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	<title>Rui Ferreira Nunes &#187; amor</title>
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		<title>Rui Ferreira Nunes &#187; amor</title>
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		<title>Restless, Redenção</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 11:45:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>A palavra <em>Restless</em> que dá título ao último filme de Gus Van Sant é difícil de traduzir em português, embora a tradução oficial do filme optasse por <em>Inquietos</em> numa derivação correcta de Inquietude ou Inquietação. Inabilidade para estar parado, agitação e movimento  permanente, sem nunca conseguir realmente repousar. De facto, <em>Restless</em> retrata na perfeição o estado interno quase constante dos adolescentes, mesmo quando estes aparentam estar mergulhados no mais profundo e subaquático dos mundos, alheados de toda a realidade excepto aquela que tem significado na construção das suas ilusões.</p>
<p><span id="more-153"></span></p>
<p>A adolescência é muitas vezes sentida pelos pais como um período penoso, de difícil entendimento, em que os adolescentes ziguezagueiam o controlo dos pais e surpreendem-nos com a mais destemida loucura ou doce gesto de afecto. Apesar do desconforto que sentimos, nós, os adultos, invejamos em grande medida os adolescentes. O seu lado pueril, a força bruta criativa, a ingenuidade desconcertante, a capacidade de acreditar no futuro e sobretudo, sobretudo a descoberta encantatória do amor.</p>
<p>Neste filme imperdível sobre a perda, Gus Van Sant mostra-nos dois adolescentes à procura de a resolver, encontrando nos velórios, nos locais de ritualização da morte ou na sua encenação, uma forma rebelde e criativa de negarem a evidência da sua realidade. Enoch perdeu os pais num acidente de viação em que ele ficou em coma não podendo testemunhar nem ritualizar a morte destes e Annabel sofre de um cancro com um prognóstico de três meses de vida. Tanto num caso como noutro, as figuras primordiais desapareceram ou estão completamente ausentes, como a mãe de Annabel.</p>
<p>Apesar de haver adultos por perto que os amam e tentam protege-los, Enoch e Annabel sentem-se profundamente sozinhos e desamparados no cenário árido da América de Portland. Curiosamente, um filme absolutamente comovente que traz de novo a relação amorosa ao centro do discurso cinematográfico, foi recebido de forma indiferente na América. Através da relação amorosa entre Enoch e Annabel surge a resolução da perda, o amor é redentor da sua (aparente) morte.</p>
<p>Sorrimos com os encontros de Enoch e Annabel, com a sua astúcia e autenticidade, interpretados com enorme sofisticação e realismo por Henry Hopper e Mia Wasikowska. Maravilhamo-nos com o imaginário adolescente, com o fantasma kamikaze amigo de Enoch, com a poesia das imagens de Van Sant, cuja paleta outonal reflecte os afectos encarcerados dos dois miúdos que explodem de forma inebriante na descoberta do amor.</p>
<p>Quando entram em contacto com os afectos, Enoch e Annabel não conseguem tolerar a raiva inerente à perda iminente do outro e dos sentimentos implícitos às suas próprias perdas, anteriores ao seu encontro, reveladas de forma inesperada pelo catalisador da paixão.</p>
<p>A raiva intolerável, a inquietude irrequieta e permanente, dão então lugar à aceitação. A uma aceitação da perda que só faz sentido porque é redentora, porque nos mostra internamente que o único sentido possível para a sobrevivência à morte é o significado afectivo da relação. Tal como no filme, a redenção da perda traz para junto de nós, outra vez, quem nós mais gostamos e quem gosta de nós e reorganiza o nosso real de forma mais significativa.</p>
<p>Apesar de Annabel morrer, Enoch já não está sozinho. Está acompanhado pelos outros e pelo amor de Annabel. Quando discursa na cerimónia fúnebre que ele tão bem preparou, nada consegue dizer&#8230; Não é preciso, todos percebemos que em certos momentos, não conseguir falar, tem mais significado que qualquer palavra.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&amp;blog=29796171&amp;post=153&amp;subd=ruiferreiranunes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Pecado da Bissexualidade</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 07:58:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Consultório online]]></category>
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		<category><![CDATA[bissexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>
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		<description><![CDATA[Tenho 25 anos e tive até hoje duas namoradas, sendo que a última, o namoro durou por 6 meses. Durante toda a minha vida tive relações sexuais com homens sendo que a partir dos 16 anos comecei a ser ativo &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2011/12/13/o-pecado-da-bissexualidade/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&amp;blog=29796171&amp;post=140&amp;subd=ruiferreiranunes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Tenho 25 anos e tive até hoje duas namoradas, sendo que a última, o namoro durou por 6 meses. Durante toda a minha vida tive relações sexuais com homens sendo que a partir dos 16 anos comecei a ser ativo e passivo ao mesmo tempo. Nessa fase de adolescente foi muito complicado para mim pois pensava em sexo quase que constantemente, sendo isso normal nessa fase da vida.</p>
<p><span id="more-140"></span></p>
<p>Aos 16 anos me envolvi com pessoas muito mais velhas do que eu sendo que a diferença era de mais ou menos uns 30 anos. Nossas relações eram intensas, ainda mais para mim com 16 anos de idade. No entanto essas relações para mim eram erradas. Assim me envolvia, sendo que depois ficava completamente arrependido. Mas não adiantou. Depois desse veio os outros e outros.</p>
<p>Sendo que com 22 anos tive minha primeira namorada. Mesmo assim tive relações com homens estando com ela.  Achei isso horrível. Esse namoro durou por 2 anos. Sendo que agora com 25 anos tive uma outra namorada, esse namoro durou 6 meses. Tudo isso porque ela descobriu alguns telefones de pessoas que ela não ficou sabendo se eram de homens ou mulheres. Mas é claro eram de homens.</p>
<p>Bom sempre pensei em construir uma família normal sendo eu com minha esposa e um filho, um desejo enorme que tenho. Então penso que gosto de mulheres sim. E realmente gosto. E gostaria de que esse sonho de constituir família se realizasse. No entanto agora pela primeira vez em minha vida estou namorando um rapaz que é mais jovem do que eu. E de todos esses relacionamentos com homens que tive, na verdade só transa, eu nunca me apaixonei era só sexo e deu.</p>
<p>Mas agora é diferente sinto que estou gostando desse garoto de verdade e ele de mim. Tanto que se um dia ele não fala comigo penso que ele não me quer mais. É um namoro discreto do qual só a mãe e irmã dele sabem. Minha família não sabe ou apenas se fazem que não sabem. E isso me preocupa muito.</p>
<p>Principalmente minha mãe. Mas não é só isso, desde pequeno fui ensinado, embora não seguisse o que me fora dito, que ter esses tipo de relações é pecado. E isso realmente tenho convicção. Para mim isso é o certo. Tanto que era por isso que me arrependia quando fazia sexo com homens desde cedo. Bom isso me atormenta. Sonho em ter uma família com esposa e ao mesmo tempo gosto dessa pessoa que mencionei e ao mesmo tempo minha consciência me acusa. Por favor que eu faço? me ajude por favor, me dê um conselho. Estou vivendo uma vida dupla que me trás angustias. Bom acho que é isso. Obrigado!!!</p></blockquote>
<p>O Renato descreve duas partes de si próprio que não têm de ser necessariamente incompatíveis mas que têm estado associadas a ideias e comportamentos diferentes. Até conhecer recentemente um rapaz jovem por quem se enamorou, o Renato viu sempre o sexo com homens separado do envolvimento afectivo, descrevendo a função desta experiência como libertadora duma tensão que quase não conseguia tolerar. Procurou homens mais velhos, o que para si parece ter evitado maior conexão emocional. As relações de afecto estariam então reservadas para as mulheres, o que parece associado a um padrão de família, derivado do desejo de ser pai e talvez também de ser aceite pelos outros (sociedade). Contudo, manteve a separação entre a vida afectiva com as suas namoradas e a sua vida sexual que era partilhada com outros homens. O conflito surge quando o Renato se envolve emocionalmente com um rapaz e uma rapariga, e a separação entre sexo e afecto que imprimia um cunho clandestino e transgressor à sua parte homossexual deixa de fazer sentido. Resta-lhe agora escolher o que deseja para si, assumir a relação com a pessoa com a qual se sente melhor e com a qual antecipa uma vida mais autentica ou optar por uma relação que vai ao encontro do que é sentido como as expectativas sociais e o desejo de constituir família. Renato, o sexo com homens não é pecado, nem é uma doença. os homens e as mulheres, somos todos pessoas, capazes de estabelecer relações com afecto e  significado entre si. A atracção sexual é determinante para a construção da relação íntima, mas esta só faz sentido se eu sentir que sou congruente com as minhas escolhas, ou seja que escolho uma pessoa que está em consonância com o que eu sinto e assumo internamente para mim e não para os outros.</p>
<blockquote><p>Ola!!! Fiquei muito feliz de o senhor ter lido meu e-mail e mais de ter me dado uma resposta coerente e que pode sim me ajudar. Sou muito grato por sua ajuda. E gostaria sim que o senhor publicasse meu comentário e sua resposta no site. Novamente agradeço por tudo.E desejo que o senhor continue ajudando as pessoas que passam por conflitos. Abração!!!!</p>
<p>Renato</p></blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&amp;blog=29796171&amp;post=140&amp;subd=ruiferreiranunes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sangue do Meu Sangue</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Oct 2011 12:16:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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		<category><![CDATA[dinâmica familiar]]></category>
		<category><![CDATA[social]]></category>
		<category><![CDATA[vinculação]]></category>

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		<description><![CDATA[O magnífico filme português Sangue do Meu Sangue apresenta-se pela voz dos seus actores como um filme sobre o amor incondicional entre vários membros duma família que vive em condições precárias num bairro de subúrbio lisboeta. O amor é retratado &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2011/10/29/sangue-do-meu-sangue-2/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&amp;blog=29796171&amp;post=77&amp;subd=ruiferreiranunes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O magnífico filme português <em>Sangue do Meu Sangue</em> apresenta-se pela voz dos seus actores como um filme sobre o amor incondicional entre vários membros duma família que vive em condições precárias num bairro de subúrbio lisboeta. O amor é retratado como uma força maior, arcaica e visceral, capaz de ultrapassar todas as barreiras, desafios e sacrifícios, mesmo que estes impliquem o vexame, a humilhação, a perda da dignidade e da própria vida.</p>
<p><span id="more-77"></span></p>
<p>Numa entrevista recente no programa <em>Câmara Clara</em>, o realizador João Canijo, explicou de forma consistente não só o seu método de trabalho mas as referências aos clássicos gregos presentes no filme através da inscrição sucessiva dos elementos essenciais da tragédia grega.</p>
<p>Segundo Aristóteles, a tragédia deveria indiciar desde o início o desenlace trágico que resultaria do conflito entre o desafio colocado à personagem (<em>hybris</em>) e o destino (<em>anankê</em>). Este conflito desenvolver-se-ia num crescente de sofrimento (<em>pathos</em>) até chegar ao <em>climax</em>, ponto culminante da catástrofe. A <em>hybris</em> seria o sentimento motor da tragédia que conduz os seus heróis à violação da ordem estabelecida através duma acção ou comportamento que se assume como um desafio aos poderes instituídos.</p>
<p>Na obra de Canijo, o amor de uma mãe pela filha e de uma tia pelo sobrinho, desafia os poderes instituídos do Bairro Padre Cruz, personificados no chefe duma rede de traficantes de droga e num médico, também oriundo do mesmo bairro, mas que ascendeu a um estrato sócio-económico superior, metáfora representativa, do poder resultante da desigualdade social.</p>
<p>Na entrevista referida, Canijo comenta como lhe interessou retratar a possibilidade da existência deste amor, capaz de mover as personagens a estados limite, quando elas se debatem com a sua sobrevivência, numa luta diária entre a precariedade do trabalho, a promiscuidade das relações e a inserção num ambiente socialmente desfavorecido, numa alusão clara às problemáticas sociais levantadas pela actual crise dos modelos politico-financeiros.</p>
<p>A argumentação do problema sócio-afectivo é legítima mas pode conduzir-nos a pensar erroneamente que nos contextos sociais mais pobres, os transtornos derivados da perturbação do vínculo afectivo são necessariamente mais graves ou mais frequentes que nos estratos sócio-económicos mais elevados. Na verdade, as várias formas de perturbação da vinculação entre a pessoa que cuida e a criança, que posteriormente se reflectem nos padrões relacionais da última, são transversais a todos os estratos sociais e estão dependentes duma multiplicidade de factores que incluem não só os sócio-económicos, culturais, biológicos, mas também e essencialmente, a estrutura afectiva da pessoa cuidadora, a consistência do papel cuidador ao longo do crescimento, a dinâmica familiar, a capacidade de promover a autonomia emocional do sujeito, entre outros.</p>
<p>Por vezes, um elemento de referência estável durante o desenvolvimento como um mentor inspirador, um interesse particular que promova o sentimento de pertença a um grupo ou mesmo um papel derivado da estrutura resiliente do indivíduo(a), construída por oposição a um ambiente de crescimento desfavorável, podem reforçar a pessoa na sua autonomia e capacidade para amar.</p>
<p>Canijo não faz jus à sua teoria na concretização do próprio filme e confessa que os actores tiveram um papel crucial na construção dos diálogos e na resolução do argumento com um “final feliz” contrário às suas aparentes intenções. Em <em>Sangue do Meu Sangue</em>, o amor incondicional é transformador e salvífico, ele preserva a força que permite àquelas pessoas encarar um mundo hostil e desajustado ao seu redor mas pleno de significado no seu interior.</p>
<p>O Bairro Padre Cruz é um lugar degradado que reflecte a guettização dos grupos sociais retratados no filme e as estratégias de sobrevivência dos mesmos. Apesar da violência iminente na forma como algumas relações se estabelecem, resultante das práticas transgressoras e do aproveitamento dos escassos recursos, perspassa ao longo da narrativa o sentimento solidário entre os seus habitantes e a defesa incondicional dos que nos são mais queridos e mais desprotegidos. A desorganização do meio envolvente parece reforçar os laços afectivos, perante o isolamento e abandono a que a sociedade os vetou.</p>
<p>De um modo formalmente muito elaborado, Canijo entrecorta, sobrepõe e duplica planos que só mostram partes do que está acontecer, o que nas palavras do autor, instilam o espectador a fantasiar sobre o que não está na imagem e a participar na construção dos significados e na intensidade dos pressupostos trágicos do filme. O ritmo lento permite instalarmo-nos no quotidiano das personagens e ficarmos confrontados com o seu modo de vida, que a nós, portugueses, nos é tão familiar, mas também tão distante, quando dele não estamos conscientes, ou quando o confronto da precariedade das condições de vida nos é apresentado de forma dolorosa e cruel.</p>
<p>A multiplicidade formal reflecte as várias dimensões da questão amorosa e expõe a contradição do discurso de Canijo. Nos contextos considerados por muitos de nós como os mais desajustados, os afectos irrompem como elemento estabilizador e aglutinador, não só nas relações de sangue que formam o eixo central do filme, como nas relações entre os vizinhos, ou mesmo entre o mafioso/traficante e as suas filhas.</p>
<p>A tragédia grega tinha como função a catarse (<em>katharsis</em>), a purificação das emoções e paixões, idênticas às sentidas pelas personagens, efeito conseguido através do terror (<em>phobos</em>) e da piedade (<em>eleos</em>) que deve provocar nos espectadores. Na cena final assistimos arrepiados ao confronto entre a humilhação extrema e violência desmesurada resultante das condições do lugar e a força maior do amor capaz de vencer a mais terrível das provações.</p>
<p>Em <em>Sangue do Meu Sangue</em> somos confrontados com o poder dos afectos numa época que não assumimos muitas vezes a importância destes, embora os procuremos incessantemente. As defesas que muitos de nós construímos em adaptação ao mundo exterior impedem-nos de conseguir identificar esta <em>hybris</em>, o amor incondicional pelo outro, capaz de criar sentido numa realidade desagregada, subjugada ao consumismo esquizofrenante e num mundo em risco de se desmoronar, em que nos sentimos, tal como os personagens do filme, permanentemente alienados.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&amp;blog=29796171&amp;post=77&amp;subd=ruiferreiranunes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A Defesa do Perfeccionismo</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2010/12/16/a-defesa-do-perfeccionismo/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Dec 2010 16:40:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Consultório online]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[defesa]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
		<category><![CDATA[perfeccionismo]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>

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		<description><![CDATA[Caro Rui, Sou uma jovem de 28 anos o meu companheiro tem 29, conhecemo-nos desde os 11 anos de idade, temos uma amizade muito bonita, só namoramos à 8 anos e vivemos juntos à 4…parece uma escala cronológica:-) A questão &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2010/12/16/a-defesa-do-perfeccionismo/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&amp;blog=29796171&amp;post=53&amp;subd=ruiferreiranunes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>
Caro Rui,<br />
Sou uma jovem de 28 anos o meu companheiro tem 29, conhecemo-nos desde os 11 anos de idade, temos uma amizade muito bonita, só namoramos à 8 anos e vivemos juntos à 4…parece uma escala cronológica:-)<br />
A questão é: eu tenho receio de ter parametros demasiados altos e do meu companheiro não conseguir estar à altura dos mesmos… ou sou eu que inconscientemente estou arranjar desculpas para que o meu companheiro não tenha que dar o litro na nossa relação… sou demasiado exigente por desejar o melhor para mim ou demasiado irrelalista por não conseguir simplesmente desfrutar do que ele tem de bom???</p>
<p><span id="more-53"></span><br />
Costumo pensar pra mim mesma que ele tem “material” para marido e consigo facilmente imaginar-me casada com ele (não sou católica, acredito racionalmente no compromisso do casamento, na dedicação ao outro) o meu cérebro sabe que ele é perfeito e será o melhor pai que eu poderia escolher para os meus filhos, mas a minha alma está constantemente a pedir-me para ser amada alimentada… com atenção, com carinhos, com palavras.. são coisas de mulher ou é um sentimento honesto???<br />
Às vezes chego a sentir-me envergonhada comigo mesma por ter um homem tão bom e ainda estar a “exigir” que ele seja romântico e sensivel, mas outras sinto-me revoltada por saber que está ao alcance dele “dizer que me ama” e que não o faz por opção.</p></blockquote>
<p>Olá Sofia, a problemática que descreve tem a ver com a Sofia colocar a fasquia demasiado alta para si e para o seu companheiro. Por outras palavras, a Sofia tem um lado perfeccionista que normalmente resulta do desejo de que os outros gostem de nós porque não gostamos suficientemente de nós mesmos.</p>
<p>O que está subjacente a esta defesa é qualquer coisa como: se eu for perfeito vão seguramente gostar de mim ou será quase impossível não gostar de mim, logo eu terei a atenção e validação de que estou carente. Por essa razão, na última parte do mail, a Sofia deseja que o seu companheiro expresse o amor que tem por si e que seja romântico e sensível. A Sofia procura que o seu companheiro a veja emocionalmente e demonstre gostar de si para que a Sofia se sinta melhor consigo mesma.</p>
<p>Repare, com tantos anos de relação ainda não está segura dos sentimentos do seu companheiro por si? Ou precisa que ele os demonstre continuadamente? Por outro lado, esta estratégia agradativa é expressa através dum desejo omnipotente porque obviamente ninguém é perfeito, e como tal, para além de ser uma forma de pressão sobre si própria e a relação, acaba normalmente por em algum momento fracassar, quanto mais não seja pela ansiedade que produz.</p>
<p>A procura da pessoa perfeita não é mais do que uma projecção da sua nossa própria vontade de sermos perfeitos, porque na verdade nos sentimos demasiado imperfeitos. A fantasia do companheiro perfeito pretende preencher o vazio afectivo que resulta da falta de gratificação narcísica durante o crescimento. Contudo, esta defesa acaba por impedir uma melhor aceitação das vulnerabilidades do outro como as de nós próprios, dificultando o compromisso com o outro e a construção da intimidade. O outro nunca parece ser suficientemente bom porque eu idealmente gostaria de ser perfeito e estar em relação com uma pessoa perfeita que reforce a minha idealização. Desta forma, estabelece-se uma insatisfação constante com o próprio e com o outro, destrutiva tanto do eu como da relação.</p>
<p>Procure amar-se a si própria e ao seu companheiro sem ter que medir o amor através das qualidades infinitas dum marido ideal que não é mais do que uma projecção do seu eu ideal. Afinal todos somos bastante imperfeitos e não é isso que nos impede de amar e ser amados!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&amp;blog=29796171&amp;post=53&amp;subd=ruiferreiranunes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Deixa-me Entrar</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2009/06/17/deixa-me-ntrar/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Jun 2009 09:11:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[diferença]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>

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		<description><![CDATA[Parece-me que ninguém poderá ficar indiferente ao magnífico filme sueco Deixa-me Entrar. Realizado por Thomas Alfredson e escrito por John Ajvide Lindquist, Deixa-me Entrar conta a história de Oskar, um rapaz de 12 anos, ostracizado por um grupo de colegas de &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2009/06/17/deixa-me-ntrar/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&amp;blog=29796171&amp;post=36&amp;subd=ruiferreiranunes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parece-me que ninguém poderá ficar indiferente ao magnífico filme sueco <em>Deixa-me Entrar</em>. Realizado por Thomas Alfredson e escrito por John Ajvide Lindquist, <em>Deixa-me Entrar</em> conta a história de Oskar, um rapaz de 12 anos, ostracizado por um grupo de colegas de escola que se apaixona por Eli, uma menina vampira com 200 anos. Eli vai ajudar Oskar a ultrapassar os seus medos, a crescer, a ficar mais forte e confiante, ao ponto de conseguir enfrentar a crueldade dos colegas. Oskar oferece a Eli a aceitação e o afecto por alguém que não se pode mostrar à luz do dia, que se alimenta do sangue dos outros e cuja natureza parece impossibilitar a relação amorosa.<span id="more-36"></span></p>
<p>Com um registo cinematográfico impecável e excelência na interpretação, <em>Deixa-me Entrar</em> é um convite à reflexão sobre a possibilidade de deixarmos entrar na nossa vida alguém completamente diferente de nós e de nos apaixonarmos não obstante a diferença. <em>Deixa-me Entrar </em>é um filme sobre a essência do amor ou sobre a possibilidade e poder transformador da relação amorosa.</p>
<p>O filme evoca a nostalgia do amor adolescente num estado puro, absolutamente capaz de ultrapassar todas as barreiras e em particular  todas as diferenças. O amor que nos torna mais fortes, mais destemidos e capazes. O amor que cria sentido, que nos salva da apatia, da tristeza, do desespero e especialmente da solidão. Afinal Eli e Oskar estão sozinhos no mundo. <em>Deixa-me Entrar</em> representa também o paradigma do amor idealizado na sociedade contemporânea. O amor como salvação da solidão, o amor que nos liberta do quotidiano, o amor que resolve a diferença.</p>
<p>Oskar é o estereótipo do adolescente de hoje, a viver nos subúrbios duma grande cidade, filho de pais divorciados, com os quais tem uma relação emocionalmente distante mesmo quando procura aproximar-se do pai. Oskar está entregue a si próprio. Está abandonado. Nos antípodas do distanciamento e conduta mecânica e moralista da mãe de Oskar, a existência do pai de Eli circunscreve-se e anula-se na procura do sangue que alimenta a filha. O pai de Eli está encarcerado no seu amor incondicional de pai, do qual acabará por ser vítima.</p>
<p>O amor é retratado como incondicional e vampiresco. É o amor que nos eleva, nos salva e nos despedaça. O amor por uma vampira é também o amor que só tem existência numa dimensão transcendental e desde logo idealizada. Apesar de seguir a tradição clássica dos filmes de vampiros, <em>Deixa-me Entrar</em> ganha uma enorme pertinência na forma como nos confronta com a nossa percepção do amor e do fascínio que a relação amorosa exerce sobre nós como solução para os nossos problemas. Cada vez mais o amor é percepcionado como elemento mágico, idealizado, substituto da religião e da crença em algo superior que nos vai salvar.</p>
<p>As dificuldades em estabelecer e permanecer na relação intima estão muitas vezes associadas a esta ideia de amor. Um amor que surge de forma miraculosa e não um amor que se constrói, que cresce, que só existe porque foi investido de experiências e contradições. As dificuldades na relação com o outro surgem muitas vezes porque queremos alguém que nos espelhe ou que seja como nós idealizámos. É talvez por isso que a beleza perturbadora e comovente do amor de Eli e Oskar surge nos aspectos para nós paradoxais e transgressores da entrega e aceitação sem limites da diferença do outro.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/36/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&amp;blog=29796171&amp;post=36&amp;subd=ruiferreiranunes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Amor, Destruição e Transcendência</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2009/05/12/amor-destruicao-e-transcendencia/</link>
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		<pubDate>Tue, 12 May 2009 22:36:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[destruição]]></category>
		<category><![CDATA[diferenciação]]></category>
		<category><![CDATA[erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[intimidade]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>
		<category><![CDATA[transcendência]]></category>

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		<description><![CDATA[Na cultura ocidental a ideia do amor é muitas vezes conotada com uma dimensão trágica e uma dimensão transcendental. Estas dimensões estão relacionados com o lado destrutivo do amor ou com a ideia da morte oposta ao amor enquanto expressão &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2009/05/12/amor-destruicao-e-transcendencia/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&amp;blog=29796171&amp;post=34&amp;subd=ruiferreiranunes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na cultura ocidental a ideia do amor é muitas vezes conotada com uma dimensão trágica e uma dimensão transcendental. Estas dimensões estão relacionados com o lado destrutivo do amor ou com a ideia da morte oposta ao amor enquanto expressão maior da vida. A mitologia grega talvez represente da melhor forma estes princípios que ainda hoje se encontram enraizados na nossa forma de ver as relações amorosas. Afinal foi a beleza encantatória de Helena que levou Páris a apaixonar-se, a raptar Helena e a ser perseguido por mil navios que deram origem a uma longa guerra que o levou à  morte bem como à destruição de Tróia.<span id="more-34"></span></p>
<p>Para os Gregos da Antiguidade bem como para nós o amor está intrinsecamente ligado a poder, conflito, destruição e transformação. É através do amor que o indivíduo procura um sentido para a vida e se defende da ansiedade provocada pela morte. O amor incita-nos a enfrentar  o mundo mas também provoca as dores mais difíceis de tolerar e a iminência da destruição duma parte ou mesmo da totalidade de nós próprios. Medeia mata os filhos por não conseguir tolerar a raiva que sente por ter sido abandonada pelo pai destes, Jasão. A única saída que encontra para resolver a dor resultante do sentimento amoroso é a destruição da expressão concreta desse amor, nem que para isso tenha de transgredir as regras sociais mais essenciais e destruir uma parte fundamental de si própria.</p>
<p>O filosofo francês Bataille (1957/1988) descreve o ser humano como um ser descontínuo em busca de continuidade através do acasalamento e do amor, cuja componente sexual e de reprodução encerram em si mesmas a génese da sua própria destruição e transcendência. Para Bataille, quando procuramos transcender os nossos limites na relação com o outro, está presente uma componente agressiva expressa no acto sexual, na reprodução e nas situações em que estão em causa os limites individuais da nossa descontinuidade. Quando fazemos amor ou nos degladiamos na guerra, estamos a transgredir os limites de nós próprios e do outro e a aproximarmo-nos da morte. Não é por acaso que durante os períodos de guerra ou imediatamente a seguir os indíces de fertilidade aumentam sugerindo que  a iminência da morte do outro instila o desejo de reprodução e continuidade.</p>
<p>Segundo Bataille, a relação amorosa e em particular o erotismo têm um lado transgressor na medida em que promovem a continuidade entre seres individuais ou descontínuos, necessária à procriação num percurso em direcção à morte, estádio último de continuidade e transcendência. Tal como na mitologia grega, o amor e o erotismo contêm elementos transgressores e destrutivos que conferem à relação amorosa a possibilidade de transcendência dos limites do indivíduo, quer em termos físicos, como em termos espirituais e psicológicos.</p>
<p>Um dos autores mais reputados no estudo das dinâmicas relacionais, David Schnarch (1991), demonstra como o amor pode conter um potencial destrutivo mediante a forma como o indivíduo se diferenciou da sua família de origem e projecta na relação com o outro, aspectos não resolvidos durante o seu desenvolvimento.</p>
<p>Segundo Schnarch, a separação não resolvida com a mãe, poderá levar a um desejo de fusão com o parceiro(a) ou a ver o outro como extensão de si próprio. Situação muito comum no contexto português, em que os filhos são criados essencialmente pelas mães (esta tem sido a prática mais corrente) e permanecem na casa dos pais depois de atingirem a idade adulta. Com frequência os filhos adultos dividem as suas atenções entre as mães e os parceiros(as) permitindo uma intromissão inadequada destas na dinâmica relacional. Por outro lado, as mães latinas tendem a recorrer a estratégias muito subtis que reforçam o seu poder junto dos filhos, não os deixando crescer e tornarem-se verdadeiramente autónomos. São exemplos destas estratégias a vitimização, a rivalidade com as noras ou genros em termos de influência e opiniões sobre os mais diversos assuntos, a exigência de compromissos (deveres) familiares, o cuidar dos netos ou a prestação de favores que reforçam o sentimento de dívida para com os pais.</p>
<p>Outros aspectos considerados problemáticos por Scharnch são a falta de gratificação narcísica durante a infância que poderá &#8220;desviar&#8221; a pessoa para um desejo permanente de sentir-se especial ou superior aos outros e tender a procurar a pessoa perfeita que resulta da projecção dessa defesa. Esta estratégia conduz a uma insatisfação recorrente na relação, com frequentes boicotes inconscientes que acabam por destruir a relação.</p>
<p>No extremo oposto, a criança muito gratificada e sobreprotegida tenderá a ficar dependente da aprovação e atenção do outro na relação e a tornar-se muito reactiva quando as suas necessidades não são atendidas, passando a agir duma forma agressiva de que são exemplo as &#8220;birras&#8221; ou &#8220;ataques de ciúmes&#8221;.</p>
<p>Em suma, muitas vezes os casais lutam por gratificação e validação mútuas através da forma como projectam no outro aspectos mal resolvidos no seu desenvolvimento ou decorrentes de situações de negligência ou abuso. Por outro lado, estas lacunas podem conduzir a comportamentos agressivos muitas vezes despropositados porque são induzidos de forma inconsciente.</p>
<p>Segundo Scharchn, as pessoas mais diferenciadas tendem a auto-validar-se em lugar de se validarem através do outro e assim toleram melhor a sua ansiedade em lugar de a projectarem sob as mais variadas formas na outra pessoa, ou a assumirem personalidades parcialmente diferentes dentro e fora da relação.</p>
<p>Na opinião deste autor,  a intimidade e o erotismo são potenciados pelo nível de diferenciação que permite um grau de entrega na relação capaz de ultrapassar os medos inerentes à aparente perda da individualidade ou experiência da continuidade descrita por Bataille. Nestes casos, a intimidade passa a ser extremamente gratificante e reafirmativa, e não destrutiva. Tal como na mitologia grega, o amor pode ser fonte de destruição e conflito mas também de transcendência e transformação.</p>
<p>Referencias</p>
<p>Bataille, G. (1988). O Erotismo (Costa, J., B., Tradução) Lisboa: Antigona. (obra original publicada em 1957).</p>
<p>Schnarch, D. M. (1991). Constructing the sexual crucible: An integration of sexual and marital therapy. New York: Norton Company, Inc.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruiferreiranunes.wordpress.com/34/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&amp;blog=29796171&amp;post=34&amp;subd=ruiferreiranunes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Co-Dependência, Amor ou Maldição?</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2009/01/21/a-co-dependencia-amor-ou-maldicao/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Jan 2009 12:47:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[co-dependência]]></category>
		<category><![CDATA[controle]]></category>
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		<description><![CDATA[A entrega incondicional na relação amorosa desde há muito que se tornou um arquétipo universal, cantado pelos poetas, empolado nos romances e ilustrado no cinema ou no teatro em cenas dramáticas que nos comovem a todos, tal é o nosso &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2009/01/21/a-co-dependencia-amor-ou-maldicao/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&amp;blog=29796171&amp;post=28&amp;subd=ruiferreiranunes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A entrega incondicional na relação amorosa desde há muito que se tornou um arquétipo universal, cantado pelos poetas, empolado nos romances e ilustrado no cinema ou no teatro em cenas dramáticas que nos comovem a todos, tal é o nosso desejo de sermos assolados por um  sentimento amoroso tão avassalador.</p>
<p>Na realidade, a entrega sem limites ao outro tem consequências nefastas para o próprio e revela diversas fragilidades justificadas pela intensidade do sentimento amoroso. Gradualmente a pessoa anula-se na relação para poder servir os interesses da pessoa amada, funde-se com ela chegando mesmo a perder a sua própria identidade, enquanto reclama não sentir da outra parte o mesmo empenho e devoção.<span id="more-28"></span></p>
<p>A organização da vida de alguém em torno da pessoa amada ao ponto de tornar inconcebível a sua existência sem o outro é uma forma de dependência semelhante à dependência de drogas ou álcool, cujo carácter destrutivo requer tratamento e prevenção.</p>
<p>Desde o final dos anos 70 que surgiu no meio da psicoterapia o conceito de co-dependência inicialmente usado para descrever as pessoas cuja vida era afectada por alguém dependente de drogas ou álcool. Este conceito teve origem nos Alcoólicos Anónimos que organizaram grupos de auto-ajuda para apoiar os cônjuges de pessoas dependentes do álcool, os Al-Anon.</p>
<p>Estas pessoas eram caracterizadas por procurarem relações com pessoas dependentes de substâncias na medida que estas suscitariam comportamentos co-dependentes. Estes comportamentos incluíam uma enorme reactividade, necessidade permanente de controlo do outro, baixa auto-estima e esvaziamento emocional da pessoa co-dependente.</p>
<p>Este conceito rapidamente se alargou a  pessoas que estabelecem relações em que ficam obsessivas em controlar o comportamento do outro, esquecendo-se de si próprias e do que as terá levado a agir desta forma.</p>
<p>As pessoas co-dependentes sentem-se incompletas sem o parceiro(a). Têm pouco amor-próprio, são muito auto-críticas e sentem-se magoadas facilmente. Por estas razões os co-dependentes são muito reactivos às atitudes e comportamentos do outro, têm dificuldades em expressar certo tipo de sentimentos em que julgam ficar demasiado expostos ou vulneráveis. Por consequência, estas pessoas têm dificuldade em pedir ajuda, em reconhecer os seus erros e olhar para as suas feridas. Tudo porque têm medo de perder o controle. O controle sobre si próprias que é assim assegurado através do controle do outro.</p>
<p>Os co-dependentes tentam reforçar a sua auto-estima ajudando os outros a resolver os seus problemas, nem que para isso tenham de comprometer a sua integridade e os seus valores. Os co-dependentes têm dificuldade em dizer que não, têm relações sexuais sem vontade, despendem demasiado tempo a dizer que tudo vai bem.</p>
<p>Numa fase inicial, os co-dependentes dedicam-se a tentar &#8220;salvar o outro&#8221;, zelando quase religiosamente pelos seus interesses, tomando para si a responsabilidade das suas acções, pensando por eles, sofrendo as consequências do seu comportamento. Posteriormente, os co-dependentes zangam-se com os outros pela falta de gratidão e reconhecimento, chegando ao ponto de sentir uma raiva incontrolável sobre os outros e sobre si próprios.</p>
<p>Este ciclo deixa a pessoa co-dependente ainda mais frágil porque deu tudo e afinal não mudou nada. Na verdade, a pessoa co-dependente ajuda o outro a perpetuar os seus problemas e a desresponsabilizar-se dos seus actos. Quando estas relações atingem um ponto de  ruptura, a pessoa co-dependente tende a procurar outra pessoa problemática para dar início a um novo ciclo.</p>
<p>A recuperação da co-dependência inicia-se pela tomada de consciência de que a pessoa precisa de centrar-se em si mesma, desprendendo-se da adição ao outro, procurando ajuda para identificar as suas vulnerabilidades e os vazios que tenta preencher através da dedicação aos outros. Quando as pessoas começam a gostar de si mesmas, a cuidar das suas feridas e a sará-las, quando aprendem a expressar os seus sentimentos e necessidades de forma adequada, as pessoas ganham noção dos seus limites e ganham perspectiva sobre si próprias.</p>
<p>Quando as pessoas gostam de si mesmas vão tender a procurar pessoas que as valorizem e respeitem pelo o que elas são. O ciclo da co-dependência pode ser interrompido e desfeito quando a pessoa co-dependente compreende que a resolução do seu problema reside em si próprio. Reside em tomar responsabilidade por si, tomar conta da sua vida e assim ficar disponível para poder verdadeiramente amar.</p>
<p>Sugestão de leituras sobre este tema:<br />
&#8220;Vencer a Co-Dependência &#8211; Como Deixar de Controlar os Outros e Cuidar de Si&#8221;, Melody Beattie, Sinais de Fogo<br />
&#8220;Mulheres que Amam Demais&#8221;, Robin Norwood, Sinais de Fogo</p>
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