e assim não trair o bebé.</p>
<p>Como já passaram 6 meses convêm retomar a atenção a si própria e ao seu companheiro para que a relação recupere a vitalidade inicial. Para isso poderá recriar as condições que inicialmente suscitavam o desejo no casal e planear outras que lhe pareçam adequadas para a situação actual como cuidar da sua imagem, sentir-se mais atraente, planear um tempo para desfrutar a relação a sós com o seu companheiro. Se os sintomas permanecerem deverá consultar um terapeuta para a ajudar neste processo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/30/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=30&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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