<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Rui Ferreira Nunes</title>
	<atom:link href="http://ruiferreiranunes.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://ruiferreiranunes.com</link>
	<description>Psicoterapeuta</description>
	<lastBuildDate>Sat, 20 Apr 2013 06:54:11 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='ruiferreiranunes.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://s2.wp.com/i/buttonw-com.png</url>
		<title>Rui Ferreira Nunes</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://ruiferreiranunes.com/osd.xml" title="Rui Ferreira Nunes" />
	<atom:link rel='hub' href='http://ruiferreiranunes.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>O Efeito do Desamor</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2013/04/18/o-efeito-do-desamor/</link>
		<comments>http://ruiferreiranunes.com/2013/04/18/o-efeito-do-desamor/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 18 Apr 2013 15:32:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[Goethe]]></category>
		<category><![CDATA[prazer]]></category>
		<category><![CDATA[realidade]]></category>
		<category><![CDATA[suicídio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ruiferreiranunes.com/?p=229</guid>
		<description><![CDATA[Na Galeria Carpe Diem em Lisboa, os artistas plásticos João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira apresentam uma obra composta de um filme e dos objectos utilizados na sua construção intitulada Werther Efffect.  O Efeito Werther foi um fenómeno observado &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2013/04/18/o-efeito-do-desamor/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=229&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Na Galeria Carpe Diem em Lisboa, os artistas plásticos João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira apresentam uma obra composta de um filme e dos objectos utilizados na sua construção intitulada <i>Werther Efffect</i>.  O Efeito <i>Werther</i> foi um fenómeno observado na sequência da publicação da obra emblemática do romantismo, <em>Os Sofrimentos do Jovem Werther</em>, de Goethe, em que o personagem encontra no suicídio a única solução para terminar com o sofrimento causado pela paixão não correspondida por Charlotte, já prometida a outro homem. Após a sua publicação em 1774, muitos jovens não só imitaram o estilo do jovem Werther como elegeram o suicídio enquanto única saída para o doente apaixonado.</p>
<p><span id="more-229"></span></p>
<p>Dois séculos mais tarde, em 1974, o sociólogo David Phillips identificou um fenómeno de suicídio por imitação que cunhou com o termo Efeito <em>Werther</em>. De acordo com os seus estudos,  a publicitação relevante de uma forma de suicídio ou de outros comportamentos desviantes leva  pessoas em situação de vulnerabilidade a copiarem o comportamento publicitado. A probabilidade do fenómeno acontecer estaria relacionada com o grau de identificação do sujeito à história relatada quer em termos de idade, condição social, área geográfica e obviamente contexto emocional. Phillips atribuía uma importância significativa ao sensacionalismo e glamorização com que os media tratavam os indivíduos que se suicidavam, em particular pessoas famosas ou ídolos de uma determinada população.</p>
<p>Este último aspecto é conceptualizado na escolha da envolvente banda sonora do filme de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira. Os intérpretes reproduzem de forma comovente e pessoal as canções de autores como Kurt Cobain, Amy Winehouse ou Nick Drake que morreram muito jovens (de uma forma próxima do suicídio), alimentando a visão da impossibilidade de convergência entre o seu mundo interior e a realidade crua que os envolvia.</p>
<p>A cisão entre o mundo interno, sensível  e potenciador do verdadeiro eu e uma realidade adversa à realização da felicidade é uma das questões fundamentais de Goethe. Para o jovem Werther a força dos sentimentos embate nas imposições do quotidiano, tornando intolerável a aceitação do real e legítima a procura do desfecho fatal. O mundo interior permanece assim intacto perante uma realidade intolerável. Goethe opunha-se à concepção fria e obcecada pela razão do Iluminismo, em que os atributos económicos e sociais prevaleciam sobre os valores humanos propriamente ditos, como os sentimentos, a fantasia e as relações sociais.</p>
<p>O que me pareceu pertinente foi a forma como JPV e NAF transportam para o seu trabalho esta visão utópica mas de alguma forma coincidente com a actualidade, fundamentando as escolhas dos personagens não no sentimento pelo outro mas no princípio do prazer, conceito Freudiano que curiosamente se pode constituir como paralelo à visão de Goethe.</p>
<p>Para Freud, a mente organiza-se numa fase rudimentar pelo princípio do prazer/desprazer, procurando a satisfação directa do desejo pela sua realização, ou indirecta através da alucinação. Em ambos os casos, a mente recorre à descarga motora para se libertar dos estímulos desagradáveis. Podemos entender perfeitamente este funcionamento quando pensamos no bebé e na forma como procura o peito da mãe quando tem fome ou esperneia e grita quando está satisfeito ou insatisfeito.</p>
<p>Segundo Freud a evolução desta mente rudimentar para uma mente propriamente dita só surge com a introdução do princípio da realidade que condiciona o funcionamento do princípio do prazer: “o que se apresentava na mente não era o mais agradável, mas o real, mesmo que acontecesse ser desagradável”. É a partir do momento em que somos confrontados com o real que a mente é empurrada para encontrar uma solução para um problema e desenvolver o que Freud entendeu como consciência.</p>
<p>Para Freud, para Goethe e para os personagens do filme, uma parte da realidade é sempre de algum modo insuportável. Segundo os autores do filme esta insuportabilidade decorre da dificuldade de ver o outro, ou melhor ainda de se suportarem a si próprios. Esta insatisfação permanente com o real e consigo mesmos atravessa toda a obra em que os personagens procuram no sexo, no orgasmo e na alucinação, a libertação da mente e o desejo de se transcenderem já que parecem não conseguir sentir nada.</p>
<p>Num registo pop/psicadélico intercalado pelas danças rígidas do Ballet Triádico, reposição dum bailado criado no contexto da <em>Bauhaus</em> em que figuras humanas assumem contornos de figuras geométricas puras, os personagens procuram através do prazer afastar-se da insuportabilidade da realidade que neste caso resulta não só das imposições do exterior mas essencialmente da frustração no amor.</p>
<p>As alusões ao cinema mudo e as transfigurações das personagens que por vezes se dissipam através dos filtros exuberantes de cores transportam-nos para a percepção duma realidade alterada, centrada na busca incessante do prazer/amor de si, sem nunca o conseguir encontrar. Mariana corre na lama, mas parece que não chega a tocar no chão.</p>
<p>O texto de Nuno Alexandre Ferreira ilustra de forma soberba esta frustração no amor e a procura compensatória do prazer alucinogénico como forma de resolver a dialética constante de procurar na falha do próprio o desejo pelo outro: “Só decidi que ela era a tal quando ela o escolheu a ele”.</p>
<p>A ideia de que o outro só nos interessa quando não está interessado em nós gerando o vazio que nenhum prazer parece conseguir preencher reflecte os sintomas narcísicos da sociedade actual, extrapolados de forma poética num diálogo em forma de <i>travelling </i>fragmentado em que os intérpretes se confundem com as personagens e trocam os nomes (o nome do outro já não interessa mas a representação do que ele significa para mim). Neste diálogo “amoroso” e redundante, o personagem masculino compara-se nos mais pequenos detalhes com o outro, pelo qual a amada está aparentemente apaixonada.</p>
<p>Ao contrário de Goethe, não é a frustração com a realidade externa e a força e prevalência do amor que impelem ao suicídio mas a dificuldade de se conseguir amar, ou seja, é a realidade do próprio que se torna verdadeiramente insuportável.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/229/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/229/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=229&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ruiferreiranunes.com/2013/04/18/o-efeito-do-desamor/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://2.gravatar.com/avatar/288719a321e920ca8107e96712bcbe4a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">ruiferreiranunes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Raiva e Controlo na Relação</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2012/10/17/raiva-e-controlo-na-relacao/</link>
		<comments>http://ruiferreiranunes.com/2012/10/17/raiva-e-controlo-na-relacao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 17 Oct 2012 06:38:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[controlo]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[Raiva]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ruiferreiranunes.com/?p=193</guid>
		<description><![CDATA[As crises nas relações, no trabalho, na família, no amor, dão muitas vezes origem a sentimentos de raiva difíceis de controlar. Nas manifestações desencadeadas pela crise económico-política, os manifestantes tentam derrubar grades e atirar pedras aos polícias, percepcionados enquanto símbolos &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2012/10/17/raiva-e-controlo-na-relacao/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=193&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As crises nas relações, no trabalho, na família, no amor, dão muitas vezes origem a sentimentos de raiva difíceis de controlar. Nas manifestações desencadeadas pela crise económico-política, os manifestantes tentam derrubar grades e atirar pedras aos polícias, percepcionados enquanto símbolos do Estado, elemento tornado ameaçador (e potencialmente destruidor) da segurança do indivíduo e do bem-estar social. Tal como na natureza, a resposta dos seres humanos perante a ameaça externa imprevisível é fugir ou lutar. A raiva suporta o instinto de lutar pelo território, pelo amor e pela vida. A raiva serve essencialmente como mecanismo de defesa do eu perante uma ameaça destruidora do mesmo.</p>
<p>Contudo, nas relações, a raiva é percepcionada pelo outro como uma intenção expressa de magoar ou ferir. Insultos, ameaças, julgamento depreciativo da outra pessoa e da sua conduta são expressões comuns deste sentimento. Outros padrões mais sofisticados podem incluir comportamentos passivo-agressivos como a recusa ao diálogo ou à cooperação com o outro, a chantagem emocional, a imposição coerciva de condições, a ausência propositada com o fim de demonstrar poder sobre a outra pessoa, deixando-a em espera e numa posição de maior vulnerabilidade, decorrente da incerteza da situação.<span id="more-193"></span></p>
<p>Na relação, o sentimento de raiva é modulado por razões psicológicas que decorrem muitas vezes da sensação de incapacidade para controlar o outro, a crise relacional ou mesmo o conflito entre os sentimentos de ódio e amor. Por exemplo, o desgosto amoroso e o sentimento de perda levam as pessoas a sentir raiva pelo outro como fonte do seu próprio mal mas também reflectem a zanga consigo mesmas. A zanga por se sentirem culpadas, a zanga por terem acreditado que a outra pessoa as poderia preencher ou completar, ou mesmo actualizar a parte boa de si mesmas, expectativa legítima da relação.</p>
<p>O controlo da raiva começa pela identificação das necessidades do eu na relação, ou seja o que se procura conquistar para si através do outro. Muitas vezes, o vazio afectivo resultante das relações parentais insuficientes ou abandónicas leva a pessoa a procurar no parceiro(a) a correcção do cenário infantil sem se dar conta da verdadeira realidade do outro e da dinâmica relacional. Numa fase inicial da relação, projecta-se na outra pessoa a capacidade de esta ir ao encontro das necessidades do eu. Por vezes, esta expectativa tem contornos mágicos e encantatórios, o outro parece suprir o que faltou durante o crescimento, o regresso ao colo duma mãe doce que ampara e consola, a compreensão e aceitação duma identidade própria, a cumplicidade duma alma gémea que reforça o valor e a existência do próprio.</p>
<p>A ilusão de que o outro pode preencher o vazio é uma armadilha em que se fica refém dos próprios sentimentos. Vive-se apaixonado pelo que o outro representa. Por vezes a paixão pelo outro corresponde a uma projecção do eu ideal, ou seja, a relação amorosa é idealizada como forma de materializar as necessidades do eu. Quando se idealiza, deixa-se de ver realmente a outra pessoa e fica-se dependente e expectante da materialização da idealização. O ciúme reflecte por vezes esse desejo de controlo do outro que não é mais do que o controlo sobre o próprio e do que ele mais necessita.</p>
<p>Quanto maior for esta dependência de alguém para atender às necessidades mais arcaicas e às defesas delas resultantes, maior será a necessidade de controlar o outro na relação para assegurar a sua função. O sentimento de raiva varia conforme a pessoa se sinta defraudada nas suas expectativas, especialmente se este tiver sido o cenário experienciado na infância. A raiva procura recuperar o cenário reparador da relação com o outro, procura reclamar a própria existência do eu perante a iminência do abandono e da perda, procura libertar o eu dos sentimentos de culpa e vergonha inconscientes. Mas muitas vezes, a raiva não é mais do que a manifestação da desilusão perante a confirmação dos mesmos sentimentos negativos vivenciados nas relações do passado.</p>
<p>É verdade que nem sempre é assim. A raiva também surge do cenário de uma outra perda, da perda de alguém que encantou, preencheu e proporcionou os sentimentos gratificantes da relação, sem que nunca se tivesse sentido a traição. Mas essa raiva é mais interior e controlada, guardada pela valorização do que o eu representa. Alguém tão insubstituível como o outro.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/193/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/193/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=193&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ruiferreiranunes.com/2012/10/17/raiva-e-controlo-na-relacao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://2.gravatar.com/avatar/288719a321e920ca8107e96712bcbe4a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">ruiferreiranunes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Depois da Infidelidade</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2012/03/14/depois-da-infidelidade/</link>
		<comments>http://ruiferreiranunes.com/2012/03/14/depois-da-infidelidade/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Mar 2012 10:57:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[crescimento]]></category>
		<category><![CDATA[infidelidade]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ruiferreiranunes.com/?p=178</guid>
		<description><![CDATA[O impacto psicológico causado pelas situações de infidelidade leva muitas pessoas a procurar a terapia de casal e a terapia individual para tentar ultrapassar as feridas abertas pela quebra das expectativas sobre o outro e sobre a relação. A definição &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2012/03/14/depois-da-infidelidade/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=178&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O impacto psicológico causado pelas situações de infidelidade leva muitas pessoas a procurar a terapia de casal e a terapia individual para tentar ultrapassar as feridas abertas pela quebra das expectativas sobre o outro e sobre a relação.</p>
<p>A definição de infidelidade inclui duas componentes comportamentais: 1. Um dos parceiros envolve-se com um terceiro em comportamentos de cariz sexual que violam de forma explícita ou implícita as expectativas da relação; 2. Um dos parceiros envolve-se com um terceiro em comportamentos de natureza não-sexual tais como partilhar tempo, sentimentos e pensamentos que violam de forma explícita ou implícita as expectativas da relação.</p>
<p><span id="more-178"></span></p>
<p>Em qualquer dos casos, a definição de infidelidade caracteriza-se, <span style="color:#333333;font-style:normal;line-height:24px;">de forma explícita ou implícita, </span>pela quebra do compromisso acordado por ambos os membros do casal. A natureza do compromisso e a forma subjectiva como é assumido e sentido é por vezes a primeira questão que se levanta num cenário de infidelidade. Muitos casais não discutem o compromisso esperado e possuem percepções diversas sobre os comportamentos aceitáveis na relação com terceiros. Contudo, são de facto os comportamentos claramente não expectáveis que produzem situações de maior risco para a relação nomeadamente quando uma das pessoas é surpreendida com a evidência da quebra do compromisso e a forma como este se transforma numa situação de clara agressão e violação do parceiro.</p>
<p>As razões que levam a situações de infidelidade são múltiplas e incluem sempre uma componente relacional, ou seja a quebra do compromisso é derivada duma dinâmica em que o parceiro assume ou assumiu um papel visto pelo outro como passível de ser violado. Por exemplo, relações em que as pessoas têm pouca intimidade ou em que uma assume um papel cuidador e parental em relação ao outro, levam por vezes um dos membros a procurar preencher as suas necessidades emocionais e sexuais fora da relação. Factores culturais e sociais podem ter um peso relevante nas situações de infidelidade. Experiências sexuais fora da relação são por vezes encaradas como aceitáveis pelo seu cunho clandestino e transgressor por oposição ao carácter estável, social e moralmente adequado às necessidades do sujeito e ao seu enquadramento familiar. Obviamente que esta análise é circunscrita aos padrões observados nas sociedades ditas ocidentais e não pode ter a mesma aplicação em culturas que encaram a fidelidade de forma manifestamente diversa.</p>
<p>Não obstante, a estrutura psicológica individual é um factor preponderante nos cenários de infidelidade. Excluídos os casos do foro patológico, as dinâmicas relacionais reflectem sempre a forma como as pessoas são diferenciadas e capazes de assumir o compromisso com o outro. A história familiar e de desenvolvimento têm um peso determinante na construção dos padrões interpessoais, na reprodução de padrões relacionais experienciados no passado ou na projecção na outra pessoa de aspectos de si próprio não resolvidos. Por exemplo, a falta de validação e gratificação narcísica durante o crescimento poderão levar a uma desvalorização do vínculo afectivo com o parceiro e à procura dum elemento exterior à relação com funções excitatórias ou mágicas sentidas como reparadoras de falhas no desenvolvimento do indivíduo.</p>
<p>O plano de tratamento pós-infidelidade no contexto da terapia de casal pode comportar diferentes objectivos. Os membros do casal podem estabelecer como objectivo recuperar a relação e terminar de imediato o caso extra-conjugal se este ainda não estiver terminado. O casal pode também optar por um plano ambivalente, neste caso o objectivo é clarificar o futuro da relação e do <em>affair</em>. Por último, ambos os membros do casal podem desejar terminar a relação e o objectivo da terapia é a separação nas melhores condições possíveis. Em qualquer das situações o terapeuta compromete-se com ambos os parceiros em não ocultar do outro nenhum dos aspectos confidenciados em sessões individuais e em colaborar no sentido de promover o bem-estar do casal.</p>
<p>Neste sentido, a terapia procura defender ambos os membros do casal de ameaças ou acções que possam magoar o próprio ou o outro. São verbalizados as razões e os sentimentos decorrentes do caso extra-conjugal com respeito e consideração pelo parceiro. Procura-se avaliar o impacto psicológico do <em>affair</em> em ambos os membros do casal e desenvolver intervenções com vista a resolver e a aliviar os sintomas detectados, que no caso da vítima podem compreender sintomas de stress pós-traumático e ou depressão. São exemplos destas intervenções, desenvolver estratégias para lidar com pensamentos intrusivos relativos ao <em>affair</em> experienciados pela vítima, promover formas de expressão dos sentimentos e compreensão pelo ponto de vista do outro.</p>
<p>Uma vez que estejam identificados os factores que conduziram à situação de infidelidade e definidos os objectivos da terapia, o casal enceta um projecto de mudança na relação em que se procura estabelecer individualmente os aspectos a alterar com vista a promover a recuperação da relação ou eventualmente a optar pela separação.</p>
<p>As crises provocadas por situações de infidelidade, apesar de muito dolorosas, são muitas vezes oportunidades para o casal repensar o projecto de relação e confrontar-se com mudanças individuais que implicam o crescimento emocional de ambos os parceiros. A co-responsabilização das situações criadas e a capacidade para aceitar os erros cometidos são passos decisivos para restabelecer uma relação mais significativa e duradoura. Uma melhor compreensão das nossas vulnerabilidades e a possibilidade de as poder partilhar com o outro reforça a intimidade do casal e promove uma visão mais realista da vida conjugal.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/178/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=178&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ruiferreiranunes.com/2012/03/14/depois-da-infidelidade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
	
		<media:content url="http://2.gravatar.com/avatar/288719a321e920ca8107e96712bcbe4a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">ruiferreiranunes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Restless, Redenção</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2011/12/15/restless-redencao/</link>
		<comments>http://ruiferreiranunes.com/2011/12/15/restless-redencao/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 11:45:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[inquietos]]></category>
		<category><![CDATA[perda]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ruiferreiranunes.com/?p=153</guid>
		<description><![CDATA[A palavra Restless que dá título ao último filme de Gus Van Sant é difícil de traduzir em português, embora a tradução oficial do filme optasse por Inquietos numa derivação correcta de Inquietude ou Inquietação. Inabilidade para estar parado, agitação &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2011/12/15/restless-redencao/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=153&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A palavra <em>Restless</em> que dá título ao último filme de Gus Van Sant é difícil de traduzir em português, embora a tradução oficial do filme optasse por <em>Inquietos</em> numa derivação correcta de Inquietude ou Inquietação. Inabilidade para estar parado, agitação e movimento  permanente, sem nunca conseguir realmente repousar. De facto, <em>Restless</em> retrata na perfeição o estado interno quase constante dos adolescentes, mesmo quando estes aparentam estar mergulhados no mais profundo e subaquático dos mundos, alheados de toda a realidade excepto aquela que tem significado na construção das suas ilusões.</p>
<p><span id="more-153"></span></p>
<p>A adolescência é muitas vezes sentida pelos pais como um período penoso, de difícil entendimento, em que os adolescentes ziguezagueiam o controlo dos pais e surpreendem-nos com a mais destemida loucura ou doce gesto de afecto. Apesar do desconforto que sentimos, nós, os adultos, invejamos em grande medida os adolescentes. O seu lado pueril, a força bruta criativa, a ingenuidade desconcertante, a capacidade de acreditar no futuro e sobretudo, sobretudo a descoberta encantatória do amor.</p>
<p>Neste filme imperdível sobre a perda, Gus Van Sant mostra-nos dois adolescentes à procura de a resolver, encontrando nos velórios, nos locais de ritualização da morte ou na sua encenação, uma forma rebelde e criativa de negarem a evidência da sua realidade. Enoch perdeu os pais num acidente de viação em que ele ficou em coma não podendo testemunhar nem ritualizar a morte destes e Annabel sofre de um cancro com um prognóstico de três meses de vida. Tanto num caso como noutro, as figuras primordiais desapareceram ou estão completamente ausentes, como a mãe de Annabel.</p>
<p>Apesar de haver adultos por perto que os amam e tentam protege-los, Enoch e Annabel sentem-se profundamente sozinhos e desamparados no cenário árido da América de Portland. Curiosamente, um filme absolutamente comovente que traz de novo a relação amorosa ao centro do discurso cinematográfico, foi recebido de forma indiferente na América. Através da relação amorosa entre Enoch e Annabel surge a resolução da perda, o amor é redentor da sua (aparente) morte.</p>
<p>Sorrimos com os encontros de Enoch e Annabel, com a sua astúcia e autenticidade, interpretados com enorme sofisticação e realismo por Henry Hopper e Mia Wasikowska. Maravilhamo-nos com o imaginário adolescente, com o fantasma kamikaze amigo de Enoch, com a poesia das imagens de Van Sant, cuja paleta outonal reflecte os afectos encarcerados dos dois miúdos que explodem de forma inebriante na descoberta do amor.</p>
<p>Quando entram em contacto com os afectos, Enoch e Annabel não conseguem tolerar a raiva inerente à perda iminente do outro e dos sentimentos implícitos às suas próprias perdas, anteriores ao seu encontro, reveladas de forma inesperada pelo catalisador da paixão.</p>
<p>A raiva intolerável, a inquietude irrequieta e permanente, dão então lugar à aceitação. A uma aceitação da perda que só faz sentido porque é redentora, porque nos mostra internamente que o único sentido possível para a sobrevivência à morte é o significado afectivo da relação. Tal como no filme, a redenção da perda traz para junto de nós, outra vez, quem nós mais gostamos e quem gosta de nós e reorganiza o nosso real de forma mais significativa.</p>
<p>Apesar de Annabel morrer, Enoch já não está sozinho. Está acompanhado pelos outros e pelo amor de Annabel. Quando discursa na cerimónia fúnebre que ele tão bem preparou, nada consegue dizer&#8230; Não é preciso, todos percebemos que em certos momentos, não conseguir falar, tem mais significado que qualquer palavra.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/153/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=153&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ruiferreiranunes.com/2011/12/15/restless-redencao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://2.gravatar.com/avatar/288719a321e920ca8107e96712bcbe4a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">ruiferreiranunes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>O Pecado da Bissexualidade</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2011/12/13/o-pecado-da-bissexualidade/</link>
		<comments>http://ruiferreiranunes.com/2011/12/13/o-pecado-da-bissexualidade/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 07:58:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Consultório online]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[bissexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>
		<category><![CDATA[vida dupla]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ruiferreiranunes.com/?p=140</guid>
		<description><![CDATA[Tenho 25 anos e tive até hoje duas namoradas, sendo que a última, o namoro durou por 6 meses. Durante toda a minha vida tive relações sexuais com homens sendo que a partir dos 16 anos comecei a ser ativo &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2011/12/13/o-pecado-da-bissexualidade/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=140&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Tenho 25 anos e tive até hoje duas namoradas, sendo que a última, o namoro durou por 6 meses. Durante toda a minha vida tive relações sexuais com homens sendo que a partir dos 16 anos comecei a ser ativo e passivo ao mesmo tempo. Nessa fase de adolescente foi muito complicado para mim pois pensava em sexo quase que constantemente, sendo isso normal nessa fase da vida.</p>
<p><span id="more-140"></span></p>
<p>Aos 16 anos me envolvi com pessoas muito mais velhas do que eu sendo que a diferença era de mais ou menos uns 30 anos. Nossas relações eram intensas, ainda mais para mim com 16 anos de idade. No entanto essas relações para mim eram erradas. Assim me envolvia, sendo que depois ficava completamente arrependido. Mas não adiantou. Depois desse veio os outros e outros.</p>
<p>Sendo que com 22 anos tive minha primeira namorada. Mesmo assim tive relações com homens estando com ela.  Achei isso horrível. Esse namoro durou por 2 anos. Sendo que agora com 25 anos tive uma outra namorada, esse namoro durou 6 meses. Tudo isso porque ela descobriu alguns telefones de pessoas que ela não ficou sabendo se eram de homens ou mulheres. Mas é claro eram de homens.</p>
<p>Bom sempre pensei em construir uma família normal sendo eu com minha esposa e um filho, um desejo enorme que tenho. Então penso que gosto de mulheres sim. E realmente gosto. E gostaria de que esse sonho de constituir família se realizasse. No entanto agora pela primeira vez em minha vida estou namorando um rapaz que é mais jovem do que eu. E de todos esses relacionamentos com homens que tive, na verdade só transa, eu nunca me apaixonei era só sexo e deu.</p>
<p>Mas agora é diferente sinto que estou gostando desse garoto de verdade e ele de mim. Tanto que se um dia ele não fala comigo penso que ele não me quer mais. É um namoro discreto do qual só a mãe e irmã dele sabem. Minha família não sabe ou apenas se fazem que não sabem. E isso me preocupa muito.</p>
<p>Principalmente minha mãe. Mas não é só isso, desde pequeno fui ensinado, embora não seguisse o que me fora dito, que ter esses tipo de relações é pecado. E isso realmente tenho convicção. Para mim isso é o certo. Tanto que era por isso que me arrependia quando fazia sexo com homens desde cedo. Bom isso me atormenta. Sonho em ter uma família com esposa e ao mesmo tempo gosto dessa pessoa que mencionei e ao mesmo tempo minha consciência me acusa. Por favor que eu faço? me ajude por favor, me dê um conselho. Estou vivendo uma vida dupla que me trás angustias. Bom acho que é isso. Obrigado!!!</p></blockquote>
<p>O Renato descreve duas partes de si próprio que não têm de ser necessariamente incompatíveis mas que têm estado associadas a ideias e comportamentos diferentes. Até conhecer recentemente um rapaz jovem por quem se enamorou, o Renato viu sempre o sexo com homens separado do envolvimento afectivo, descrevendo a função desta experiência como libertadora duma tensão que quase não conseguia tolerar. Procurou homens mais velhos, o que para si parece ter evitado maior conexão emocional. As relações de afecto estariam então reservadas para as mulheres, o que parece associado a um padrão de família, derivado do desejo de ser pai e talvez também de ser aceite pelos outros (sociedade). Contudo, manteve a separação entre a vida afectiva com as suas namoradas e a sua vida sexual que era partilhada com outros homens. O conflito surge quando o Renato se envolve emocionalmente com um rapaz e uma rapariga, e a separação entre sexo e afecto que imprimia um cunho clandestino e transgressor à sua parte homossexual deixa de fazer sentido. Resta-lhe agora escolher o que deseja para si, assumir a relação com a pessoa com a qual se sente melhor e com a qual antecipa uma vida mais autentica ou optar por uma relação que vai ao encontro do que é sentido como as expectativas sociais e o desejo de constituir família. Renato, o sexo com homens não é pecado, nem é uma doença. os homens e as mulheres, somos todos pessoas, capazes de estabelecer relações com afecto e  significado entre si. A atracção sexual é determinante para a construção da relação íntima, mas esta só faz sentido se eu sentir que sou congruente com as minhas escolhas, ou seja que escolho uma pessoa que está em consonância com o que eu sinto e assumo internamente para mim e não para os outros.</p>
<blockquote><p>Ola!!! Fiquei muito feliz de o senhor ter lido meu e-mail e mais de ter me dado uma resposta coerente e que pode sim me ajudar. Sou muito grato por sua ajuda. E gostaria sim que o senhor publicasse meu comentário e sua resposta no site. Novamente agradeço por tudo.E desejo que o senhor continue ajudando as pessoas que passam por conflitos. Abração!!!!</p>
<p>Renato</p></blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/140/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=140&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ruiferreiranunes.com/2011/12/13/o-pecado-da-bissexualidade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://2.gravatar.com/avatar/288719a321e920ca8107e96712bcbe4a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">ruiferreiranunes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Sangue do Meu Sangue</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2011/10/29/sangue-do-meu-sangue-2/</link>
		<comments>http://ruiferreiranunes.com/2011/10/29/sangue-do-meu-sangue-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 29 Oct 2011 12:16:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[dinâmica familiar]]></category>
		<category><![CDATA[social]]></category>
		<category><![CDATA[vinculação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ruiferreiranunes.com/?p=77</guid>
		<description><![CDATA[O magnífico filme português Sangue do Meu Sangue apresenta-se pela voz dos seus actores como um filme sobre o amor incondicional entre vários membros duma família que vive em condições precárias num bairro de subúrbio lisboeta. O amor é retratado &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2011/10/29/sangue-do-meu-sangue-2/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=77&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O magnífico filme português <em>Sangue do Meu Sangue</em> apresenta-se pela voz dos seus actores como um filme sobre o amor incondicional entre vários membros duma família que vive em condições precárias num bairro de subúrbio lisboeta. O amor é retratado como uma força maior, arcaica e visceral, capaz de ultrapassar todas as barreiras, desafios e sacrifícios, mesmo que estes impliquem o vexame, a humilhação, a perda da dignidade e da própria vida.</p>
<p><span id="more-77"></span></p>
<p>Numa entrevista recente no programa <em>Câmara Clara</em>, o realizador João Canijo, explicou de forma consistente não só o seu método de trabalho mas as referências aos clássicos gregos presentes no filme através da inscrição sucessiva dos elementos essenciais da tragédia grega.</p>
<p>Segundo Aristóteles, a tragédia deveria indiciar desde o início o desenlace trágico que resultaria do conflito entre o desafio colocado à personagem (<em>hybris</em>) e o destino (<em>anankê</em>). Este conflito desenvolver-se-ia num crescente de sofrimento (<em>pathos</em>) até chegar ao <em>climax</em>, ponto culminante da catástrofe. A <em>hybris</em> seria o sentimento motor da tragédia que conduz os seus heróis à violação da ordem estabelecida através duma acção ou comportamento que se assume como um desafio aos poderes instituídos.</p>
<p>Na obra de Canijo, o amor de uma mãe pela filha e de uma tia pelo sobrinho, desafia os poderes instituídos do Bairro Padre Cruz, personificados no chefe duma rede de traficantes de droga e num médico, também oriundo do mesmo bairro, mas que ascendeu a um estrato sócio-económico superior, metáfora representativa, do poder resultante da desigualdade social.</p>
<p>Na entrevista referida, Canijo comenta como lhe interessou retratar a possibilidade da existência deste amor, capaz de mover as personagens a estados limite, quando elas se debatem com a sua sobrevivência, numa luta diária entre a precariedade do trabalho, a promiscuidade das relações e a inserção num ambiente socialmente desfavorecido, numa alusão clara às problemáticas sociais levantadas pela actual crise dos modelos politico-financeiros.</p>
<p>A argumentação do problema sócio-afectivo é legítima mas pode conduzir-nos a pensar erroneamente que nos contextos sociais mais pobres, os transtornos derivados da perturbação do vínculo afectivo são necessariamente mais graves ou mais frequentes que nos estratos sócio-económicos mais elevados. Na verdade, as várias formas de perturbação da vinculação entre a pessoa que cuida e a criança, que posteriormente se reflectem nos padrões relacionais da última, são transversais a todos os estratos sociais e estão dependentes duma multiplicidade de factores que incluem não só os sócio-económicos, culturais, biológicos, mas também e essencialmente, a estrutura afectiva da pessoa cuidadora, a consistência do papel cuidador ao longo do crescimento, a dinâmica familiar, a capacidade de promover a autonomia emocional do sujeito, entre outros.</p>
<p>Por vezes, um elemento de referência estável durante o desenvolvimento como um mentor inspirador, um interesse particular que promova o sentimento de pertença a um grupo ou mesmo um papel derivado da estrutura resiliente do indivíduo(a), construída por oposição a um ambiente de crescimento desfavorável, podem reforçar a pessoa na sua autonomia e capacidade para amar.</p>
<p>Canijo não faz jus à sua teoria na concretização do próprio filme e confessa que os actores tiveram um papel crucial na construção dos diálogos e na resolução do argumento com um “final feliz” contrário às suas aparentes intenções. Em <em>Sangue do Meu Sangue</em>, o amor incondicional é transformador e salvífico, ele preserva a força que permite àquelas pessoas encarar um mundo hostil e desajustado ao seu redor mas pleno de significado no seu interior.</p>
<p>O Bairro Padre Cruz é um lugar degradado que reflecte a guettização dos grupos sociais retratados no filme e as estratégias de sobrevivência dos mesmos. Apesar da violência iminente na forma como algumas relações se estabelecem, resultante das práticas transgressoras e do aproveitamento dos escassos recursos, perspassa ao longo da narrativa o sentimento solidário entre os seus habitantes e a defesa incondicional dos que nos são mais queridos e mais desprotegidos. A desorganização do meio envolvente parece reforçar os laços afectivos, perante o isolamento e abandono a que a sociedade os vetou.</p>
<p>De um modo formalmente muito elaborado, Canijo entrecorta, sobrepõe e duplica planos que só mostram partes do que está acontecer, o que nas palavras do autor, instilam o espectador a fantasiar sobre o que não está na imagem e a participar na construção dos significados e na intensidade dos pressupostos trágicos do filme. O ritmo lento permite instalarmo-nos no quotidiano das personagens e ficarmos confrontados com o seu modo de vida, que a nós, portugueses, nos é tão familiar, mas também tão distante, quando dele não estamos conscientes, ou quando o confronto da precariedade das condições de vida nos é apresentado de forma dolorosa e cruel.</p>
<p>A multiplicidade formal reflecte as várias dimensões da questão amorosa e expõe a contradição do discurso de Canijo. Nos contextos considerados por muitos de nós como os mais desajustados, os afectos irrompem como elemento estabilizador e aglutinador, não só nas relações de sangue que formam o eixo central do filme, como nas relações entre os vizinhos, ou mesmo entre o mafioso/traficante e as suas filhas.</p>
<p>A tragédia grega tinha como função a catarse (<em>katharsis</em>), a purificação das emoções e paixões, idênticas às sentidas pelas personagens, efeito conseguido através do terror (<em>phobos</em>) e da piedade (<em>eleos</em>) que deve provocar nos espectadores. Na cena final assistimos arrepiados ao confronto entre a humilhação extrema e violência desmesurada resultante das condições do lugar e a força maior do amor capaz de vencer a mais terrível das provações.</p>
<p>Em <em>Sangue do Meu Sangue</em> somos confrontados com o poder dos afectos numa época que não assumimos muitas vezes a importância destes, embora os procuremos incessantemente. As defesas que muitos de nós construímos em adaptação ao mundo exterior impedem-nos de conseguir identificar esta <em>hybris</em>, o amor incondicional pelo outro, capaz de criar sentido numa realidade desagregada, subjugada ao consumismo esquizofrenante e num mundo em risco de se desmoronar, em que nos sentimos, tal como os personagens do filme, permanentemente alienados.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/77/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=77&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ruiferreiranunes.com/2011/10/29/sangue-do-meu-sangue-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
	
		<media:content url="http://2.gravatar.com/avatar/288719a321e920ca8107e96712bcbe4a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">ruiferreiranunes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Depressão e Desemparo</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2011/04/11/depressao-e-desemparo/</link>
		<comments>http://ruiferreiranunes.com/2011/04/11/depressao-e-desemparo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 11 Apr 2011 14:56:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[auto-estima]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[desamparo]]></category>
		<category><![CDATA[vinculação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ruiferreiranunes.com/?p=59</guid>
		<description><![CDATA[Uma das dificuldades no diagnóstico da depressão é a grande heterogeneidade de contextos e factores que podem despoletar as perturbações depressivas. Muitas vezes a depressão é precipitada por acontecimentos stressantes pontuais, mas que normalmente têm na base conflitos internos, dos &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2011/04/11/depressao-e-desemparo/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=59&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das dificuldades no diagnóstico da depressão é a grande heterogeneidade de contextos e factores que podem despoletar as perturbações depressivas. Muitas vezes a depressão é precipitada por acontecimentos stressantes pontuais, mas que normalmente têm na base conflitos internos, dos quais os pacientes não estão conscientes ou procuram desvalorizar, tendo dificuldade em identificar as causas dos sintomas depressivos. Outras situações são claramente evidentes como as situações de perda, quer seja um divórcio ou separação, a morte de um ente querido ou a perda do emprego.</p>
<p><span id="more-59"></span></p>
<p>A depressão pode ser crónica ou circunstancial, apresentar sintomas mais ligeiros ou mais severos, estar enquadrada numa perturbação mental mais grave como a bipolaridade ou uma psicose, ser induzida pelo consumo de substâncias, estar associada a situações de doença, período pós-parto ou motivada por factores sócio-económicos como os decorrentes da situação de grande instabilidade em que vivemos neste momento. Em qualquer dos quadros, os aspectos afectivos ocupam um peso relevante, tanto na forma como nos validamos como nas relações com os outros. Por  vezes as pessoas deprimem porque se sentem sós ou porque estão a atravessar crises existenciais que as confrontam com as suas vulnerabilidades e com o sentido da sua vida. Apesar de estarem comprovados factores genéticos e bio-químicos que predispõem certas pessoas para a depressão, não são tão decisivos como noutro tipo de patologias como a bipolaridade.</p>
<p>Os sintomas normalmente associados à depressão são as características melancólicas. A diminuição ou ausência da capacidade para experimentar prazer (astenia) e a falta de reactividade aos estímulos habitualmente agradáveis são especificados pelo Manual de Psiquiatria Americana DSM-IV como critérios para o diagnóstico deste tipo de depressão cujo grau de severidade pode induzir a pessoa a deixar de conseguir funcionar a nível social, ocupacional ou escolar. A perda do prazer é normalmente acompanhada de tristeza e sentimentos de culpa excessivos, perda do apetite, acordar pelo menos duas horas antes do habitual, sentir uma grande agitação ou lentificação psicomotora.</p>
<p>Freud teorizou que nos períodos de luto, a pessoa incorpora a representação da pessoa amada e identifica-se com esta com vista a evitar sentir a perda. Neste processo nós tornamo-nos objecto dos sentimentos negativos que inconscientemente guardamos relativamente às pessoas que amamos. Esta identificação gera ressentimento pela perda e sentimentos de culpa por situações reais ou imaginárias relativas às relações com a pessoa que se perdeu. Segundo Freud, este período de incorporação da pessoa amada seria seguido dum período de luto, em que a pessoa recorda a pessoa perdida e desta forma separa-se da representação interna da mesma. No caso das pessoas muito dependentes esta separação fica comprometida dando origem a situações de auto-punição, culpa, auto-abuso e depressão.</p>
<p>Estudos posteriores de análise dos sonhos de pessoas deprimidas encontraram como temas recorrentes a perda e o falhanço e não a zanga e hostilidade contra o próprio, como Freud havia enunciado. Contudo, as pessoas deprimidas expressam com frequência sentimentos de zanga e hostilidade contra os outros, o que poderá ser entendido como uma projecção do mal-estar interno e dos sentimentos de culpa. Por outro lado, as pessoas co-dependentes tendem de facto a deprimir no seguimento duma rejeição. A perda e o falhanço são encarados como falhas pessoais que levam ao abandono interno e à desistência de si e dos outros.</p>
<p>As perturbações depressivas podem ter de facto outro tipo de sintomas considerados pelo DSM-IV como atípicos por oposição à representação melancólica da depressão. As características atípicas incluem maior reactividade do humor, em particular à rejeição interpessoal percebida, aumento do peso e do apetite, hipersónia (dormir mais horas do que o habitual), sensação de peso ou inércia nos braços e nas pernas.</p>
<p>Teorias posteriores da depressão colocaram enfâse na estrutura interna do indivíduo e na forma como este se posiciona face ao mundo. Autores cognitivistas como Beck consideraram que os indivíduos que tendem a deprimir adquiriram um esquema mental negativo decorrente da perda dum progenitor, ou outro tipo de traumas ocorridos na infância e adolescência como por exemplo a rejeição dos colegas de escola, negligência dos pais ou professores, abuso etc. Esta visão negativa do próprio e do mundo é reactivada  cada vez que são encontradas situações que se assemelham às vividas no passado.</p>
<p>Por outro lado, esquemas defensivos decorrentes das situações traumáticas que visam a sobrevivência num mundo entendido como hostil deixam a pessoa numa posição de maior vulnerabilidade. Por exemplo, nas sociedades actuais, onde que existe uma grande prevalência do narcisismo, é frequente depararmo-nos com indivíduos que  incorporam a ideia de que têm de ser perfeitos para que possam gostar deles, ficando dependentes da aprovação dos outros para se sentirem bem consigo próprios e logo mais vulneráveis à rejeição.</p>
<p>Segundo Beck, uma visão negativa de si próprio e do mundo pode gerar expectativas negativas sobre o futuro e despoletar esquemas mentais que distorcem a realidade, confirmando esta visão pessimista. São exemplos destes esquemas a inferência arbitrária de conclusões negativas sobre o próprio ou sobre os outros a partir de dados insuficientes ou seleccionados de forma a confirmarem o negativismo. A minimização de aspectos positivos, as inferências a partir da  maximização de detalhes negativos, ou a generalização a partir destes, dificultam a capacidade de julgar e avaliar a realidade.</p>
<p>Para Bowlby, o autor que desenvolveu a teoria da vinculação, a qualidade da relação com as pessoas mais próximas da criança tem um papel decisivo na construção dos alicerces da confiança no próprio e nos outros. Uma criança que é amada e validada pelos seus cuidadores de forma consistente acabará por desenvolver mecanismos internos de auto-estima e auto-confiança que lhe permitem responder de forma mais resiliente em situações de stress.</p>
<p>As situações de desamparo emocional são hoje extremamente comuns e são resultado de relações paradoxais ou abandónicas na infância e adolescência. Por vezes os pais estão demasiado ocupados consigo próprios ou com a logística profissional e familiar. Apesar de cuidarem das crianças, não as validam relativamente ao que elas sentem e precisam, deixando-as demasiado entregues a si próprias na construção do eu e na descodificação das relações com o mundo exterior. O amparo emocional promove um eu mais coeso, capaz de resistir às perdas, às situações de rejeição e aos obstáculos do real porque é capaz de julgar o mundo e a si próprio de forma adequada, identificando e relativizando os aspectos que lhe são exteriores e confiando na sua capacidade para os ultrapassar.</p>
<p>A depressão afecta 20% da população portuguesa que procura como tratamento preferencial a medicação anti-depressiva. Nas depressões reactivas causadas por factores exógenos, esta medicação pode ser um auxiliar fundamental para os pacientes recuperarem da doença. Contudo, a maioria das pessoas que sofrem de depressão apresentam um padrão crónico ou cíclico, em que a depressão surge como uma defesa que decorre de factores endógenos e das vulnerabilidades acima descritas. O imediatismo da medicação anti-depressiva pode promover a ideia de que os factores causadores da doença são exteriores à pessoa, como é tão frequente acontecer em Portugal em que culpamos o país ou os outros do nosso mal-estar.  Pelo contrário, o recurso exclusivo à medicação reforça muitas vezes a  estrutura narcísica dos pacientes, em lugar de serem investigados os conflitos internos que estão na origem da doença.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/59/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/59/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=59&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ruiferreiranunes.com/2011/04/11/depressao-e-desemparo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="http://2.gravatar.com/avatar/288719a321e920ca8107e96712bcbe4a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">ruiferreiranunes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Sexualidade Feminina e o Cisne Negro</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2011/02/21/sexualidade-feminina-e-o-cisne-negro/</link>
		<comments>http://ruiferreiranunes.com/2011/02/21/sexualidade-feminina-e-o-cisne-negro/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 Feb 2011 19:15:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[controlo]]></category>
		<category><![CDATA[dança]]></category>
		<category><![CDATA[feminino]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ruiferreiranunes.com/?p=56</guid>
		<description><![CDATA[Numa altura em que a sexualidade feminina parece ter-se tornado num apetecível objecto da comunidade científica e dos media, o filme  Cisne Negro confronta-nos com algumas questões do desenvolvimento sexual das mulheres recorrendo ao ballet clássico como metáfora perfeita do &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2011/02/21/sexualidade-feminina-e-o-cisne-negro/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=56&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Numa altura em que a sexualidade feminina parece ter-se tornado num apetecível objecto da comunidade científica e dos media, o filme <em> Cisne Negro</em> confronta-nos com algumas questões do desenvolvimento sexual das mulheres recorrendo ao ballet clássico como metáfora perfeita do controlo castrador do corpo.</p>
<p><span id="more-56"></span></p>
<p>Embora não sendo a questão central da história, a sexualidade de Nina, a bailarina escolhida para desempenhar o papel duplo dos cisnes branco e negro, acaba por ser o maior obstáculo à sua capacidade de interpretar o cisne negro que, na versão do bailado, consegue seduzir e enganar o príncipe, levando-o a trair o juramento de amor com o cisne branco, figura simbólica do amor puro, monogâmico, que assim sucumbe às forças do mal, representado na capacidade sedutora e destrutiva do cisne negro.</p>
<p>A história do bailado tem de facto uma analogia com uma determinada visão da sexualidade da mulher que ainda perdura hoje. A mulher pura e casta que guarda a sua sexualidade intacta é punida pela mulher sexualizada, destruidora do amor. A história do cinema está repleta de referências a estas mulheres cuja capacidade sedutora está irremediavelmente ligada à destruição da vida, dos homens e das mulheres que representam o papel socialmente desejável ou em termos genéricos, o bem (social). São exemplos desta representação do feminino, os clássicos que marcaram as gerações dos anos 50 e 60, Esplendor na Relva, Um Eléctrico Chamado Desejo ou Tudo sobre Eva, entre muitos outros.</p>
<p>Não é por acaso que o argumentista escolheu<em> O Lago dos Cisnes</em> para ilustrar a perturbação do desenvolvimento de Nina, cativada na relação com uma mãe psicótica. O conflito entre a estrutura mental rígida derivada da relação com a mãe e as exigências do coreógrafo, representativas do poder do homem, da sexualidade e do perfeccionismo da dança, levam Nina a um stress emocional extremo, potenciador de sintomas psicóticos que a acabarão por destruir. Ao longo do filme, Nina sofre de alucinações que gradualmente invadem o real, destrutivas do eu e dos seus rivais arcaicos (as colegas e a mãe), colando-se assim à personagem do cisne branco e à história do bailado.</p>
<p>Embora exista um corpo de literatura científica que de forma consistente aponta para a predisposição genética no desenvolvimento da esquizofrenia, o stress psicológico continuado causado por factores sociais e familiares parece ter um papel preponderante na produção das patologias psicóticas.</p>
<p>A mãe controladora que procura cristalizar a relação com a filha e impedi-la de crescer, sexualizar-se e assim rivalizar consigo, remete-nos facilmente para o nosso referencial cultural onde as mães ultra-protectoras retêm o desenvolvimento da sexualidade dos seus filhos dando origem a tantos casos de anorexia, bulimia, disfunções sexuais, bem como falta de auto-estima, auto-confiança e especialmente a sensação de permanente inadequação perante o real.</p>
<p>Por mais que tente, Nina sente-se sempre angustiada pela sua imperfeição e perseguida pelo desejo de ser perfeita e assim obter o reconhecimento de si mesma, através dos outros. Por outro lado, Nina sente-se desadequada perante os outros, que estranham a ausência de desejo e a falta de competências sociais da bailarina.</p>
<p>O meio da dança não é somente retratado como potenciador da patologia mas essencialmente como espelho desta. O controlo escrupuloso do corpo, a idealização deste, o perfeccionismo na execução, são metáforas da estrutura interna de Nina, decorrentes da falta de gratificação narcísica. As estratégias de controlo da mãe como as da dança são internalizadas por Nina na sua busca da perfeição.</p>
<p>Para sentir prazer ou ultrapassar os seus medos, Nina precisa de se descontrolar e transgredir a sua estrutura, transformando o real nas suas fantasias e alucinações. Quando tenta explorar a sexualidade, Nina fá-lo de forma desorganizada e polimórfica. A retenção do desenvolvimento sexual potencia o seu lado auto-destrutivo, quando contraposta à colega, aparente rival (representação do cisne negro), que possui uma sexualidade integrada, objecto de inveja e de fascínio.</p>
<p>Desta forma, o filme inverte de alguma maneira a representação clássica da sexualidade da mulher enquanto destruidora do bem. O cisne branco acaba por ser vítima da sua assexualidade e da sua desconexão com o real. Nina não está longe do que muitas mulheres sentem relativamente à sexualidade, o medo terrível de perder o controlo. A entrega ao outro é assim subentendida como uma forma sublimada de auto-destruição.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/56/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=56&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ruiferreiranunes.com/2011/02/21/sexualidade-feminina-e-o-cisne-negro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
	
		<media:content url="http://2.gravatar.com/avatar/288719a321e920ca8107e96712bcbe4a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">ruiferreiranunes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A Defesa do Perfeccionismo</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2010/12/16/a-defesa-do-perfeccionismo/</link>
		<comments>http://ruiferreiranunes.com/2010/12/16/a-defesa-do-perfeccionismo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 16 Dec 2010 16:40:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Consultório online]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[defesa]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
		<category><![CDATA[perfeccionismo]]></category>
		<category><![CDATA[relação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ruiferreiranunes.com/?p=53</guid>
		<description><![CDATA[Caro Rui, Sou uma jovem de 28 anos o meu companheiro tem 29, conhecemo-nos desde os 11 anos de idade, temos uma amizade muito bonita, só namoramos à 8 anos e vivemos juntos à 4…parece uma escala cronológica:-) A questão &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2010/12/16/a-defesa-do-perfeccionismo/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=53&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>
Caro Rui,<br />
Sou uma jovem de 28 anos o meu companheiro tem 29, conhecemo-nos desde os 11 anos de idade, temos uma amizade muito bonita, só namoramos à 8 anos e vivemos juntos à 4…parece uma escala cronológica:-)<br />
A questão é: eu tenho receio de ter parametros demasiados altos e do meu companheiro não conseguir estar à altura dos mesmos… ou sou eu que inconscientemente estou arranjar desculpas para que o meu companheiro não tenha que dar o litro na nossa relação… sou demasiado exigente por desejar o melhor para mim ou demasiado irrelalista por não conseguir simplesmente desfrutar do que ele tem de bom???</p>
<p><span id="more-53"></span><br />
Costumo pensar pra mim mesma que ele tem “material” para marido e consigo facilmente imaginar-me casada com ele (não sou católica, acredito racionalmente no compromisso do casamento, na dedicação ao outro) o meu cérebro sabe que ele é perfeito e será o melhor pai que eu poderia escolher para os meus filhos, mas a minha alma está constantemente a pedir-me para ser amada alimentada… com atenção, com carinhos, com palavras.. são coisas de mulher ou é um sentimento honesto???<br />
Às vezes chego a sentir-me envergonhada comigo mesma por ter um homem tão bom e ainda estar a “exigir” que ele seja romântico e sensivel, mas outras sinto-me revoltada por saber que está ao alcance dele “dizer que me ama” e que não o faz por opção.</p></blockquote>
<p>Olá Sofia, a problemática que descreve tem a ver com a Sofia colocar a fasquia demasiado alta para si e para o seu companheiro. Por outras palavras, a Sofia tem um lado perfeccionista que normalmente resulta do desejo de que os outros gostem de nós porque não gostamos suficientemente de nós mesmos.</p>
<p>O que está subjacente a esta defesa é qualquer coisa como: se eu for perfeito vão seguramente gostar de mim ou será quase impossível não gostar de mim, logo eu terei a atenção e validação de que estou carente. Por essa razão, na última parte do mail, a Sofia deseja que o seu companheiro expresse o amor que tem por si e que seja romântico e sensível. A Sofia procura que o seu companheiro a veja emocionalmente e demonstre gostar de si para que a Sofia se sinta melhor consigo mesma.</p>
<p>Repare, com tantos anos de relação ainda não está segura dos sentimentos do seu companheiro por si? Ou precisa que ele os demonstre continuadamente? Por outro lado, esta estratégia agradativa é expressa através dum desejo omnipotente porque obviamente ninguém é perfeito, e como tal, para além de ser uma forma de pressão sobre si própria e a relação, acaba normalmente por em algum momento fracassar, quanto mais não seja pela ansiedade que produz.</p>
<p>A procura da pessoa perfeita não é mais do que uma projecção da sua nossa própria vontade de sermos perfeitos, porque na verdade nos sentimos demasiado imperfeitos. A fantasia do companheiro perfeito pretende preencher o vazio afectivo que resulta da falta de gratificação narcísica durante o crescimento. Contudo, esta defesa acaba por impedir uma melhor aceitação das vulnerabilidades do outro como as de nós próprios, dificultando o compromisso com o outro e a construção da intimidade. O outro nunca parece ser suficientemente bom porque eu idealmente gostaria de ser perfeito e estar em relação com uma pessoa perfeita que reforce a minha idealização. Desta forma, estabelece-se uma insatisfação constante com o próprio e com o outro, destrutiva tanto do eu como da relação.</p>
<p>Procure amar-se a si própria e ao seu companheiro sem ter que medir o amor através das qualidades infinitas dum marido ideal que não é mais do que uma projecção do seu eu ideal. Afinal todos somos bastante imperfeitos e não é isso que nos impede de amar e ser amados!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/53/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=53&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ruiferreiranunes.com/2010/12/16/a-defesa-do-perfeccionismo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="http://2.gravatar.com/avatar/288719a321e920ca8107e96712bcbe4a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">ruiferreiranunes</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Facebook Sem Rede</title>
		<link>http://ruiferreiranunes.com/2010/11/14/facebook-sem-rede/</link>
		<comments>http://ruiferreiranunes.com/2010/11/14/facebook-sem-rede/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Nov 2010 11:37:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Ferreira Nunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[proximidade]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ruiferreiranunes.com/?p=51</guid>
		<description><![CDATA[Diziam as más-línguas que o filme a Rede Social de David Fincher iria-nos retratar Mark Zuckerberg, o fundador do  facebook, como alguém ambicioso que não olharia a meios para atingir os seus fins, traindo os melhores amigos, roubando ideias a &#8230; <a href="http://ruiferreiranunes.com/2010/11/14/facebook-sem-rede/">Continuar a ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=51&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Diziam as más-línguas que o filme a <em>Rede Social</em> de David Fincher iria-nos retratar Mark Zuckerberg, o fundador do  facebook, como alguém ambicioso que não olharia a meios para atingir os seus fins, traindo os melhores amigos, roubando ideias a outros, incapaz de estabelecer relações afectivas.</p>
<p>O filme de Fincher é um retrato fidedigno do funcionamento da sociedade americana extensível ao mundo em que vivemos. O enfoque de Mark é o sucesso, o reconhecimento e a validação pessoal. Tal como referia o psicanalista António Coimbra Martins numa recente entrevista ao Expresso, “o que nos move agora é o êxito e o medo de falhar. Nas sociedades de sucesso a vergonha substituiu a culpa”.</p>
<p><span id="more-51"></span></p>
<p>Mark não sente culpa quando toma as decisões que o tornaram no bilionário mais jovem da história recente. Ele está demasiado estimulado com a construção e desenvolvimento dum sistema que está curiosamente a mudar a nossa vida social. Ele está empenhado em suceder perante os seus pares e alcançar o poder corporativo. Ele está empenhado em suceder perante a rapariga que o rejeitou por ser demasiado estranho, arrogante e desajeitado.</p>
<p>No entanto, numa das cenas do processo que o opõem ao seu ex-sócio, a arrogância do seu discurso, intelectualmente brilhante, é interrompida pelo olhar do amigo traído, num momento de confrontação afectiva. Tal como com a rapariga que o rejeita, Mark não consegue gerir o mundo dos seus afectos. Provavelmente não consegue identifica-los de forma a agir congruentemente com estes. Só lhe resta mesmo os canais virtuais do facebook.</p>
<p>Mas será Mark Zuckemberg um sacana sem sentimentos? Parece-me que Mark é mais o jovem adulto desamparado cujo sentir não foi suficientemente validado. Mark está sozinho num mundo cruel sem saber como se aproximar dos outros para além de os vencer. No final do filme somos confrontados com os sentimentos que restam a Mark, está sozinho e deseja proximidade com os outros.</p>
<p>O facebook é em larga medida uma ferramenta construída para resolver esta necessidade de proximidade e conexão. Nas projecções virtuais o eu multiplica-se em argumentos para convencer os outros, o privado passa a ser público, a identidade virtual confunde-se com o real.</p>
<p>No mundo real a esfera privada está protegida pelas decisões que tomamos quando nos revelamos aos outros. A gestão da nossa privacidade protege os nossos sentimentos e reforça a diferença entre quem sou, o que os outros são, e como nos vêem. A proximidade resulta do desejo de conhecer o que não se conhece e que é diferente de nós. A proximidade resulta também do desejo que os outros reconheçam que somos diferentes e que valemos a pena conhecer e possivelmente amar.</p>
<p>O facebook espelha este desejo mas está limitado por um eu fragmentado que não corresponde ao que eu sou no real. Um eu com mais história e decisões e tal como Mark com desejo de afecto real.</p>
<p>À imagem de Mark, os membros do facebook ficam expostos pela imagem que criaram e pela forma como gerem facilmente as relações virtuais, mas não tanto pelos seus sentimentos e identidade reais. No facebook eu posso apagar num segundo um amigo e ganhar outro, posso até entrar em contacto com o passado que já estava arrumado e ser seduzido pela fantasia que construo a partir da imagem do outro.</p>
<p>O facebook pode ser de facto uma janela para o exterior, para partilhar ideias, criar petições e abrir caminho para o sucesso mas não substitui a inevitável confrontação com a verdadeira realidade do outro e de nós próprios. Estou apenas escondido a espreitar pelo buraco da fechadura para um mundo tão fascinante como imaginário.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruiferreiranunes.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruiferreiranunes.wordpress.com/51/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruiferreiranunes.com&#038;blog=29796171&#038;post=51&#038;subd=ruiferreiranunes&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ruiferreiranunes.com/2010/11/14/facebook-sem-rede/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://2.gravatar.com/avatar/288719a321e920ca8107e96712bcbe4a?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">ruiferreiranunes</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>
